segunda-feira, 19 de junho de 2017

Divórcios Culinários





Hoje é dia dos namorados, mas com as dificuldades financeiras atuais, a crise chegou na cozinha.
Com o aumento no preço, a situação já não dá mais para o "gastro" e o feijão está se separando do arroz.
Outros alimentos que combinavam tão bem estão vivendo por sua vez seus problemas conjugais.

O café deve deixar o leite nos próximos dias e o queijo (Romeu) está brigando demais com a goiabada (Julieta).
O chá já não convive tão bem com a torrada e segundo dizem, o momento está mais para “chá com porrada”.
O figo já não acha tão doce, como antes, o doce de leite.
A pipoca está pulando de raiva com o guaraná, que a chamou de “piruá”.
A batata afirmou dias atrás em conversa reservada que o bife é que vai ficar “frito” a partir de agora.
O churrasco está com problemas graves de relacionamento com o vinagrete, pois a cebola já não se entende com o tomate e o pimentão está vermelho de raiva com o cheiro verde.
O ketchup está de molho depois da sua última briga com a maionese, pois disse ele, que ela “viajava” demais e isto desgastou a relação.
O mamão já não se entende mais com o açúcar e a convivência entre o presunto e o queijo esfriou muito e, dizem, os dois já não vivem mais na mesma geladeira.
Comenta-se que a “bomba” que está para estourar a qualquer momento, é que o pão, depois de ter chamado sua parceira de “rançosa”, deve se se separar definitivamente da manteiga e a sua relação extraconjugal com a margarina vai fazer virar a mesa.
Se a cozinha é realmente o coração da casa, ao que parece, a crise continuará a alimentar ainda muitos divórcios culinários.

Muito face e pouco book


As redes sociais são instrumentos fantásticos de comunicação entre grupos, pessoas, comunidade, poder público, empresas e consumidores.
Contudo e infelizmente, são também uma vitrine aberta do comportamento humano.
Falta educação, respeito, caráter, dignidade e ética.
Uns se julgam divisores do “bem e do mal”, não sendo poucos os que descarregam seus traumas, suas angústias, suas decepções e incompreensões e a briga com a vida que levam, destilando seu veneno contra quem quer que seja nas palavras digitadas no teclado, escondidos por detrás de uma tela.
Alguns se consideram “lideranças” que representam a coletividade na luta “do bem contra o mal”. Por detrás das “boas intenções”, vaidade e desejo do poder.
Palavrões, insultos, ataques pessoais e morais, mentiras e perfis falsos demonstram que embora a tecnologia tenha evoluído, em nossos relacionamentos, nada evoluímos e nada aprendemos.
Nas redes sociais, mesmo atrás de um perfil falso, nao se engane, nada se encoberta, nada se esconde, pois, cada um demonstra a que veio e seu grau de evolução.
Nas redes sociais, as máscaras caem e cada um demonstra quem é e o que tem a oferecer ao universo.

Carências


Quantos de nós, pela sede das nossas carências, não aceita, por vezes, as poucas gotas do sentimento alheio? E por ser tão pouca a água que nos umedece os lábios, sentimos a sede ser maior.
Quantos de nós, na fome das nossas próprias ausências, não recolhe, por vezes, as migalhas das presenças de outros? E por ser tão pouco o alimento que nos chega à boca, percebemos a fome ser maior.
Quantos de nós, não vive mendigando olhares, palavras e gestos que possam validar a existência?
Quantos de nós, não morre um pouco mais a cada dia, subnutrido de amor?
Quantos e quanto de nós?

Eu me amo


Fico sabendo da existência de uma nova tendência no mundo moderno: a sologamia. Diferente da monogamia (casamento com uma única parceira ou parceiro) e da poligamia (casamento com vários parceiros ou parceiras), a sologamia vem propor o “casamento consigo mesmo” com direito a cerimônia e tais. 
Tudo bem que isto já foi previsto na década de 1980 pelo grande filósofo Roger do Ultraje a Rigor no “eu me amo, eu me amo, já não posso mais viver sem mim”, mas agora, ficou oficial. 
Não se deu bem com um parceiro ou parceira? Teve várias desilusões amorosas? Acredita que este negócio de “dupla” não está com nada?
Seus problemas acabaram e a solução chegou: a sologamia, ou seja, “gamado” por si mesmo. 
Chega desta busca sofrida e interminável de querer achar o par perfeito. A alma gêmea? É você. A outra metade da laranja? Você. A tampa da panela? Você.
Freud explica. Nesta nova vida, o seu Id, o seu Ego e o Superego, terão, enfim, a possibilidade de viverem felizes para sempre. 
Assim, quer você seja o Eu-gênio, a Eu-nice ou o Di-ego, a vida “a um” será um paraíso. Ah, se Adão ou a Eva tivessem descoberto isto... definitivamente,o mundo não seria o mesmo. Afinal, conversando com a gente mesmo é que a gente se entende...ou não. 
 Contudo, para isto ser realmente efetivo e afetivo, assim como em um casamento tradicional, você precisa dizer “Sim”. 
- Promete ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se por todos os dias de sua vida?
- Sim.
Pronto. Você já é casado consigo mesmo e pode partir para a sua lua de mel em Miami . Agora, com esta sua “roupa nova”, feliz da vida, faça um selfie e bote a boca no trombone:
“Eu me amo e vou gritar para todo mundo ouvir...”

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SOU CULPADO



Como todos os políticos denunciados em casos de corrupção no país são inocentes e nunca fizeram nada ilegal, e, muito embora meu nome não conste nem da lista de Janot, nem da lista do Fachin, nem na Operação Lava Jato, venho a público declarar que SOU CULPADO.

Admito que recebi propina da Odebrecht, tentei obstruir o trabalho da justiça, fui beneficiado com dinheiro de transações ilícitas, arrumei emprego para parentes e amigos no governo graças ao tráfico de influência, tenho contas secretas na Suiça,  comprei dezenas de imóveis resultado de lavagem de dinheiro, ganhei milhões de dólares de construtoras com palestras inexistentes, fiz campanha com dinheiro de Caixa 2,  recebi dinheiro desviado da Petrobrás e do BNDES, soneguei informações para evitar pagar imposto de renda, prometi vantagens indevidas a funcionários públicos buscando benefícios pessoais e muitas outras ações que não me lembro, mas que contribuíram para o meu grande patrimônio. Ao longo dos anos, fui deixando me levar pelas benesses do poder e pelas facilidades de me corromper em um país onde o “jeitinho” dá jeito pra tudo.

Por tudo isso, declaro minha culpa, minha máxima culpa.  

Quero pedir desculpas ao povo brasileiro pelas minhas atitudes na convicção de que esta declaração não me inocenta das minhas ações. Não existe perdão para o que fiz, ao utilizar recursos públicos que poderiam ser utilizados na saúde e na educação em um país onde milhões vivem na mais absoluta miséria.  Quero pagar pelo que fiz utilizando recursos públicos de maneira indevida para atingir meus objetivos particulares.

Faço esta declaração também em solidariedade a todos estes políticos que estão sendo acusados injustamente e que, diferentemente de mim, deram, ao longo dos anos, demonstrações inequívocas de honestidade e luta incansável para o desenvolvimento do país e pela justiça social.

sábado, 30 de julho de 2016

A JUSTIÇA BRASILEIRA SEMPRE VENCE...PELO CANSAÇO!




(Peça teatral em 5 atos, envolvendo o jornalista Nicolau e o juiz Wiliam de Oliveira- Você não vai acreditar!)

A mãe do jornalista Nicolau, dona Ana, faleceu no dia 29 de outubro de 2015 em Poços de Caldas. Como aposentada, os seus herdeiros deveriam receber, segundo o que determina a legislação (lei 6.858), o valor da sua aposentadoria relativa ao mês de outubro, pouco mais de mil e quinhentos reais.
Contudo, como isto não foi ocorreu automaticamente como se acreditava, o mesmo jornalista Nicolau, orientado por sua advogada, entrou com um processo na justiça. A intenção do jornalista Nicolau era repassar o valor para a sua irmã Fátima (a única solteira e aposentada entre os 9 filhos da dona Ana) através de “alvará judicial dirigido ao Instituto Nacional de Securidade Social (INSS) para levantamento de saldo previdenciário”. Acreditava o jornalista Nicolau que o processo seria relativamente simples.
Ledo engano, Nicolau.
Ato I
Inicialmente foi solicitado por sua advogada, os documentos normais como certidão de nascimento e carteira de trabalho da requerente (Fátima), além de certidão de inexistência de dependentes habilitados por morte. Posteriormente, a juíza Alessandra analisando o processo, alegou que não havia dependentes inscritos no INSS, solicitando ingressar nos autos, todos os herdeiros da falecida, isto em dezembro de 2015.
Ato 2
Em janeiro de 2016, foi cumprido o solicitado, anexando aos autos do processo” todas as certidões de nascimento e a procuração dos 9 filhos no prazo de dez dias, sob pena de indeferimento da inicial”. Ressalte-se que a maioria dos filhos da dona Ana reside em cidades distantes de Poços de Caldas. Mas, tudo bem- disse Nicolau- o processo teria em poucos dias um desfecho final.
Ah! Como você é ingênuo, Nicolau.
Ato 3
Em fevereiro de 2016, o processo mudou de mãos e passou para o juiz Wiliam de Oliveira que deu vistas, porém, solicitou a “comprovação da qualidade de herdeiros por meio de documento hábil (certidão de nascimento ou casamento atualizada) no prazo de 10 dias, sob pena de indeferimento da inicial”. Ressalte-se que no processo já constavam o cpf e rg de todos os filhos, comprovando que realmente os mesmos eram “filhos da dona Ana”. Nicolau, quase desistiu, mas persistente como é disse, “nem a pau” e correu atrás (afinal eram 10 dias apenas) dos documentos, atendendo à solicitação do juiz Wiliam.
Ato 4
Em abril de 2016, sua excelência, o meritíssimo juiz deu vistas ao processo. Seria o apito final? Claro que não, Nicolau. Você não sabe que, na justiça brasileira, o processo é uma peça teatral? “Vista aos autores para que no prazo de 10 (dez) dias apresentem as certidões de negativas de débitos tributários”. Nicolau, já não aguentando mais, resolveu desistir da causa. Porém, sua advogada afirmou “estamos quase conseguindo, não é hora de desistir” e requereu a juntada as Certidões Negativas, CND, Municipal, Estadual e Federal, solicitadas pelo juiz Wiliam.
Agora sim, Nicolau! Sua irmã iria receber o polpudo valor de cerca de 1.500 reais prá resolver a vida dela. Um pouco menos claro, do que o justo salário do juiz Wiliam (possivelmente em torno de 30 mil reais/mês).
Ato 5- Final
Ah, mas a Justiça brasileira sempre nos surpreende né, Nicolau.
O juiz Wiliam de Oliveira investido do poder judiciário, acima do bem e do mal, proclamou. “Analisando os documentos juntados aos autos, verifica-se que a maioria dos herdeiros são casados sob o regime de comunhão de bens, necessitando assim da procuração dos cônjuges para a concessão do alvará pleiteado”.
Consumatum est, como diria o juiz Wiliam de Oliveira.
Nicolau desistiu do processo e o polpudo valor como determina a lei, voltará para os cofres da Previdência Social.
A justiça sempre vence. Aprendeu Nicolau?
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

"Vaga-lumes"




Cresce assustadoramente o número de “vaga-lumes” na cidade. Não se sabe ao certo se é fruto da crise econômica, problemas hormonais ou psicofísicoafetivos. Existem teorias que tentam provar que é resultado do aquecimento global. Cientistas afirmam que é consequência da oxidação biológica e de uma enzima chamada luciferina (lembrou de algo?) e do ativador trifosfato de adenosina (sabe-se lá o que seja isto). Por outro lado, alguns místicos no Tibete afirmam que é consequência de mutação genética causada por alienígenas que estão abduzindo os seres humanos.
O fato é que tais “vaga-lumes” de repente aparecem e “acendem” algum projeto inovador ou desejam um contato imediato (terceiro grau?), uma aproximação pelo whats app ou facebook. Mas, tão rapidamente quanto “acenderam”, eles se “apagam”, sem motivos aparentes. Ao que se sabe (ou não), na fase inicial, esta bioluminescência é útil para atrair os outros por motivos que não estão claramente (ops) esclarecidos (ops2). Em fase mais adulta- afirmam os sexólogos-  é usada para atrair o sexo oposto na época de acasalamento, como em uma dança luminosa. Será que é porque a cidade tem muitas fontes luminosas? Vai saber.
Recomenda-se muito cuidado com tais “vaga-lumes”, já que a luz que parecem irradiar pode provocar cegueira nas pessoas que têm contato com eles. Por tudo, ao perceber a existência de um possível “vaga-lume” ao seu redor, busque constatar inicialmente se em um dia são “vaga” e no outro são “lumes”. Se for comprovado que é um “vaga-lume” melhor se afastar pois a conta (de luz) pode ser alta.