Antes de tudo, cabe esclarecer ou escurecer que este texto não é favorável a bolinha, nem àquela ligada a fazer a cabeça das pessoas (até onde sei em desuso e que deixava todo mundo “ligadão”), nem à de papel arremessada em sala de aula na cabeça de um CDF, ou atirada na cabeça do presidente da CBF, do Serra ou da Dilma RousSEF (rimou).
Embola, ops, embora arremessar uma bolinha de papel talvez seja um ato simbólico, um gesto de protesto e de descontentamento, somos radicalmente contra qualquer atitude que venha a embolar o processo eleitoral vigente, e, olha que fomos fãs do “Clube do Bolinha “(programa de TV tão antigo quanto à bolinha de gude). Ora bolas, existem temas muito mais sérios a serem abordados e “atricotados” no país. E as reformas (política, tributária e previdenciária) que precisam ser feitas e que há anos são literalmente jogadas nos fundos das gavetas? Tais assuntos estão se tornando bolas de neve, mas daqui a um futuro não muito distante poderão congelar o desenvolvimento do país. E as prefeituras que são a bola da vez no quesito falências financeiras? Esqueça! Ninguém dá bola para isto não. Vamos discutir o aborto, a religião, o pré-sal, a Petrobrás, as privatizações, quem levou ou deixou de levar bola no governo...
E os debates? Nem precisa ter bola de cristal para perceber que estes se tornaram palco de torcidas organizadas para ver quem irá pisar na bola ou vai dar bola fora, além de acusações mútuas entre dois candidatos que disputam a presidência da república. Ora bolas, não é a disputa do grêmio da faculdade. Nem vamos escolher o próximo síndico do condomínio. É a escolha da presidência de um país que ainda tem graves problemas a serem enfrentados.
Enquanto estávamos bolando este artigo, o noticiário destacava os 70 anos do gênio da bola, Pelé, que deu declaração polêmica durante o regime militar afirmando que “o povo brasileiro não sabe votar”.
É, Rei, eleição talvez seja um bate-bola: se o eleitor recebe uma bola quadrada, ou uma bola nas costas, como exigir dele um passe perfeito?
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Sou mineiro até debaixo da terra
Por mais que se tente disfarçar, um texto denuncia sempre a preferência do autor por determinado assunto, uma crença, uma escolha, uma pessoa. Não existem textos imparciais, nem mesmo aqueles com cunho jornalístico. Basta um pequeno descuido, uma entrelinha, uma forma de priorizar determinada situação, e não tem jeito: a preferência e a parcialidade se escancaram. Portanto, resolvi declarar, assim mesmo em primeira pessoa e de forma maiúscula, para não deixar dúvida, MINHA PAIXÃO POR SER MINEIRO. Concordo até que minha cidade natal, Poços de Caldas, pela proximidade geográfica com o estado de São Paulo (fica na divisa entre o sul de Minas e o leste paulista) já perdeu muito da sua “mineiridade”. Milhares de turistas freqüentam o município e esta característica cosmopolita, nos fez também ser múltiplos em nossas falas, gostos e hábitos. Não abrimos mão de um “pãozim” de queijo, mas temos em nossas praças, vendedores ambulantes comercializando churros (o paulista diria “tiurros”). Admiramos e falamos de “boca cheia” sobre a vida no campo, a simplicidade, mas não dispensamos o conforto e a ida a um shopping. Contudo, basta alguém perguntar onde fica a cidade e nos enchemos de orgulho para dizer: no sul de Minas. Isto para nós é um título de nobreza, um brasão no peito, uma credencial distinta.
E ser mineiro uai, é aproveitar situações que em princípio nada teriam a ver, para retratar e testemunhar o amor por Minas Gerais. Ao assistir o drama do resgate de 33 operários mineiros no Chile, a luta pela sobrevivência, o espírito de companheirismo, a alegria do reencontro com a família, me veio o desejo de, brincando com a palavra que nos remete a outro significado, resgatar a alegria de ter nascido em Minas Gerais. E vale lembrar que historicamente o nome do Estado (que dizem ser “um estado de espírito”) foi fruto da exploração das minas de ouro por milhares de mineiros ao longo de décadas. Ao escutar o brado patriótico dos chilenos, sobreveio trazer à tona, a declaração explícita de que ser mineiro é “bão demais, sô”, como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Rubem Alves, que, com muito maior propriedade, refletiram o significado de ser das Gerais.
Oncotô? Minas Gerais. Proconvô? Minas Gerais. Doncosô? Sou mineiro até debaixo da terra.
E ser mineiro uai, é aproveitar situações que em princípio nada teriam a ver, para retratar e testemunhar o amor por Minas Gerais. Ao assistir o drama do resgate de 33 operários mineiros no Chile, a luta pela sobrevivência, o espírito de companheirismo, a alegria do reencontro com a família, me veio o desejo de, brincando com a palavra que nos remete a outro significado, resgatar a alegria de ter nascido em Minas Gerais. E vale lembrar que historicamente o nome do Estado (que dizem ser “um estado de espírito”) foi fruto da exploração das minas de ouro por milhares de mineiros ao longo de décadas. Ao escutar o brado patriótico dos chilenos, sobreveio trazer à tona, a declaração explícita de que ser mineiro é “bão demais, sô”, como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Rubem Alves, que, com muito maior propriedade, refletiram o significado de ser das Gerais.
Oncotô? Minas Gerais. Proconvô? Minas Gerais. Doncosô? Sou mineiro até debaixo da terra.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Título de Eleitor não tem foto, nem voto
O Brasil é um país fantástico e de muitos contrastes. Somos, por exemplo, referência internacional em sistema eleitoral, principalmente em razão das nossas urnas eletrônicas. Aqui até a boca de urna já vem equipada com aparelho ortodôntico. Por isto, me espantei, como todo mundo, ao receber a notícia de que o título de eleitor não seria aceito para votar. Pensei como todos: ”mas se não é para isto, pra que serve o título?”. E se foto realmente é tão importante assim, modelo fotográfico tem prioridade na hora do voto. É só levar o book. Candidato também não precisa levar documento. É só apresentar o santinho. Concluí: estamos realmente em uma Zona Eleitoral.
Bem, mas lei é lei. Cumpra-se. E lá fui eu votar, e no caminho, e pra rimar, raciocinando: qual o documento apresentar? A carteira de identidade tinha minha foto, mas nela, estou mais feio que candidato de ficha suja. A carteira profissional também. Refleti, porém, que o emprego dela para votar não seria ético, já que o desemprego tem se revelado alto no país. Entre estas minhas dúvidas existenciais, sobrou apenas à carteira de habilitação.
Então, imaginei a cena. Eu entrando no local de votação e o mesário perguntando: “O senhor está habilitado para votar?”. “Claro, eis aqui minha carteira de habilitação”. E não é que tinha tudo a ver? Mundo, mundo vasto mundo, carteira de habilitação e eleição, seria uma rima e também uma solução. A partir daí, ampliei a reflexão. Por que não realizar uma campanha publicitária incentivando a apresentação da carteira de motorista na hora do voto? Poderiam ser criados alguns slogans. “Coloque o país na direção certa. Pra votar, apresente sua carteira de habilitação”. Ou então: “Não seja um ponto morto. Com sua carteira de habilitação, o Brasil vai pegar a marcha do crescimento. Vote”. Pra quem gosta de rima, vai lá: “Para votar em um país de primeira, apresente a sua carteira”. E outro: ”Na eleição, não vote na contra mão. Apresente sua carteira de habilitação”. Outro ponto positivo veio ao encontro da minha idéia. A carteira de habilitação seria ainda mais perfeita para o voto em trânsito. Sensacional!
Depois dessas divagações, estacionei o carro em vaga próxima à minha seção eleitoral e lá fui eu, caminhando contra o vento, sem lenço e com documento, como um candidato já eleito. Cheguei para o mesário e todo cheio de si em mim mesmo, apresentei minha carteira de habilitação. Já estava quase entrando na cabine, quando o mesário disse: “O senhor não pode votar”. Perguntei, surpreso:” Mas, como? Não tem que apresentar um documento com foto? Tai minha carteira de habilitação com a minha foto. Sou eu mesmo.” Ao que o mesário retrucou. “Eu sei senhor. Porém, sua carteira está vencida”. Fui voto vencido.
Bem, mas lei é lei. Cumpra-se. E lá fui eu votar, e no caminho, e pra rimar, raciocinando: qual o documento apresentar? A carteira de identidade tinha minha foto, mas nela, estou mais feio que candidato de ficha suja. A carteira profissional também. Refleti, porém, que o emprego dela para votar não seria ético, já que o desemprego tem se revelado alto no país. Entre estas minhas dúvidas existenciais, sobrou apenas à carteira de habilitação.
Então, imaginei a cena. Eu entrando no local de votação e o mesário perguntando: “O senhor está habilitado para votar?”. “Claro, eis aqui minha carteira de habilitação”. E não é que tinha tudo a ver? Mundo, mundo vasto mundo, carteira de habilitação e eleição, seria uma rima e também uma solução. A partir daí, ampliei a reflexão. Por que não realizar uma campanha publicitária incentivando a apresentação da carteira de motorista na hora do voto? Poderiam ser criados alguns slogans. “Coloque o país na direção certa. Pra votar, apresente sua carteira de habilitação”. Ou então: “Não seja um ponto morto. Com sua carteira de habilitação, o Brasil vai pegar a marcha do crescimento. Vote”. Pra quem gosta de rima, vai lá: “Para votar em um país de primeira, apresente a sua carteira”. E outro: ”Na eleição, não vote na contra mão. Apresente sua carteira de habilitação”. Outro ponto positivo veio ao encontro da minha idéia. A carteira de habilitação seria ainda mais perfeita para o voto em trânsito. Sensacional!
Depois dessas divagações, estacionei o carro em vaga próxima à minha seção eleitoral e lá fui eu, caminhando contra o vento, sem lenço e com documento, como um candidato já eleito. Cheguei para o mesário e todo cheio de si em mim mesmo, apresentei minha carteira de habilitação. Já estava quase entrando na cabine, quando o mesário disse: “O senhor não pode votar”. Perguntei, surpreso:” Mas, como? Não tem que apresentar um documento com foto? Tai minha carteira de habilitação com a minha foto. Sou eu mesmo.” Ao que o mesário retrucou. “Eu sei senhor. Porém, sua carteira está vencida”. Fui voto vencido.
domingo, 3 de outubro de 2010
Educação para todos, principalmente para os eleitos
Quaisquer que sejam os resultados após o segundo turno das eleições no país uma coisa é certa. A Educação, ou a falta dela, é o grande problema a ser enfrentado pelos futuros governantes em qualquer esfera e que precisa ir além dos discursos de campanha e ser exercitada como prioridade. Necessitamos urgentemente avançar muito para sair das limitantes grades curriculares e Educar para a vida no seu sentido mais amplo. Não o ensino formal aquele focado apenas no sucesso profissional, no acúmulo de bens, priorizando o desenvolvimento financeiro em detrimento do crescimento pessoal. Essencial é formar cidadãos e não caixas registradoras possibilitando a construção de um ser humano livre e íntegro. Com esta reflexão, a Educação é pilar de sustentação para todas as áreas sociais.
Uma boa saúde começa pela Educação, naquilo que se entende como ações preventivas. Ensinar o cidadão a importância da prática esportiva, os cuidados com a higiene e a alimentação, o controle da natalidade através dos métodos contraceptivos, entre outros hábitos saudáveis. Isto além de diminuir os altos custos no setor reduzirá a médio e longo prazo, o nosso alto índice de mortalidade, ampliando ainda a expectativa de vida do brasileiro.
Na Segurança, os nossos índices de criminalidade são reflexos diretos, entre outros aspectos, da nossa educação precária, já que segundo pesquisas, mais de 85% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão ausentes dos bancos escolares. E se estão fora das salas de aulas, quais “salas” na vida estarão freqüentando? O que ensinar sobre os malefícios da droga no corpo e na mente? O que ministrar sobre a arte em suas diversas manifestações e as inúmeras possibilidades que ela proporciona? O que ensinar sobre diretos e obrigações, sobre o respeito ao próximo, limites e tolerância?
Em relação ao meio ambiente, ao emprego, ao trânsito e a tantas outras áreas, perceberemos sempre a Educação como fator determinante para o crescimento do ser humano. E investir em Educação passa necessariamente pelo treinamento e a valorização do professor que trabalha nos níveis fundamental e médio, pois é ali a nascente de água pura, que se bem tratada, resultará em oceanos de seres biodegradáveis. Nunca é demais repetir as sábias palavras do ex-presidente americano Abraham Lincoln: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os homens”.
Por tudo, Educação para todos, principalmente para os eleitos. Que o presidente, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais possam realmente enxergar a Educação como o instrumento mais importante para minimizar os nossos graves problemas sociais. Importante lembrar que o maior auxílio que uma pessoa pode receber de um governo é a possibilidade de, através da Educação, gerar o seu próprio sustento e a sua independência contra qualquer forma de poder.
Uma boa saúde começa pela Educação, naquilo que se entende como ações preventivas. Ensinar o cidadão a importância da prática esportiva, os cuidados com a higiene e a alimentação, o controle da natalidade através dos métodos contraceptivos, entre outros hábitos saudáveis. Isto além de diminuir os altos custos no setor reduzirá a médio e longo prazo, o nosso alto índice de mortalidade, ampliando ainda a expectativa de vida do brasileiro.
Na Segurança, os nossos índices de criminalidade são reflexos diretos, entre outros aspectos, da nossa educação precária, já que segundo pesquisas, mais de 85% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão ausentes dos bancos escolares. E se estão fora das salas de aulas, quais “salas” na vida estarão freqüentando? O que ensinar sobre os malefícios da droga no corpo e na mente? O que ministrar sobre a arte em suas diversas manifestações e as inúmeras possibilidades que ela proporciona? O que ensinar sobre diretos e obrigações, sobre o respeito ao próximo, limites e tolerância?
Em relação ao meio ambiente, ao emprego, ao trânsito e a tantas outras áreas, perceberemos sempre a Educação como fator determinante para o crescimento do ser humano. E investir em Educação passa necessariamente pelo treinamento e a valorização do professor que trabalha nos níveis fundamental e médio, pois é ali a nascente de água pura, que se bem tratada, resultará em oceanos de seres biodegradáveis. Nunca é demais repetir as sábias palavras do ex-presidente americano Abraham Lincoln: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os homens”.
Por tudo, Educação para todos, principalmente para os eleitos. Que o presidente, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais possam realmente enxergar a Educação como o instrumento mais importante para minimizar os nossos graves problemas sociais. Importante lembrar que o maior auxílio que uma pessoa pode receber de um governo é a possibilidade de, através da Educação, gerar o seu próprio sustento e a sua independência contra qualquer forma de poder.
domingo, 19 de setembro de 2010
Religião se discute
Dizem que religião não se discute. Talvez porque a palavra discussão tenha conotação agressiva e se assim, melhor é evitar mesmo. Mas, em um mundo materialista, em uma sociedade capitalista e consumista, precisamos conversar e refletir sobre o tema e são inúmeras as questões. O assunto é inesgotável. Mas, nem por isto, devemos nos calar. Se, dizem, a fé é cega, ela não deve, porém, cegar as pessoas.
Essencial, por exemplo, é refletir sobre a busca pela liberdade religiosa na eliminação do preconceito. Toda pessoa tem o direito de escolher a sua crença e também o de não ter crença nenhuma. Assim, o respeito a qualquer manifestação religiosa é fator fundamental na promoção da paz e no combate a intolerância e ao fundamentalismo religioso.
Em nome da religião muito se construiu, mas também, muito se destruiu na história da humanidade. Em nome do divino e, isto acontece até os dias atuais, a existência de tragédias, guerras e mortes. Em um momento de eleições em nosso país, para citar outro exemplo da utilização do sagrado, são muitos os candidatos que se dizem conduzidos por Deus, utilizando este argumento nos seus slogans de campanha na busca pelos votos nas urnas.
Outra questão a ser analisada é que se o ser humano na Terra é o elo, o mediador entre o profano e o sagrado, necessário refletir que o humano é, por natureza, falível, inconstante e finito em seu conhecimento.
Por tudo e como tudo, a religião é instrumento de valorização da pessoa, no respeito a si mesmo e ao outro, no amor a si e ao próximo. Mas, também é, infelizmente, fator de divisão entre os homens, quando trabalha inescrupulosamente a fé das pessoas, quando se apropria da liberdade, quando se torna ferramenta de poder e de manipulação.
Essencial, por exemplo, é refletir sobre a busca pela liberdade religiosa na eliminação do preconceito. Toda pessoa tem o direito de escolher a sua crença e também o de não ter crença nenhuma. Assim, o respeito a qualquer manifestação religiosa é fator fundamental na promoção da paz e no combate a intolerância e ao fundamentalismo religioso.
Em nome da religião muito se construiu, mas também, muito se destruiu na história da humanidade. Em nome do divino e, isto acontece até os dias atuais, a existência de tragédias, guerras e mortes. Em um momento de eleições em nosso país, para citar outro exemplo da utilização do sagrado, são muitos os candidatos que se dizem conduzidos por Deus, utilizando este argumento nos seus slogans de campanha na busca pelos votos nas urnas.
Outra questão a ser analisada é que se o ser humano na Terra é o elo, o mediador entre o profano e o sagrado, necessário refletir que o humano é, por natureza, falível, inconstante e finito em seu conhecimento.
Por tudo e como tudo, a religião é instrumento de valorização da pessoa, no respeito a si mesmo e ao outro, no amor a si e ao próximo. Mas, também é, infelizmente, fator de divisão entre os homens, quando trabalha inescrupulosamente a fé das pessoas, quando se apropria da liberdade, quando se torna ferramenta de poder e de manipulação.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Liberdade ainda que tardia
Todo sete de setembro, o Brasil comemora a independência do jugo de Portugal. Uma data cívica importante, mas não menos importante é lembrar que a ação de proclamar independência, não estabelece necessariamente a liberdade de uma nação. Não se liberta apenas por leis ou decretos. A Lei Áurea concedeu liberdade aos escravos, mas estes permaneceram presos durante anos aos seus tutores e ao sistema econômico, político e social. Um detento que sai do sistema prisional, ainda permanece preso nas ruas, na impossibilidade de conseguir um emprego e no preconceito social. Uma pessoa que saiba ler e escrever, pode não saber interpretar a sua própria realidade e estará dependente do patrão e do governo em suas várias esferas. Um pássaro acostumado a viver na gaiola, quando lhe concedem a liberdade, este não aprendeu a voar com suas próprias asas e nem a buscar o seu próprio sustento.
A liberdade vai muito além da constituição e a prisão não está somente nas algemas e nas celas. Libertar é possibilitar ao ser humano alcançar a sua dignidade, fruto do suor do seu rosto e do conhecimento.
Por extensão, um país só é verdadeiramente livre, quando, além da sua soberania, a sua gente tem condições de acesso à saúde, a educação e ao trabalho honesto. Um país só é verdadeiramente livre, quando assegura dignidade à sua população, não pelo assistencialismo que perpetua a miséria, mas pela possibilidade de cada cidadão gerar o seu próprio sustento. Um país só é verdadeiramente livre, independente e soberano, quando muito além da própria constituição, a justiça social se pratica no cotidiano.
E a educação tem papel fundamental na liberdade. Ela possibilita o conhecimento, que gera consciência e que promove a ação para uma vida melhor. Ela, a educação, gera a luz que permite enxergar o que acontece ao meu redor, em minha vida e na da sociedade onde atuo. A partir daí, posso ser um agente transformador, um cidadão em plenitude.
Mas, não somente a educação focada no profissional, no mercado de trabalho, que também pode ser escravizante. Mas, aquela que permite ao indivíduo, a reflexão, o raciocínio próprio e capacidade de escolha.
Com tudo isto, a liberdade assim pode ser ainda uma utopia. Mas, acreditar na utopia é também um exercício de liberdade.
A liberdade vai muito além da constituição e a prisão não está somente nas algemas e nas celas. Libertar é possibilitar ao ser humano alcançar a sua dignidade, fruto do suor do seu rosto e do conhecimento.
Por extensão, um país só é verdadeiramente livre, quando, além da sua soberania, a sua gente tem condições de acesso à saúde, a educação e ao trabalho honesto. Um país só é verdadeiramente livre, quando assegura dignidade à sua população, não pelo assistencialismo que perpetua a miséria, mas pela possibilidade de cada cidadão gerar o seu próprio sustento. Um país só é verdadeiramente livre, independente e soberano, quando muito além da própria constituição, a justiça social se pratica no cotidiano.
E a educação tem papel fundamental na liberdade. Ela possibilita o conhecimento, que gera consciência e que promove a ação para uma vida melhor. Ela, a educação, gera a luz que permite enxergar o que acontece ao meu redor, em minha vida e na da sociedade onde atuo. A partir daí, posso ser um agente transformador, um cidadão em plenitude.
Mas, não somente a educação focada no profissional, no mercado de trabalho, que também pode ser escravizante. Mas, aquela que permite ao indivíduo, a reflexão, o raciocínio próprio e capacidade de escolha.
Com tudo isto, a liberdade assim pode ser ainda uma utopia. Mas, acreditar na utopia é também um exercício de liberdade.
sábado, 4 de setembro de 2010
Decisões Individuais, Problemas Coletivos
A informação é hoje o principal instrumento de sobrevivência das organizações, sejam elas privadas ou públicas. E ela, a informação, se encontra em todos os lugares, do chão de fábrica à sala dos lideres, do papo no corredor a uma reunião de diretoria. Transita também nos meios de comunicação, nas emissoras de rádio e TV, nos jornais, sites, Orkut, blogs e twitters.
A informação gera conhecimento, que por extensão, gera inteligência competitiva. Quanto mais a empresa conhece a sua área de atuação, os seus concorrentes, seus clientes, o seu contexto ambiental, apenas para citar alguns pontos, mais está preparada para enfrentar os desafios do mercado.
Mas, se tudo isto é verdade, se livros, consultores, especialistas e o mundo acadêmico orientam sobre estes aspectos, como as organizações estão tratando as informações? Elas são levadas em consideração no momento de tomada de decisão?
O mundo mudou muito nas últimas décadas, mas, infelizmente, na maioria das empresas, a informação não é devidamente tratada, selecionada, trabalhada para auxiliar o corpo gerencial. Vivemos a tecnologia como lição de casa, acreditando que basta equiparmos as empresas com hardwares e softwares de última geração. Porém, esquecemos de tratar o volume gerado e temos então uma “biblioteca” enorme com centenas de títulos diferentes, mas que ninguém lê. Nas “gavetas” dos computadores, milhões de dados são coletados, porém, sem a devida seleção, filtragem e utilização. Desta forma, apesar e em razão do excesso de informação, muitos líderes decidem apenas pelo conhecimento individual, experiência e capacidade profissional. As reuniões são realizadas apenas para atestar as decisões do “chefe” e os colaboradores são meros coadjuvantes em um teatro montado para validar as iniciativas de quem lidera. Por incrível que pareça ainda escutamos muitas “lideranças” afirmarem para os seus liderados: “Você aqui é pago para fazer e não para pensar”. Automatizamos as empresas e os relacionamentos. “Penso, logo... sou demitido”.O “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é frase de efeito, mas sim, prática diária em muitas empresas. Quem tem o poder faz questão de marcar território, movido, na maioria das vezes, pela insegurança e pelo medo de perder o posto.
Em um universo onde a tecnologia possibilita o acesso rápido à informação, se torna urgente não subestimar a capacidade das pessoas, seja lá qual for a função que elas exerçam. Não raro, um empregado que exerce a tarefa mais simples é uma fonte de informação em potencial e pode, em determinada circunstância, auxiliar a tomada de decisão.
A inteligência individual precisa dar lugar à inteligência coletiva. Quando analisamos somente um lado de uma questão, a tendência é tomar decisões errôneas, limitado pela lente de uma câmera que registrou apenas uma fonte de luz.
A democratização do conhecimento, oriunda principalmente da internet, é uma realidade inexorável.
Pena que o autoritarismo, a arrogância e “o poder da caneta” ainda se façam presentes em muitas instituições públicas e privadas. E o que é pior: decisões individualistas e egocêntricas geralmente são as grandes responsáveis por problemas coletivos e a sabedoria popular ensina: quando a cabeça (o líder) não pensa (nem ouve), o corpo padece (leia-se colaboradores, clientes, população etc.).
A informação gera conhecimento, que por extensão, gera inteligência competitiva. Quanto mais a empresa conhece a sua área de atuação, os seus concorrentes, seus clientes, o seu contexto ambiental, apenas para citar alguns pontos, mais está preparada para enfrentar os desafios do mercado.
Mas, se tudo isto é verdade, se livros, consultores, especialistas e o mundo acadêmico orientam sobre estes aspectos, como as organizações estão tratando as informações? Elas são levadas em consideração no momento de tomada de decisão?
O mundo mudou muito nas últimas décadas, mas, infelizmente, na maioria das empresas, a informação não é devidamente tratada, selecionada, trabalhada para auxiliar o corpo gerencial. Vivemos a tecnologia como lição de casa, acreditando que basta equiparmos as empresas com hardwares e softwares de última geração. Porém, esquecemos de tratar o volume gerado e temos então uma “biblioteca” enorme com centenas de títulos diferentes, mas que ninguém lê. Nas “gavetas” dos computadores, milhões de dados são coletados, porém, sem a devida seleção, filtragem e utilização. Desta forma, apesar e em razão do excesso de informação, muitos líderes decidem apenas pelo conhecimento individual, experiência e capacidade profissional. As reuniões são realizadas apenas para atestar as decisões do “chefe” e os colaboradores são meros coadjuvantes em um teatro montado para validar as iniciativas de quem lidera. Por incrível que pareça ainda escutamos muitas “lideranças” afirmarem para os seus liderados: “Você aqui é pago para fazer e não para pensar”. Automatizamos as empresas e os relacionamentos. “Penso, logo... sou demitido”.O “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é frase de efeito, mas sim, prática diária em muitas empresas. Quem tem o poder faz questão de marcar território, movido, na maioria das vezes, pela insegurança e pelo medo de perder o posto.
Em um universo onde a tecnologia possibilita o acesso rápido à informação, se torna urgente não subestimar a capacidade das pessoas, seja lá qual for a função que elas exerçam. Não raro, um empregado que exerce a tarefa mais simples é uma fonte de informação em potencial e pode, em determinada circunstância, auxiliar a tomada de decisão.
A inteligência individual precisa dar lugar à inteligência coletiva. Quando analisamos somente um lado de uma questão, a tendência é tomar decisões errôneas, limitado pela lente de uma câmera que registrou apenas uma fonte de luz.
A democratização do conhecimento, oriunda principalmente da internet, é uma realidade inexorável.
Pena que o autoritarismo, a arrogância e “o poder da caneta” ainda se façam presentes em muitas instituições públicas e privadas. E o que é pior: decisões individualistas e egocêntricas geralmente são as grandes responsáveis por problemas coletivos e a sabedoria popular ensina: quando a cabeça (o líder) não pensa (nem ouve), o corpo padece (leia-se colaboradores, clientes, população etc.).
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