quinta-feira, 7 de março de 2019

Despedida


        

E você me deixou hoje...como tantos nos últimos anos.

Um relacionamento de tanto tempo, se vai assim, de repente,  escoe pelo ralo...

É triste, mas é assim. Tenho que me conformar.

Vamos ficando mais velhos e aqueles que a gente um dia acreditou que não iriam

sair da nossa vida, da nossa cabeça, nos deixam.

Mas tenho a consciência de que fiz tudo para tentar te segurar,

tentei de todas as formas,  Infelizmente, não deu...

Coincidência ou não, neste carnaval até me lembrei de você, naquela marchinha

“é dos carecas que elas gostam mais...”

Agora, em seu lugar irá ficar um vazio.

Você se foi para sempre...

Adeus, fio de cabelo.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tempos Modernos


Vejo um casal de idosos na rua. 

Mãos dadas, passos lentos.

Fico pensando em tudo o que já passaram: momentos alegres, desafios, vitórias, angustias, incertezas.

 Na curiosidade em descobrir as razões para um relacionamento durar tanto tempo, resolvo perguntar:

- Quantos anos vocês têm de casados? 

- Sessenta e oito anos (responde o senhorzinho) 

- Que maravilha! E como vocês fizeram para chegar juntos até aqui? 

- Viemos de Uber (responde a senhorinha)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Coletivamente egoístas

Vejo o declínio de tudo o que é coletivo no país. Associações, clubes de serviços, academias de letras, até o transporte dito coletivo.Existem, claro, muitas razões para isto.
O “eu” foi sendo cada vez mais valorizado em detrimento do “nós” e uma das grandes doenças, consequência e causa de nosso egoísmo, é a corrupção que invadiu a maioria de nossas instituições públicas e privadas.
Distribuímos moedas nos faróis e nas ruas, culpamos os governos de todas as nossas mazelas, mas, verdadeiramente, estamos pouco dispostos a abrir mão de nossos “direitos individuais”.
Nos afogamos nos conceitos necessários de amor próprio (ninguém dá o que não possui) e olvidamos de que amar também é se lembrar do outro.
Estamos sem bússola, perdidos na luta pela sobrevivência individual que nos retira o senso do coletivo.
O barulho ensurdecedor dos escapamentos das motos, o volume cada vez mais alto dos sons dos carros, o lixo jogado nas ruas, sinalizam a falência do que antes era chamado de comunidade.
Sim, existem exceções. Muitos ainda doam sangue, colaboram com entidades assistenciais, emprestam um pouco do seu tempo ao outro, na consciência inequívoca de que auxiliam a si mesmos. Mas, até estes, infelizmente, se encontram cansados pela burocracia das leis, pela inércia de muitos e pela apatia dos que já se declararam derrotados.
O Sistema é bruto. Ao mesmo tempo em que alimenta as nossas necessidades, nos retira o emprego e a energia, e nos obriga a lutar pelo pão meu de cada dia, já que o "nosso" se tornou plural majestático.
Até a lama que recentemente encobriu pela segunda vez, o Estado de Minas Gerais, tem na sua fonte o egoísmo e a ganância, e na sua foz, a morte de centenas de pessoas e o comprometimento vital da flora e da fauna.
A barragem dos valores que sustentava o coletivo foi por água abaixo. Estamos coletivamente solitários, coletivamente egoístas e individualmente infelizes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Gentileza não gera gentileza




Não, a frase não está errada e espelha apenas uma reflexão que faço quando realizo curso ou palestra de relacionamento interpessoal. Usualmente escutamos que "gentileza gera gentileza" e, no sentido universal, a frase tem sua veracidade. Contudo, nem sempre recebemos o que oferecemos e daí a importância da nossa atitude. Assim como o ódio não gera ódio, porque cabe a cada um a responsabilidade de "cortar a corrente negativa". Temos que nos conscientizar sempre de quem somos e o que desejamos. Onde não houver amor, leve.

Enredo ou em rede




Dona Ana, minha mãe, que há 3 anos nos deixou aos 98 de vida, certamente não entenderia os tempos em que estamos vivendo, notadamente nas redes sociais, onde a ofensa alimenta as conversas, onde as intrigas e as maledicências são servidas a todo o momento, onde os “justiceiros” julgam a todos com as suas “verdades” utilizando o punhal das palavras. 
Pensando assim, até me conformo em não ter mais sua presença física entre nós, pois, certamente, eu não saberia explicar a ela se, nos tempos atuais, o humano ainda existe depois do ser.

Feliz Ano Velho


Primeiro dia de 2019. Ano Novo. Vida Nova.
Levanto e vejo sobre a mesa da sala, contas de luz, água, boletos diversos. Me recordo que antigamente existia o carteiro, agora existe o conteiro.

Ao preparar um café, deixo a xícara cair e ela se reparte no chão. Ao abaixar para recolher os cacos, minha coluna lembra que ela existe.
Em cima da cômoda (que palavrinha mais antiga), remédios me consultam sobre as dores do mundo.
Saio para o quintal e vejo cocôs do meu cachorro que terei que recolher. Fica para mais tarde.
Resolvo ir me espreguiçar na rua e um carro passa com o som na maior das alturas tocando aquela música de “sofrência sertaneja” ... (Por que será que o “amor sertanejo” nunca dá certo?)
Em cima da grama, dorme uma garrafa vazia de champagne. O réveillon deixou rastros. Jogue o lixo no lixo.
Dou uma olhadinha no whatsapp. Dezenas de vídeos, carinhas, textos...desejando “Feliz Ano Novo”. Agradeço a todos em minha mente, mas sei que não vou ter saco pra responder. Feliz Ano Novo pra todo mundo !!!
Toca o celular. Um parente pergunta como foi a passagem de ano e nem bem respondo e ele deita a falar sobre a posse do Bolsonaro e pergunta: o que acho? Eu ainda nem achei nada, até porque não estou procurando, e ele despeja os problemas financeiros, econômicos, sociais, psicológicos, morais, sexuais que todos nós brasileiros, segundo previsões astrológicas, meteorológicas e fisiológicas, teremos que enfrentar. Brasil, ame ou deixe-o.
Desligo o celular, minha cabeça tá cheia e resolvo esvazia-la refletindo que o mais importante é o verdadeiro amor. É o amor, que mexe com minha cabeça, me deixando assim. Ah, essa música sertaneja e suas sofrências!
O Ano Novo começou...

Deixa o homem trabalhar



De nada vai adiantar ficar nesta conversa, não vamos sair do lugar
Eu não vou mudar o que você pensa
E nem você vai me mudar...
então, sem paixões nesta hora tensa
Deixa o homem trabalhar
Se ele fizer algo errado, estaremos aqui para criticar
Se ele fizer algo certo, estaremos aqui para elogiar
Mas, por enquanto, vamos ficar nessa
Deixa o homem trabalhar
“Ah, mas o homem é isto e aquilo”
Essa conversinha precisa parar
Foi eleito pela maioria, não teve meu voto, mas vamos respeitar
Que tal a gente torcer para dar certo?
Deixa o homem trabalhar
Collor, FHC, Lula e Dilma tiveram sua hora de governar
Foram eleitos pelo povo, que mandou por e mandou tirar
Então, chega de mimimi, vamos parar de reclamar
Se o homem foi eleito, então..
Deixa o homem trabalhar.