sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

FIM



E do anel que unia,
restou evidente,  apenas a branca marca no dedo anelar.
E das tantas juras que cantamos,
sobraram somente,  os juros de inúmeras contas a pagar.
E dos encantos da casa,
ficaram unicamente,  os incantáveis desencantos do verbo acasalar.
E de inúmeras fotos tiradas,
permaneceram simplesmente,  as molduras sem nada a mostrar.
E das palavras tão doces,
degustamos amargosamente,  o gosto sem gosto da palavra desgostar.
E dos muitos sonhos a dois,
seguiram individualmente,  os nossos dois eus a devanear.
E do passado vivido,
chegou-nos penosamente,  o doído presente de um novo recomeçar.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Desejos



Que 2015 seja o ano do encontro;
Do seu corpo com sua alma;
Do seu coração com suas verdadeiras emoções;
Que muito além do dinheiro, você possa descobrir sua insubstituível missão, aquilo que somente a você cabe realizar neste planeta Terra;
Que muito antes do amor de alguém, você se ame por demais, consciente que a sua imagem no espelho, não revela verdadeiramente quem você é;
Que compreenda o mundo exterior como resultado daquilo que você constrói diariamente em seu mundo interior e reconheça nos seus sonhos, a sua mais autêntica realidade;
Que você seja livre no pensamento e nas atitudes e não se deixe aprisionar em qualquer uma das diferentes embalagens da escravidão;
Que descubra a si mesmo, ao invés de buscar descobrir-se no outro;
Que lembre sempre, do nascer ao pôr do sol, ser imagem e semelhança do Criador e que tudo pode, pois, Ele o fortalece;
Que você não seja espectador, vítima, ou mero figurante do que possa ocorrer em sua vida, mas sim, o protagonista da própria história;
Que você possa, sobretudo, ser muito feliz ao percorrer o caminho mais importante de todo ser humano: ir ao encontro da sua essência. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

A um amigo que se foi



Dias atrás ao olhar distraidamente para uma pessoa na rua pude ver nela, não sei a razão, um amigo que já não se encontra mais no plano visível. Estranha sensação esta, a de sentir tão próximo, pessoas que já se foram, como se bem ali na esquina pudéssemos conversar sobre assuntos da vida que segue. Pude notar aquele mesmo jeito desleixado de cuidar sem se cuidar, o corpo permanentemente esguio, a usual camisa branca de manga curta por sobre a calça jeans surrada e o sapato igualmente desgastado por tanto caminhar. Na face, a barba sem fazer e os óculos esperando sempre o auxílio das mãos, aquelas mesmas que seguravam a pasta preta contendo sabe-se lá o quê.
Peguei-me então, falando aquelas frases introdutórias e tão banais do cotidiano. “E aí? Como estão as coisas? Só na correria?”. E a resposta acompanhada daquele sorriso comum entre os que se reconhecem amigos.  “Estamos aí, correndo atrás do prejuízo. Não pode é parar, né?” (Ironia constatar que a vida para de repente apesar ou em razão de tanto correria).
Como era hora do almoço resolvemos colocar a prosa em dia em um restaurante que também já havia encerrado suas atividades. Um local de muitos encontros entre outros amigos e que apelidamos de “Without family”, freqüentado apenas por aqueles que julgávamos “sem família”.  
E voltamos a falar da mulher que amávamos e aquelas que passaram por nós sem amor. Rimos com as piadas de sempre e os micos que pagamos nas amizades compartilhadas de um universo ainda sem internet. Discutimos sobre a eterna política sem solução, o clima das quatro estações em um mesmo dia, o futebol em queda e a inflação em alta.
Por fim, o relógio ainda nos pulsos, trouxe-nos de volta a urgência nas tarefas ainda a cumprir. Despedimo-nos com um abraço imenso que mais parecia um laço a amarrar nossas vidas em um presente eterno.

Ao chegar em casa e em tempos de facebook, acessei sua página e pude ler suas postagens sempre hilárias e suas fotos. Tudo comprovando que a vida continua e que o seu coração insistia em pulsar, mesmo que a ciência tenha diagnosticado o contrário. Nesta certeza, não resistir e postei na mesma página a seguinte mensagem a aguardar sua pronta resposta.  “E aí? Como estão as coisas? Só na correria?”. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Séquisso


 Sexo é o assunto mais antigo e mais contemporâneo da história da humanidade. Pesquise a palavra “sexo” no Google e encontrara 212 milhões de resultados. É sem dúvida, o tema mais discutido, o mais comentado, o mais divulgado, o mais debatido e, talvez, o menos compreendido.  O que poderia ser enxergado como uma atitude natural, orgânica, abençoada por Deus e bonita por natureza, ao longo do tempo, se tornou tema controverso e polêmico. A começar pela ideia de associar sexo ao pecado que tanto mal gerou a nos remeter à culpa e ao medo.
Mas, se antes nos colocaram na cabeça que sexo era pecaminoso, hoje, virou ato obrigatório, como receita que devemos provar, medicamento que necessitamos tomar para vivermos felizes.
Você está triste e desanimado?
Experimente Sexo. Agora em nova embalagem.
Ligamos a televisão e um programa ensina aos jovens o que é ereção. Sintonizamos o rádio e um especialista comenta sobre a importância do orgasmo nas relações sexuais. Abrimos as páginas dos jornais e revistas e ficamos sabendo sobre a descoberta de um novo medicamento que promete prolongar o nosso prazer.
E com tanta gente nos ensinando o que é sexo, muitos vão para cama com um manual na cabeça e o medo danado de errar em alguma regra, de cometer alguma gafe e a possibilidade de perder pontos com o parceiro ou parceira. Temos que ser atletas sexuais no campeonato da virilidade, da boa forma, da masculinidade e da sensualidade.
Se os adultos já não sabem, como papais e mamães, o que é sexo, nos dias atuais o que estarão sentindo os jovens, atropelados pelo excesso de informações, pelos exemplos de alta performance sexual exibidos pelos atores e atrizes das novelas das seis das sete e das oito?
Somos impotentes perante a indústria do sexo a nos vender corpos, roupas, artefatos, remédios, comportamentos. A própria virgindade deixou de ser escolha individual e intransferível, para ser produto midiático a alimentar a indústria do entretenimento e a do prazer a qualquer custo.
Sem querer esgotar o assunto, cabe por último ressaltar que sexo é bom, é divino e faz parte da natureza humana. Ruim foi o que fizeram com o sexo. No passado, relacionando-o à culpa e ao medo e nos dias atuais, ao comércio e a competição.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Antes de você me deixar


Deixa que eu enxugue com o lenço as suas e as minhas lágrimas.
Deixa que eu me lembre da emoção que senti quando nos conhecemos.
Deixa-me assim, do meu jeito, recordar o que passamos juntos.
Deixa que eu revele como ficarei se me deixar.
Deixa então, o tempo passar mais um pouco...
Quem sabe você até se esqueça de me deixar.

Deixa, sobretudo, meu coração falar por mim.

E se, depois de tudo, você ainda quiser me deixar, 
deixa então, fazer-lhe um último pedido:

- Me deixa ir junto?


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Que vença o Brasil


Há que se acatar com serenidade, discernimento e bom senso, entre vencidos e vencedores, o resultado das urnas eleitorais e o que a maioria da população revelou com o voto. Saber perder é tão necessário como saber vencer. 
Se a eleição presidencial sinalizou uma clara divisão em todo o país, passada agora as emoções, os conflitos e as divergências inerentes ao processo democrático, o momento é de reflexão para um novo projeto político que possa realmente unir a todos os cidadãos.
A eleição passou, mas ela deixou um legado a todos nós, agentes públicos, empresários, profissionais da imprensa, enfim, a cada trabalhador brasileiro. 
A eleição já faz parte do passado e se faz necessário pensar no futuro do país e o que sobrou de ensinamento nas eleições mais acirradas de nossa democracia. 
Talvez, o maior ensinamento seja o de que necessitamos continuar discutindo, participando, cobrando e exigindo da classe política que ela cumpra com seus compromissos como representantes de toda a população. 
E se avançamos na direção da nossa maioridade política, vamos torcer para que, além do voto, nossa voz continue sendo ouvida. 
Que os novos governadores, deputados, senadores e a própria presidência da república, governem com maior consciência;
Que possam combater a corrupção com a energia devida para que realmente seja extinta de nossas empresas públicas e privadas;
Que não estimulem a divisão de classes entre empresários e patrões, nordeste e sudeste, homos e heteros, elite e proletariado, pois os rótulos só promovem o desequilíbrio, a desconstrução, as desavenças e as perdas coletivas; 
Que façam as reformas que o Brasil necessita há tempos, como a reforma política, a previdenciária, a fiscal e a reforma tributária; 
Que combatam com todas as forças, ações e políticas públicas, um dos principais problemas nacionais que é o consumo de drogas, que tem como consequência imediata, a violência urbana; 
Que não enganem a boa fé dos brasileiros, ajam com clareza e transparência, veracidade e determinação e, principalmente, muito zelo com os recursos públicos;
Que invistam prioritariamente em saúde e educação, mas sem assistencialismos casuísticos que comprometem a dignidade humana e promovem a inércia;
Que as disputas partidárias tenham como foco o cidadão e não os privilégios para qualquer agremiação política;
Que o poder não inebrie, não encante, não envaideça e não se aproxime dos privilégios individuais em detrimento das causas coletivas; 
Enfim, passadas as eleições, torçamos para que a luta continue em prol de um novo projeto político para que o maior vencedor das urnas seja verdadeiramente o Brasil.


Mostra a tua cara, Brasil!


Ao longo dos últimos anos acompanhamos como todo cidadão brasileiro a infindável seqüência de corrupções, desmandos e descasos existentes nos pais, como células malignas em metástase se multiplicando pelo corpo de nossas instituições públicas.
Pensávamos: até quando iremos suportar? Até quando ficaremos apáticos e letárgicos?
Contudo, no ano passado, pudemos assistir incontáveis manifestações de pessoas que saíram às ruas para protestar, exigindo mudanças urgentes por um Brasil mais ético, mais íntegro, com maior dignidade para todos.
Pensávamos: a indiferença está se findando. A sociedade, finalmente, está reagindo.
No decorrer dos fatos fomos testemunhas de imagens das prisões de ocupantes de cargos de liderança no governo que traíram a confiança do povo brasileiro, aproveitando de suas funções para, verdadeiramente, saquear os cofres públicos em benefícios pessoais e partidários.
Pensávamos: estamos felizmente higienizando a nação e iniciando um novo ciclo.
Passa o tempo e chegamos hoje ao momento eleitoral para, enfim, validar as mudanças que tantos brasileiros clamaram.
No entanto, tudo o que acompanhamos nos últimos anos, o imperativo das mudanças, o combate à corrupção e aos desmandos, parecem ser coisas do passado. A onda de corrupção, que não parou com o recente caso da Petrobrás, sinaliza não causar mais tanta indignação.
As mudanças urgentes solicitadas por tantos brasileiros parecem dissolvidas no ar com o discurso do social, com slogans de campanhas, com a construção de imagens no marketing de um Brasil maravilhoso e na desconstrução orquestrada da imagem de quem se propõe a apresentar outra forma de governar.
Para milhões de pessoas, até onde se consegue perceber, estamos no caminho certo, validando suas intenções de voto pela que denominam de “inclusão social” e pela existência de uma elite que precisa ser combatida em benefício, dizem eles, dos mais carentes e na luta de classe que fazem o cidadão acreditar  na “queda de braço”, na divisão entre trabalhadores e patrões, burguesia e proletariado, ricos e pobres, heteros e homos, brancos e negros, nordeste e sudeste.  Os “ismos” já esquecidos (capitalismo, socialismo, comunismo, neoliberalismo etc) voltam a integrar a agenda das discussões dos militantes partidários.
Perguntam: Será que vocês não percebem?  Nos últimos anos, o Brasil mudou para melhor e ficará melhor ainda com a continuidade.
Para outros milhões de pessoas, o momento é de incredulidade como se algo de insano estivesse ocorrendo, como se milhões de brasileiros estivessem anestesiados e inebriados pelo intangível, pelo imaterial, pelo subjetivo. Estes, então, tentam alertar, sem sucesso, a existência de “cartões de créditos” que se fascinam hoje pelo acesso aos bens materiais, no futuro, apresentará uma alta fatura a ser paga com juros exorbitantes e causar a falência de milhões de empresas públicas e privadas atingindo diretamente a classe trabalhadora. 
Perguntam: será que não estão vendo que o Brasil caminha para um abismo, para um fosso social ainda maior?
Assim, entre estes e aqueles, entre beltranos e sicranos, no exercício da pluralidade e do saudável conflito de opiniões, cabe compreender que realmente talvez não se faça “omelete sem quebrar os ovos” e a isto se denomina democracia, onde apenas um voto poderá definir o futuro do país.
Sobretudo, cabe a todos os cidadãos torcer para que o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, mostre a sua cara nas urnas, mesmo que ela não seja tão bonita quanto diz o atual governo e seus militantes partidários e nem tão feia quanto imaginavam aqueles que exigiam e exigem mudanças urgentes no país.
A hora é agora.
Mostre-nos, verdadeiramente, sem maquiagem, qual é a tua cara, Brasil!