sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Redes (de esgoto) Sociais


A idiotice, a canalhice, a maledicência, a calúnia, a falta de caráter, para citar apenas alguns indícios da ausência de lastro moral da humanidade, ganharam nos tempos atuais um aliado importante: as tão decantadas redes sociais, representadas por emails, facebooks, twitter,  blogs, etc. A possibilidade do anonimato, de se esconder atrás de um perfil fake ( falso), faz com que milhares de  indivíduos, (ou seria melhor,  de bandidos), utilizem o espaço dito democrático, (neste caso vem mais do demo mesmo), para vomitar seus inconfessáveis e escusos objetivos. O lixo acumulado na mente de determinadas espécies humanas encontra nas redes sociais o local ideal para o despejo do seu esgoto de caráter.
A internet que deveria ser (e em milhões de exemplos realmente é) um imenso espaço de socialização do conhecimento acaba, muitas vezes, por se transformar em um ringue virtual,  MMA cibernético cujas Mentiras e Maldades Apócrifas destroem, por linhas inconseqüentes, a imagem de pessoas e instituições. Quem cai na rede, descobre muitas vezes, que por lá não existem peixinhos de aquário, mas cobras peçonhentas buscando destilar seu veneno em um imenso Butantã.
Basta um ser demente que mente inescrupulosamente em frente a uma tela quente escrevendo coisas que arquitetou maquiavelicamente para se ter o resultado de tudo isto descaradamente na nossa frente: vivemos realmente em um mundo doente.
Sabe-se que não é por falta de cultura e sim por excesso de impostura.
Sabe-se que não é uma questão de idade e sim por questão de impunidade.
Sabe-se que não é pelo fator social e sim por ausência absoluta do fator moral.
Some-se a isto, a consciência de que a dita mídia tradicional, aquela que como a internet também é global, concede, por vezes, sustentação, guarita e amparo, à podridão humana na divulgação irresponsável e leviana dos guinchos dos ratos do porão.  
Triste mundo imundo do submundo das redes (de esgoto) sociais - emissário atual das mais diferentes doenças patogênicas do ser humano, como a cólera, a inveja, o orgulho, a vaidade...
O esgoto destilado no céu aberto das redes contamina diariamente milhões de pessoas em todo o planeta, sem tratamento, sem saneamento.

Até quando?

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conversando com o tempo



Ufa! Estamos chegando ao final de mais um ano. A razão nos sinaliza que se trata apenas de uma mudança de número na folhinha, mas a emoção nos recorda a necessidade de um balanço. Débitos e créditos e o saldo para o início de uma nova etapa. Daí, o tempo, sempre ele, é régua a definir nossa passagem pela Terra na trilogia cronológica do passado, presente e futuro. E a nossa conversa então se inicia. 
Ah, o passado. Ele é a sentença proferida que não nos permite correções ortográficas. Não dá para apagá-lo, modificá-lo, ou deletá-lo. Ele é que delata os erros e acertos de nossas escolhas, que estarão lá, indelevelmente gravadas em nossa memória. O passado vive a lembrar que está vivo em uma simples ruga, nas rusgas que a vida deixou. É o registro que, invariavelmente consultamos, mesmo que não tenhamos consciência. De repente, eis que surge das profundezas onde parecia inativo, e, reaparece na superfície, sólido, concreto, e se revela em um simples gesto nosso, uma pequena frase, um sorriso, mostrando que verdadeiramente permanece presente em nós. O passado não passa incólume. Ele deixa rastros, vestígios, marcas, zombando do presente e do futuro dizendo: Vocês não existem! Serão sempre simples conseqüências do que deixei. Heranças do que construí. Dizem que eu fui, mas verdadeiramente eu sou a realidade que pode ser mensurada, analisada, refletida, aprendida. Os outros, presente e futuro, são meras invenções sem produtos tangíveis, ilusões criadas para tentar apagar minhas pegadas e a minha real preponderância sobre o tempo. 
Assim, por vezes, tentamos esquecer o passado e negar sua existência, nos abraçando ao presente.
Ah, o presente. Dizem que o melhor da vida é viver o presente, mas, como, se quando achamos que vamos aproveitá-lo, ele já passou? Se, ao identificarmos sua existência, ele já inexiste? O presente que nunca se deixa desembrulhar, que é constante movimento, e tem no gerúndio seu sinônimo. O presente, por sua vez, diz ao passado e ao futuro. Passado, você está morto. É mera página virada, estrada já percorrida que não permite retorno. E você, futuro, nem existe, está sempre na possibilidade e nunca sequer foi visto. E ambos são resultados de todas as minhas ações. Sem mim, nenhum de vocês existiria. Eu sou o agora, a vida em movimento, a possibilidade da transformação e da mudança. É só imaginar que se cada ser humano fizesse o melhor no meu tempo, ninguém gostaria de lhe esquecer, passado, e você, futuro, seria realmente aquela luz viva a esperar a minha chegada. 
Mas como tentamos apagar o passado e o presente já passou, o futuro nos seduz. 
Ah, o futuro. Estamos sempre a colocar nossas moedas em seu bolso. Na maioria das vezes, imaginamos que tudo será melhor quando ele chegar e lhe criamos outro nomes, como sonhos, projetos, ideais, esperanças. Ele nunca chega talvez pelo simples fato de nos impulsionar para a continuidade, a nos lembrar que não existe linha de chegada, pois todo momento é uma nova partida. O futuro, por sua vez, questiona o passado e o presente: Estou sempre à sua frente, passado, representando o que há de vir. Você deita sobre o que fez, eu estou sempre acordado e sou o único que representa verdadeiramente o tempo que nunca morre. E você, presente, tem inveja e vive querendo ser o que sou. Você é uma pequena cópia minha, o futuro imediato. Eu sou sem amarras, sem início e sem fim, sou o eterno. Sou o que nunca chega, embora todos anunciem a minha chegada. 
Um novo ciclo está chegando e na régua do tempo, entre o passado, o presente e o futuro, vale recordar que não somos nós que passamos pelo tempo. Ele é que passa por nós. Assim, não é ele que traduz quem somos se crianças, jovens, adultos ou idosos. Somos nós que mostramos a ele verdadeiramente o que somos: seres imortais na indissolubilidade do cosmos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Vistas grossas


Não se sabe se é algo patológico, genético, ou mesmo congênito. O que se sabe é que, ao longo dos anos, se transformou em uma epidemia de graves conseqüências no Brasil. O problema começa com um desvio quase imperceptível do globo ocular, posteriormente vai se agravando até comprometer toda a visão. Embora não seja descrito na oftalmologia, o problema da “vistas grossas” atinge cada vez mais, um número maior de brasileiros, notadamente àqueles que estão na administração pública, em suas mais diferentes esferas.
Sabe aquilo que muita gente vê, sabe que está errado, mas, finge que não vê, pois pra “resolvê” vai dar muito trabalho e, se for “candidatável”, nem voto vai gerar?
Com certeza, todo mundo conhece ao menos um exemplo desta insuficiência ocular e administrativa em qualquer cidade deste país. Responda aí: quantos anos você ouve falar de uma situação na área da saúde, da educação, da segurança, que necessita de solução? Contudo, o tempo passa, o tempo voa e a problemática sem a “solucionática” continua. Pelo contrário, quando o problema se agrava, gera muitos outros como a “miopia” de prioridades, o “glaucoma” da impunidade, a “catarata” de desmandos.
Será que existe tratamento, um remédio eficaz, um procedimento cirúrgico, ou a situação é irreversível?  Olha, do jeito que as coisas andam embaçadas, não dá para ver nenhuma solução para a tal doença, que se espalhou e se tornou crônica pelas administrações públicas do país.
A esperança é que algum homem de visão possa criar uma lente corretiva, ao menos para minimizar tal situação, ou mesmo, óculos especiais que possam livrar o povo de tanta armação.

Por último, a certeza que este artigo, como muitos sobre o mesmo tema, não irá mudar absolutamente nada. Sabe por quê?  Os que realmente precisariam ler e refletir sobre este assunto irão, com certeza e mais uma vez, fazer “vistas grossas”...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Janelas Quebradas


Tenho andado pelas ruas de Poços. As mesmas que há anos circulam em mim, pois, nascido aqui, não deixo de me encantar diariamente com muitas que cortam o município.
 Não dá para ficar indiferente, por exemplo, à Assis Figueiredo. Uma das principais artérias da cidade, que no trafegar frenético de carros e pedestres, é símbolo do desenvolvimento de nossa gente. Na Assis, as vitrines de lojas cada vez mais modernas refletem o passo apressado de pessoas que anos atrás, não tinham pressa nenhuma. Difícil não se deslumbrar com a Rua São Paulo, que no trecho até a Praça Pedro Sanches, apresenta o desfile de árvores fícus como guardas da rainha a levar turistas e cidadãos até o Monumento Minas ao Brasil. As mesmas árvores que no período do Natal se transformam em maravilhosos lustres para receber o ser mais ilustre que já passou pela Terra. (Será que elas se vestirão assim este ano?).
Como não aspirar poesia ao caminhar pela Rua Padre Henry Mothon no caminho entre a Praça do Museu e a Igreja São Domingos? Como não sentir a magia da Avenida João Pinheiro a ligar o centro da cidade até os bairros? E a Champagnat... a Doutor David Benedito Otoni?
Mas, se reconhecemos a beleza de nossas vias, impossível desconhecer que muitas delas, estão sujas, com calçadas de pisos irregulares, cheias de buracos, além de serem palco de vendas de bugigangas e crescente número de pedintes.
As causas são inúmeras, entre elas, a falta de cultura, de civilidade, de cidadania, de centenas de pessoas que despejam nas ruas, o “lixo” existente nas suas cabeças. É o papel de bala, o toco do cigarro, o chiclete mastigado, a latinha de cerveja, é o resto de sorvete, é o fim do caminho.
Por outro lado, a morosidade da ação pública na fiscalização e combate às pequenas ações que com o tempo resultam em grandes e graves conseqüências. As ruas centrais estão se transformando em verdadeiras feiras livres, onde tudo é permitido. Em nome da “liberdade individual” nos tornamos reféns do que é ilegal, imoral e prejudicial à saúde do município em todos os sentidos: econômico, turístico, social,  ambiental etc. São atitudes criminosas que merecem atitudes punitivas.
Aqui cabe recordar da Teoria das Janelas Quebradas, que estabelece, entre outras análises, que uma simples janela quebrada de uma residência, se não reparada, poderá gerar outras janelas destruídas e a partir daí, a invasão da casa por vândalos, o tráfico de drogas, a criminalidade. “Se uma comunidade exibe sinais de deterioração, e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente será fator de geração de conflitos”.
Portanto, cabe a cada um, cuidar das suas “próprias janelas” e à administração pública, preservar as “janelas” do município, fiscalizando e punindo todo aquele que pensa que a rua é o prolongamento do quintal da sua casa, podendo fazer o que bem entende, pois conta com o (des) amparo público.

As janelas (ruas) da cidade, não podem, de maneira alguma, se tornarem portas abertas para os que não têm nenhum compromisso com esta maravilhosa “residência coletiva” denominada Poços de Caldas. 

domingo, 24 de novembro de 2013

Presos



Acompanhamos as prisões dos condenados no processo do “Mensalão”. Entre muitas reflexões em um país onde a dúvida sobrepõe-se a qualquer certeza, onde fazer o que é certo, nem sempre dá certo, onde o erro muitas vezes é até enaltecido e valorizado, temos que, acima da insanidade que acometem os fanáticos, refletir que a Justiça como pilar de sustentação de um país, deve ser sempre soberana.
Pode-se até discordar de uma sentença judicial, mas o que não se pode aceitar é que, em nome de corporativismos partidários ou pessoais, haja a tentativa de desmoralizar ou descaracterizar o que foi sentenciado pelos tribunais. É de se estranhar, se não de causar estarrecimento, que aqueles que alegam terem sidos no decorrer de suas histórias políticas, detentores da moralidade, da honestidade e da legalidade, de um momento para outro, busquem agora, quando a Justiça não lhes favorece, desqualificar a ação judiciária se auto intitulando como presos políticos, bodes expiatórios ou qualquer outro eufemismo.
Se ao povo, no momento do voto, cabe o julgamento de um político, é nesta mesma régua, sob o mesmo diapasão, nesta mesma ótica, é que cabe à Justiça em seus preceitos legais, determinar o veredicto sobre as ações de todo homem público no exercício de sua função ou mandato. Aqui não estamos falando de Josés ou Joãos, de siglas partidárias de direita ou esquerda, de governo ou de oposição. Estamos nos referindo à impunidade, que somada à corrupção generalizada, são os principais males que afetam a nossa sociedade.
 Tentar jogar a população contra a Justiça é ato que deve ser refutado por todos os que desejam realmente ver esta nação mais fortalecida na credibilidade de suas instituições.
No caso citado no início deste artigo, foram anos de discussões e investigações, milhares de páginas analisadas, centenas de horas dos mais importantes juristas deste país nas suas mais diversas instâncias para se chegar ao veredicto. Os réus tiveram ao seu lado, o acompanhamento técnico de seus advogados, no direito democrático de defesa.  Neste sentido, cabe lembrar que democracia é um sistema de governo, respaldado principalmente pela legalidade das ações e não pelo que determinado grupo, a seu bel prazer, considera certo ou errado. Democracia é a proposta que vem consolidar a convivência entre os opostos e acatar, não aquilo que privilegia interesses particulares, mas o que tenha como norte o interesse público.
 Se os condenados querem verdadeiramente fortalecer a sua dignidade, que ajam condignamente.
 Ano last but not least, please, não se declarem vítimas, nem heróis, nem perseguidos pela ditadura, muito menos mártires.
De verdade e infelizmente, presos estamos todos nós brasileiros, nesta cadeia de corruptos que de forma endêmica atingiu a todos os setores desta nação acorrentada por anos de desmandos e mazelas.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Alô, é do 141?


Dizem que o mundo é feito de coincidências. Pode ser. Dizem que os números têm sempre uma resposta. Pode ser. O fato é que ao pensar sobre os 141 anos de Poços de Caldas me lembrei que, coincidentemente ou não, 141 é o telefone do Centro de Valorização da Vida- um local onde um grupo de voluntários recebe ligações de todo o país de gente que necessita de ajuda ou simplesmente quer fazer um desabafo. Bingo! Há males que vem para bens, refleti.  Imaginei que o “meu parabéns pra você pra Poços” seria uma ligação para o 141 que aconteceria mais ou menos assim:
- Alô, é do 141? Queria falar sobre Poços... posso?
- Me desculpe senhor, mas não estou entendendo. O senhor chegou ao fundo do poço e está precisando de ajuda, é isto?
- Não, exatamente. Aí não é do Centro de Valorização da Qualidade de Vida? Pois, então, eu gostaria de fazer um desabafo sobre a qualidade de vida de Poços de Caldas que está completando 141 anos...
- Olha, meu senhor, o 141 é um telefone para que as pessoas reencontrem a felicidade e entendam que a vida se faz no presente...
- Muito bem lembrado. Poços é verdadeiramente uma feliz cidade, porém, o que preocupa não é tão somente o presente, e sim, o futuro.
- -Mas, ouvi dizer que Poços de Caldas é uma cidade muito bonita. Andei de bodinho e de bondinho aí quando eu era criança. Poços, a terra da saúde e da beleza!
- É verdade. Porém, a gente se encantou por demais com as nossas decantadas belezas que a saúde ficou um pouco no desencanto.
- Mas me lembro que a cidade era muito tranqüila, muito segura...
- É, ou era. Já não falamos mais com tanta segurança sobre isto. O que preocupa é a sensação da cidade estar crescendo, porém, sem saber como, onde e nem por quê. A percepção é que não temos uma bússola a indicar se estamos realmente no caminho certo. Estamos no Sul, sem um norte.
- O senhor está me parecendo muito ansioso, está precisando relaxar um pouco...
- Relaxamento.  Talvez seja esta a palavra. Verdadeiramente relaxamos em muitos pontos importantes, improvisamos por demais e, hoje, pagamos um preço alto pelo “fazejamento” sem o devido planejamento. 
 - Olha, sinceramente, não sei como ajudá-lo. O senhor me parece muito impaciente...
- Impaciente? Penso é que estamos virando pacientes. Verdadeiros “tubos de ensaio” para experiências das administrações que se sucedem no poder.
- O senhor precisa ter calma, sair um pouco. Que tal dar uma voltinha de carro com a família...
- Nem me fale nisto. O trânsito aqui se complica a cada dia. O único lugar que tenho quase certeza de achar uma vaga para estacionar é no meu prédio e olha lá...
- Bem, o senhor me desculpe, mas, tenho muitos outros “incêndios mais sérios para apagar” e vou ter que desligar.
- É isto!  O senhor acaba de me dar uma grande ideia.
- Pera  aí.  Não entendi.
- O senhor disse “apagando incêndio” e resumiu com propriedade o que tem acontecido em Poços nos últimos anos: estamos “apagando incêndios” na cidade das águas...
- Mas, e daí?
- Ué, vou ligar agora mesmo para o 193. Quem sabe eles não encontram uma saída... nem que for  a de emergência.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O país dos mascarados


Assistimos nos recentes movimentos sociais, a presença do Black Bloc – grupo de pessoas que se veste usualmente de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos e que parece ter  um único objetivo: atacar de maneira agressiva os bancos, indústrias ou qualquer “alvo capitalista” como eles mesmos afirmam.  Na verdade, o Black Bloc existe há décadas em todo o mundo e no Brasil, segundo se apurou, pasmem meus senhores e senhoras, existem vários grupos, sendo o maior, o Black Block  Brasil com 35 mil seguidores e o Black Bloc-Rio de Janeiro com quase 20 mil membros. Para a maioria da população são apenas vândalos, arruaceiros, rebeldes sem causa que se aproveitam dos movimentos sociais, para promover quebra-quebra.  Porém, segundo declaração a imprensa dos próprios membros do grupo, o Black Bloc  tem objetivo bem definido na luta contra tudo o que representa o abuso capitalista. As máscaras, afirmam, são usadas para não serem perseguidos pelos policiais e evitar ainda a projeção de algum líder para o movimento. Ao vermos membros do Black Bloc quebrando o que encontram pela frente, utilizando-se de máscaras para preservar o anonimato, nos permitimos ir além, na analogia da existência no Brasil, de centenas de mascarados que destroem lares, patrimônios e vidas e se escondem, por assim dizer, no anonimato e na impunidade. 
Quantos motoristas estão mascarados por detrás dos volantes, fazendo barbaridades nas ruas e estradas deste país, matando milhares de pessoas durante o ano?
Quantos policiais se valem da farda para disfarçar o banditismo na violência extrema, no tráfico de armas e drogas?
Quantos empresários estão por trás dos colarinhos brancos pagando propinas, sonegando impostos, contrabandeando produtos?
Quantos comerciantes se valem dos seus estabelecimentos para enganar os consumidores, no abuso excessivo de preços, na comercialização de produtos vencidos, no acréscimo de centavos imperceptíveis no check out?
Quantos políticos se travestem nos seus ternos engomados e sapatos polidos de homens sérios e comprometidos com o povo, para obterem vantagens pessoais através de comissões ilícitas,  de mensalões, nos acordos fraudulentos de gabinetes, no tráfico de influencia, usando e abusando da máscara da autoridade?
Perguntamos, além do Black block, quantos mascarados existem neste país em instituições da mais alta credibilidade,  extorquindo, manipulando, seqüestrando, destruindo famílias, pessoas e bens?
“Brasil, mostra tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim” (Cazuza