Quero falar de uma coisa. Da existência, no meio de tantos jovens, de um coração que pulsa no medo, na insegurança e na mágoa.Fruto dos maus-tratos, da indiferença e do descaso, de um simples apelido, ou quem sabe até, da “gozação” aparentemente inconsequente. E esta “má água”, advinha onde ela anda? Com o passar do tempo, percorre e inunda as veias, infiltra-se nas células, deve estar dentro do peito modificando o semblante e o comportamento.
Este coração pode estar aqui do lado, bem mais perto que pensamos, mas a gente não o escuta. Ele bate silenciosamente, tristemente, descompassadamente.Enquanto outros se explodem de emoção para tudo o que a vida oferece, ele, como bomba-relógio, vai implodindo dia a dia.
Para muitos, bem ali na carteira ao lado, a vida parece ser eterna primavera. Para ele, a folha da juventude teimou em brotar em pleno outono e nasceu assim, amarelada,enfraquecida, e os ventos da discórdia vieram fortes e desviaram seu destino.
Seu sorriso de menino envelheceu cedo e ele tantas vezes se escondeu nas lágrimas de quem se sentia ausente na lista de presença na aula da felicidade.
Mas, renova-se a esperança.
A de que um dia alguém possa ouvir aquele coração com o estetoscópio da compreensão, pois há que se cuidar do broto, prá que a vida nos dê flor e fruto.
Para que em cada coração de estudante germinem os sonhos e floresça a alegria, há que se cuidar da vida de todas as sementes. Há que se cuidar do mundo real e virtual, para que todas as salas, as de aulas e as cibernéticas, sejam locais de paz e harmonia.
É necessário tomar conta da amizade para que se evitem cenas incompreensíveis de violência, inundadas de tanta mágoa. Se faz urgente cuidar para que artérias ainda tão jovens, não sejam obstruidas pelo medo e pelo ódio e possamos assistir apenas histórias de alegria e muito sonho.
Quem sabe assim, ao invés de corpos espalhados no caminho, verdes, plantas, sentimento, folha, coração, juventude e fé.
sábado, 9 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Vai idade
Quantos anos você tem? Esta pergunta, com formulações diferentes, a gente vai respondendo ao longo da nossa existência. Aos 5 anos, por exemplo, a idade nem conta e como também a gente não sabe contar, só mostra a mãozinha e todo mundo acha lindo. Aos 10, falamos de boca cheia, como quem tivesse tirado uma nota boa. Aos 15, dá uma vontade danada de responder 18 e aos 18, respondemos como se fossemos os donos do mundo. Aos 21, falamos como quem começa a descobrir que, na verdade, o mundo é que é o dono da gente. Aos 25, a gente se cobra, a família nos cobra, o patrão nos cobra e, respondemos a inquisição, com a sensação de sempre estar devendo. Dos 30 até aos 40 anos, como quase ninguém mais se lembra do nosso aniversário, a gente começa a lembrar de quando tinha 05, 10, 15, 18, 21 e 25. Dos 40 para frente, a gente até tenta esquecer, mas todo mundo insiste em lembrar.
A idade não é apenas uma questão cronológica e numérica. Ela nos referencia, nos identifica, nos rotula. Claro, encontramos muitas pessoas (geralmente acima dos 40) que afirmam: “A idade não importa, o mais importante é ser jovem de espírito.” Pode até ser, mas, geralmente, quando uma pessoa fala desta forma, temos uma certeza: a idade começou a pesar no corpo, e aí, o remédio é pensar no espírito. Mas, concordamos: idade não importa... ela exporta, isto sim, deste mundo para o outro. E repare na ironia: a gente só se liga que a idade vai chegando, quando sentimos que começamos a partir.
Passamos ao longo do tempo, do pediatra ao geriatra, do Estatuto da Criança e do Adolescente, para o do Idoso, de muita gente nos cuidando na infância, para muito pouca gente nos cuidando na terceira idade, do sexo ativo para o "sexogenário".
O certo é que “todo mundo quer viver muito tempo, mas ninguém quer ficar velho”. E se uma pessoa não quer que os movimentos fiquem mais lentos, que os problemas de saúde apareçam, só existe uma saída: sair mais cedo. (Vira essa boca prá lá!)
De verdade, o melhor mesmo é viver, como se a idade realmente não tivesse nenhuma importância. Esquecer a idade que temos e aproveitar a vida. “´É a vida, é bonita e é bonita”...
E aqui cabe um testemunho pessoal que valida esta atitude. Ontem, um amigo me perguntou a idade, e como não dou muita importância ao assunto, por um momento, me deu “um branco” e eu fiquei sem saber o que responder.
Será que já estou tendo lapsos de memória? Será que “o alemão” já me pegou? Preciso marcar uma consulta...
A idade não é apenas uma questão cronológica e numérica. Ela nos referencia, nos identifica, nos rotula. Claro, encontramos muitas pessoas (geralmente acima dos 40) que afirmam: “A idade não importa, o mais importante é ser jovem de espírito.” Pode até ser, mas, geralmente, quando uma pessoa fala desta forma, temos uma certeza: a idade começou a pesar no corpo, e aí, o remédio é pensar no espírito. Mas, concordamos: idade não importa... ela exporta, isto sim, deste mundo para o outro. E repare na ironia: a gente só se liga que a idade vai chegando, quando sentimos que começamos a partir.
Passamos ao longo do tempo, do pediatra ao geriatra, do Estatuto da Criança e do Adolescente, para o do Idoso, de muita gente nos cuidando na infância, para muito pouca gente nos cuidando na terceira idade, do sexo ativo para o "sexogenário".
O certo é que “todo mundo quer viver muito tempo, mas ninguém quer ficar velho”. E se uma pessoa não quer que os movimentos fiquem mais lentos, que os problemas de saúde apareçam, só existe uma saída: sair mais cedo. (Vira essa boca prá lá!)
De verdade, o melhor mesmo é viver, como se a idade realmente não tivesse nenhuma importância. Esquecer a idade que temos e aproveitar a vida. “´É a vida, é bonita e é bonita”...
E aqui cabe um testemunho pessoal que valida esta atitude. Ontem, um amigo me perguntou a idade, e como não dou muita importância ao assunto, por um momento, me deu “um branco” e eu fiquei sem saber o que responder.
Será que já estou tendo lapsos de memória? Será que “o alemão” já me pegou? Preciso marcar uma consulta...
domingo, 27 de março de 2011
Em nome dos filhos
Existem assuntos muito sérios que todo mundo acha graça. Um deles: nomes estranhos. Tudo bem. Quem é que não sorri quando fica sabendo que um menino tem o nome de Hericlapiton- homenagem dos pais ao guitarrista britânico Eric Clapton. Ou que uma mulher ganhou o nome de Jafa Lei, pois, ao que consta, a pessoa do cartório perguntou qual o nome da filha e a mãe respondeu: “Já falei!“.
A lista é imensa: Welison Isnaipi (Wesley Snypes), Suasneguer (Schwarzenegger), Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho), Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida), Madenusa (Made in USA)...
Uma piada diz que indio , por exemplo, dá nome aos filhos pela primeira coisa que a mãe vê quando acaba de dar à luz. Assim, Lua Brilhante, Águia Dourada e. Burro Cagando.
Embora seja cômico, o assunto é extremamente sério, pois os pais geralmente não pensam no preço que os filhos irão pagar ao longo da existência por terem nomes, no mínimo, diferentes.
Muitos alegam que isso acontece geralmente com as pessoas mais simples que buscam homenagear seus ídolos, através dos filhos. Pode ser. Mas, artistas de renome também fazem isto. A cantora Baby do Brasil (Baby Consuelo) consultou os “astros” para os nomes dos filhos e Rá!: Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Babye e Pedro Baby.
Vale lembrar também os nomes engraçados e reais para duplas sertanejas : Atleta e Treinador, Domyngo e Feriado, Conde e Drácula, Bátima e Robson...“Ustrudia”convidei um amigo para formarmos uma dupla sertaneja. A novidade seria que fariamos apenas um som instrumental. Em razão disso, sugeri o nome : Estrume e Ental. Não deu certo porque ele queria ser o Ental.
E se pessoas mais simples homenageiam os ídolos com nomes complicados para seus filhos, o que acontece atualmente com as pessoas, digamos, de classe socialmente privilegiada? Aí o problema é outro. Busca-se a simplicidade, porém, com algum diferencial, ou seja, o ideal é ser igual, mas, diferente. Assim, por exemplo, Ana, ganha um “ene” a mais: Anna, ou mesmo, Anne. Um nome fácil como Maria, pode ganhar um “y”: Marya. É um acento a mais, uma letra a mais, um “Uósxinton”, uma “Creusa”. Como dizia o filósofo: ”Tudo na vida seria simples, se não fossem as dificuldades”.
Há que se refletir ainda que, atualmente, o nome tem uma referência direta com o mundo digital. O e-mail passou a ser o endereço das pessoas. Daí, a dificuldade passa a ser real no mundo virtual. Um “l” a mais, um “t” a mais, isto sem comentar os nomes “gozados”, passam a ser um problema no universo cibernético.
E quem é que sofre as conseqüências das inconseqüências dos pais? Os filhos. São eles que serão ridicularizados em sala de aula, em entrevistas de emprego, em qualquer situação que tiverem que pronunciar seus nomes. Sentirão vergonha e terão que explicar várias vezes a grafia ou mesmo, a pronúncia correta. Geralmente, para disfarçar, optarão pelo apelido ou por reduzirem o nome, como Bucetildes (chamada, pelos familiares, de Dona Tide).
Então, senhores pais, pensem muito ao legarem aos filhos nomes que julgam ser interessantes. Lembrem-se: todo mundo poderá achar graça, menos o seu próprio filho.
A lista é imensa: Welison Isnaipi (Wesley Snypes), Suasneguer (Schwarzenegger), Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho), Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida), Madenusa (Made in USA)...
Uma piada diz que indio , por exemplo, dá nome aos filhos pela primeira coisa que a mãe vê quando acaba de dar à luz. Assim, Lua Brilhante, Águia Dourada e. Burro Cagando.
Embora seja cômico, o assunto é extremamente sério, pois os pais geralmente não pensam no preço que os filhos irão pagar ao longo da existência por terem nomes, no mínimo, diferentes.
Muitos alegam que isso acontece geralmente com as pessoas mais simples que buscam homenagear seus ídolos, através dos filhos. Pode ser. Mas, artistas de renome também fazem isto. A cantora Baby do Brasil (Baby Consuelo) consultou os “astros” para os nomes dos filhos e Rá!: Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Babye e Pedro Baby.
Vale lembrar também os nomes engraçados e reais para duplas sertanejas : Atleta e Treinador, Domyngo e Feriado, Conde e Drácula, Bátima e Robson...“Ustrudia”convidei um amigo para formarmos uma dupla sertaneja. A novidade seria que fariamos apenas um som instrumental. Em razão disso, sugeri o nome : Estrume e Ental. Não deu certo porque ele queria ser o Ental.
E se pessoas mais simples homenageiam os ídolos com nomes complicados para seus filhos, o que acontece atualmente com as pessoas, digamos, de classe socialmente privilegiada? Aí o problema é outro. Busca-se a simplicidade, porém, com algum diferencial, ou seja, o ideal é ser igual, mas, diferente. Assim, por exemplo, Ana, ganha um “ene” a mais: Anna, ou mesmo, Anne. Um nome fácil como Maria, pode ganhar um “y”: Marya. É um acento a mais, uma letra a mais, um “Uósxinton”, uma “Creusa”. Como dizia o filósofo: ”Tudo na vida seria simples, se não fossem as dificuldades”.
Há que se refletir ainda que, atualmente, o nome tem uma referência direta com o mundo digital. O e-mail passou a ser o endereço das pessoas. Daí, a dificuldade passa a ser real no mundo virtual. Um “l” a mais, um “t” a mais, isto sem comentar os nomes “gozados”, passam a ser um problema no universo cibernético.
E quem é que sofre as conseqüências das inconseqüências dos pais? Os filhos. São eles que serão ridicularizados em sala de aula, em entrevistas de emprego, em qualquer situação que tiverem que pronunciar seus nomes. Sentirão vergonha e terão que explicar várias vezes a grafia ou mesmo, a pronúncia correta. Geralmente, para disfarçar, optarão pelo apelido ou por reduzirem o nome, como Bucetildes (chamada, pelos familiares, de Dona Tide).
Então, senhores pais, pensem muito ao legarem aos filhos nomes que julgam ser interessantes. Lembrem-se: todo mundo poderá achar graça, menos o seu próprio filho.
domingo, 20 de março de 2011
A.I./ D.I.
Existem descobertas que provocaram grandes revoluções no mundo, como a televisão, o telefone, o automóvel, o clipe, o palito de dente e o bidê (hein?). Segundo cientistas, excetuando-se a escrita, a maior invenção de todos os tempos, a roda, surgiu há 5.500 anos. Sem ela não teríamos muitas outras invenções derivativas e, claro, não haveria a roda de amigos, a brincadeira de roda, a roda de samba etc. Mas, chega de rodeios. Na roda vida da história, até os dias atuais, somente outro invento, tem tanta ou mais importância para o mundo: o computador. Após muitos anos de aperfeiçoamento, o computador, tal como o conhecemos hoje, foi desenvolvido pela Marinha dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. (Interessante, irônico, ou totalmente desnecessário, refletir que hoje falamos em “navegar”, o que tem tudo a ver com a Marinha, pescou?). Como um cérebro eletrônico composto por software (programa) e hardware (componentes físicos), a invenção criou também duas classes universais: a dos excluídos e a dos incluídos digitais. Hoje, quem quer estar no top, deve possuir necessariamente e no mínimo, um laptop ou um palmtop. Aproveitando o filão (e põe fila nisto), milhões de incluídos ganharam e ganham bilhões com a venda de computadores e programas. Quer dizer, nem todos. Um amigo tentou aproveitar a onda da revolução digital e começou vendendo hardware. Boiou. Tentou de novo, comercializando software. Naufragou. Atualmente, ele é um bem sucedido vendedor de tupperware- outra criação americana de grande sucesso mundial que foi idealizada no mesmo período dos computadores.
Mas, além do computador e até como subproduto deste, outra criação humana revolucionou todo o comportamento, a cultura, os relacionamentos pessoais e profissionais: a kitnet, perdão, a Internet. Uma rede mundial, que tem com um dos seus idealizadores de destaque, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee, a quem é creditada a criação da Word Wide Web (WWW), nos anos 90. Convenhamos que ele poderia ter facilitado para nós brasileiros, criando uma sigla mais fácil, pois quem é que não se enrola ao usar o lábio para falar dáblio, dáblio, dáblio?
Dos anos 90 para cá, o mundo virtual se apoderou do mundo real. Uniões e separações conjugais acontecem na e em razão da Web. Facebook, Twitter e Orkut, apenas para citar três portais de relacionamento, se tornaram o ponto de encontro (e desencontro) de bilhões de pessoas no mundo. Vendas, contratos bilionários, dissoluções e associações de empresas, seguem o mesmo destino.
A Internet se tornou imprescindível no cotidiano das empresas e das pessoas. Já não somos cidadãos, somos internautas. Não caminhamos mais pelas ruas. Navegamos na rede. Não apagamos, deletamos. O nosso endereço deixou o espaço físico: temos e-mail, blogs e sites. Estamos conectados em tempo real no ciberespaço. Tememos os vírus cibernéticos e subestimamos os vírus orgânicos. A nossa principal unidade de medida já não é o quilo ou o metro, temos o bit. Temos contato virtual, grupo virtual, crime virtual, sexo virtual. O nosso guru é o Mestre Google, a quem enviamos diariamente e costumeiramente todas as nossas dúvidas. Entre elas: para onde caminha (ou seria corre?) a humanidade? Conquistamos maior liberdade ou somos escravos da tecnologia?
Então, Moisés dividiu as águas do Mar Vermelho. Milhões de pessoas foram tragadas pelo tsunami da revolução digital. Os que sobreviveram continuaram a busca pela Terra Prometida.
Mas, além do computador e até como subproduto deste, outra criação humana revolucionou todo o comportamento, a cultura, os relacionamentos pessoais e profissionais: a kitnet, perdão, a Internet. Uma rede mundial, que tem com um dos seus idealizadores de destaque, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee, a quem é creditada a criação da Word Wide Web (WWW), nos anos 90. Convenhamos que ele poderia ter facilitado para nós brasileiros, criando uma sigla mais fácil, pois quem é que não se enrola ao usar o lábio para falar dáblio, dáblio, dáblio?
Dos anos 90 para cá, o mundo virtual se apoderou do mundo real. Uniões e separações conjugais acontecem na e em razão da Web. Facebook, Twitter e Orkut, apenas para citar três portais de relacionamento, se tornaram o ponto de encontro (e desencontro) de bilhões de pessoas no mundo. Vendas, contratos bilionários, dissoluções e associações de empresas, seguem o mesmo destino.
A Internet se tornou imprescindível no cotidiano das empresas e das pessoas. Já não somos cidadãos, somos internautas. Não caminhamos mais pelas ruas. Navegamos na rede. Não apagamos, deletamos. O nosso endereço deixou o espaço físico: temos e-mail, blogs e sites. Estamos conectados em tempo real no ciberespaço. Tememos os vírus cibernéticos e subestimamos os vírus orgânicos. A nossa principal unidade de medida já não é o quilo ou o metro, temos o bit. Temos contato virtual, grupo virtual, crime virtual, sexo virtual. O nosso guru é o Mestre Google, a quem enviamos diariamente e costumeiramente todas as nossas dúvidas. Entre elas: para onde caminha (ou seria corre?) a humanidade? Conquistamos maior liberdade ou somos escravos da tecnologia?
Então, Moisés dividiu as águas do Mar Vermelho. Milhões de pessoas foram tragadas pelo tsunami da revolução digital. Os que sobreviveram continuaram a busca pela Terra Prometida.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Colombinas
Hoje, 8 de março, é Carnaval, mas, também é o Dia Internacional das Colombinas. Não dá para deixar em branco, uma data que simboliza a força, a beleza e as cores múltiplas de uma mulher. E quem de nós, homens, já não foi Pierrô, ou mesmo Arlequim? Quantos confetes, fantasias, alegorias e adereços já utilizamos para buscar conquistá-las?
E ao longo do tempo, na passarela da vida, assistimos de camarote, a passagem de tantas que alteraram o enredo da história.
Entre aquelas que foram porta-estandartes da benevolência e solidariedade, como esquecer de Irmã Dulce, da missionária Madre Teresa de Calcutá e de Zilda Arns?
Como não mencionar aquelas que deixaram a arquibancada e foram lutar por causas civis, como Joana Darc, Maria Quitéria e Anita Garibaldi?
E na comissão de frente da beleza, como não pensar em musas como Leila Diniz, Marilyn Monroe e Grace Kelly?
No quesito sensibilidade e arte, como viver sem Cora Coralina, Virginia Wolf e Carmem Miranda?
Como deixar de dar Nota Dez, para os talentos de Elis Regina, Simone de Beauvoir e Edith Piaf?
E para a Evolução do universo, como não registrar a cientista Maria Curie, a princesa Diana, e a pensadora política Indira Ghandi?
Sim, claro, em qualquer um destes blocos, poderíamos acrescentar um desfile interminável de mulheres, que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade em diversas alas de atuação.
Porém, além de todas as que foram destaques e tiveram seus nomes lembrados pela mídia ao longo do tempo, valioso não esquecer as colombinas do cotidiano. Aquelas que emprestam seu suor, seu trabalho e sua vida para que o estandarte de um país, uma cidade, uma comunidade, seja sempre valorizado, mesmo que elas permaneçam anônimas. São como as centenas de pessoas que vemos pela televisão, sambando no chão, no calor do asfalto, sem rosto e sem nome, cantando um samba-enredo, batendo em um tamborim, estufando o peito ao dizer o nome da escola que defendem. São donas de casa, professoras, secretárias, psicólogas, faxineiras...
Colombinas no carnaval, heroínas do cotidiano! Parabéns!
E ao longo do tempo, na passarela da vida, assistimos de camarote, a passagem de tantas que alteraram o enredo da história.
Entre aquelas que foram porta-estandartes da benevolência e solidariedade, como esquecer de Irmã Dulce, da missionária Madre Teresa de Calcutá e de Zilda Arns?
Como não mencionar aquelas que deixaram a arquibancada e foram lutar por causas civis, como Joana Darc, Maria Quitéria e Anita Garibaldi?
E na comissão de frente da beleza, como não pensar em musas como Leila Diniz, Marilyn Monroe e Grace Kelly?
No quesito sensibilidade e arte, como viver sem Cora Coralina, Virginia Wolf e Carmem Miranda?
Como deixar de dar Nota Dez, para os talentos de Elis Regina, Simone de Beauvoir e Edith Piaf?
E para a Evolução do universo, como não registrar a cientista Maria Curie, a princesa Diana, e a pensadora política Indira Ghandi?
Sim, claro, em qualquer um destes blocos, poderíamos acrescentar um desfile interminável de mulheres, que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade em diversas alas de atuação.
Porém, além de todas as que foram destaques e tiveram seus nomes lembrados pela mídia ao longo do tempo, valioso não esquecer as colombinas do cotidiano. Aquelas que emprestam seu suor, seu trabalho e sua vida para que o estandarte de um país, uma cidade, uma comunidade, seja sempre valorizado, mesmo que elas permaneçam anônimas. São como as centenas de pessoas que vemos pela televisão, sambando no chão, no calor do asfalto, sem rosto e sem nome, cantando um samba-enredo, batendo em um tamborim, estufando o peito ao dizer o nome da escola que defendem. São donas de casa, professoras, secretárias, psicólogas, faxineiras...
Colombinas no carnaval, heroínas do cotidiano! Parabéns!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A zanga dos artistas
Vamos combinar. A maioria dos artistas não sabe fazer conta. Talvez, em decorrência disso, tem muita gente que não faz conta do artista. Levando-se em conta que o dinheiro é que mantém as contas de todos nós em dia, o artista hoje necessita sair do mundo do “faz de conta” e cair no real: o mundo quer pessoas prestando contas, e, afinal, artista também paga água, luz, aluguel...
Assim, embora não seja de nossa conta, acreditamos que todo artista deveria contar com um contador. Não o de histórias, que este também é um artista, mas com aquele profissional que tem a calculadora como instrumento. E vem a pergunta: como calcular a dor de um artista ao ver seu trabalho desvalorizado? Porém, temos que concordar caso um artista nos disser: além de tudo, pagar as contas de um contador?Ah! Conta outra vai...
Sabe-se que para o artista, o que vale é a apresentação do seu número na praça. Mas, para o mundo o que vale é a apresentação dos números no mercado. Banco para o mundo é a instituição que cuida dos investimentos financeiros. Já para o artista, banco é um lugar onde as pessoas sentam para ver uma peça teatral, um espetáculo. O patrimônio do artista é a sua arte. Para o mundo, patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações que uma empresa possui.
A zanga de um artista é quando o seu trabalho é visto apenas pelo seu preço e se esquecem do valor cultural que este venha a representar para determinada comunidade. Para o artista, o que ele faz é insubstituível e intransferível e em razão disso, não quer que o vejam apenas como um boneco sem expressão. Mas, como sobreviver à pressão de um mundo que tem pressa?
A sensibilidade é tudo para o artista. Para o mundo, tudo é contabilidade.
Assim, embora não seja de nossa conta, acreditamos que todo artista deveria contar com um contador. Não o de histórias, que este também é um artista, mas com aquele profissional que tem a calculadora como instrumento. E vem a pergunta: como calcular a dor de um artista ao ver seu trabalho desvalorizado? Porém, temos que concordar caso um artista nos disser: além de tudo, pagar as contas de um contador?Ah! Conta outra vai...
Sabe-se que para o artista, o que vale é a apresentação do seu número na praça. Mas, para o mundo o que vale é a apresentação dos números no mercado. Banco para o mundo é a instituição que cuida dos investimentos financeiros. Já para o artista, banco é um lugar onde as pessoas sentam para ver uma peça teatral, um espetáculo. O patrimônio do artista é a sua arte. Para o mundo, patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações que uma empresa possui.
A zanga de um artista é quando o seu trabalho é visto apenas pelo seu preço e se esquecem do valor cultural que este venha a representar para determinada comunidade. Para o artista, o que ele faz é insubstituível e intransferível e em razão disso, não quer que o vejam apenas como um boneco sem expressão. Mas, como sobreviver à pressão de um mundo que tem pressa?
A sensibilidade é tudo para o artista. Para o mundo, tudo é contabilidade.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Maquiavelicamente
Muitas vezes buscamos entender as questões que envolvem o universo da política, posto que, na maioria das vezes, nos parecem absurdas, contraditórias e inexplicáveis. A maioria prefere nem se aproximar do tema, mas daí refletimos: a quem interessa o desinteresse, a apatia, a omissão? Recorremos a Brecht: ”da ignorância política, nasce à prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.” Nunca é demais lembrar: quem não gosta ou não se interessa por política, será governado por aqueles que se interessam. Responda: quantos são os “novos políticos” que você conhece? A política se retroalimenta. A percepção negativa das pessoas sobre o assunto vem auxiliar o próprio sistema que terá sempre os mesmos postulantes aos cargos públicos. Ou então, ela (a política) será utilizada pelos partidos para a preservação do poder, no espaço maquiavelicamente aberto aos ”populares”, sejam eles “baixinhos” ou “tiriricas”. Os fins justificam os meios?
Quando queremos nos aprofundar sobre determinado tema, nos aconselhamos com aqueles que são reconhecidos e citados ao longo de décadas, e, se o assunto é política, o italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) tem seu espaço reservado. Vale esclarecer que o objetivo de inserir algumas citações do autor de “O Príncipe”, não é o de oferecer nosso aval sobre as opiniões do filósofo e escritor, mas, provocar a reflexão.
Como se tornar um governante? Sobre o assunto, Maquiavel afirmou: “há duas maneiras de tornar-se Príncipe e que não se podem atribuir totalmente à fortuna ou ao mérito. Essas maneiras são: chegar-se ao principado pela maldade, contrárias a todas as leis humanas e divinas; e tornar-se príncipe por mercê do favor de seus conterrâneos”.
E quem são os “inimigos do rei”? “Assim, são teus inimigos todos aqueles que se sentem ofendidos pelo fato de ocupares o principado; e também não podes conservar como amigos aqueles que te puseram ali, pois estes não podem ser satisfeitos como imaginaram e nem poderás usar contra eles remédios fortes, obrigado que estás para com eles.”
O que um governante deve temer? “O pior que um Príncipe pode esperar do povo hostil é ser abandonado por ele. Mas, da inimizade dos grandes, não deve temer só que o abandonem como também que o ataquem, pois têm estes maior alcance de vistas e maior astúcia, e têm sempre tempo de salvar-se, procurando aproximar-se dos prováveis vitoriosos. Ao Príncipe é muito mais fácil conquistar a amizade daqueles homens que estava contentes com o regime antigo, sendo, portanto, seus inimigos, do que a daqueles que, por descontentes, fizeram-se seus amigos e aliados, ajudando-o na conquista do Estado. Note-se que um Príncipe deve ter o cuidado de não fazer aliança com um que seja mais poderoso, senão quando a necessidade o compelir, pois que, vencendo,ficará prisioneiro do aliado”.
Como um governante deve escolher seus secretários? “A primeira conjetura que se faz, a respeito das qualidades de inteligência de um Príncipe, repousa na observação dos homens que ele tem a seu redor. As cortes estão cheias de aduladores, porque os homens se comprazem tanto nas coisas próprias e de tal modo se enganam nestas que é com dificuldade se defendem dessa peste”.
Como escolher entre o bem e o mal? “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim de que, tomando-se-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados.”
Nada mais havendo a tratar, convido, a quem interessar possa, a ler Maquiavel... ou não. Afinal, política é um assunto que só deve interessar aos políticos. Maquiavelicamente.
Quando queremos nos aprofundar sobre determinado tema, nos aconselhamos com aqueles que são reconhecidos e citados ao longo de décadas, e, se o assunto é política, o italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) tem seu espaço reservado. Vale esclarecer que o objetivo de inserir algumas citações do autor de “O Príncipe”, não é o de oferecer nosso aval sobre as opiniões do filósofo e escritor, mas, provocar a reflexão.
Como se tornar um governante? Sobre o assunto, Maquiavel afirmou: “há duas maneiras de tornar-se Príncipe e que não se podem atribuir totalmente à fortuna ou ao mérito. Essas maneiras são: chegar-se ao principado pela maldade, contrárias a todas as leis humanas e divinas; e tornar-se príncipe por mercê do favor de seus conterrâneos”.
E quem são os “inimigos do rei”? “Assim, são teus inimigos todos aqueles que se sentem ofendidos pelo fato de ocupares o principado; e também não podes conservar como amigos aqueles que te puseram ali, pois estes não podem ser satisfeitos como imaginaram e nem poderás usar contra eles remédios fortes, obrigado que estás para com eles.”
O que um governante deve temer? “O pior que um Príncipe pode esperar do povo hostil é ser abandonado por ele. Mas, da inimizade dos grandes, não deve temer só que o abandonem como também que o ataquem, pois têm estes maior alcance de vistas e maior astúcia, e têm sempre tempo de salvar-se, procurando aproximar-se dos prováveis vitoriosos. Ao Príncipe é muito mais fácil conquistar a amizade daqueles homens que estava contentes com o regime antigo, sendo, portanto, seus inimigos, do que a daqueles que, por descontentes, fizeram-se seus amigos e aliados, ajudando-o na conquista do Estado. Note-se que um Príncipe deve ter o cuidado de não fazer aliança com um que seja mais poderoso, senão quando a necessidade o compelir, pois que, vencendo,ficará prisioneiro do aliado”.
Como um governante deve escolher seus secretários? “A primeira conjetura que se faz, a respeito das qualidades de inteligência de um Príncipe, repousa na observação dos homens que ele tem a seu redor. As cortes estão cheias de aduladores, porque os homens se comprazem tanto nas coisas próprias e de tal modo se enganam nestas que é com dificuldade se defendem dessa peste”.
Como escolher entre o bem e o mal? “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim de que, tomando-se-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados.”
Nada mais havendo a tratar, convido, a quem interessar possa, a ler Maquiavel... ou não. Afinal, política é um assunto que só deve interessar aos políticos. Maquiavelicamente.
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