Não é simplesmente um jogo de palavras. O maior, ou um dos maiores problemas nacionais, é o menor, principalmente, a criança ou adolescente que se encontra em condições de risco. A frase milenar do sábio Pitágoras “educai as crianças e não será necessário punir os homens” se torna a cada dia mais atual. A situação do menor passa por vários ambientes: econômicos, sociais, políticos, culturais, psicológicos, daí, a complexidade na busca por soluções. Na atualidade, como um dos agravantes mais determinantes, os problemas dos pais com a dependência química (leia-se drogas e álcool) têm afetado um número maior de crianças, além de resultar em um índice crescente da gravidez na adolescência. A abordagem de como tratar ou minimizar os impactos que uma criança pode sofrer demanda a participação do poder público e de toda a sociedade.
Refletindo sobre como resolver ou atenuar situação tão ampla e abrangente, nos veio à lembrança uma história que diz o seguinte. Dois pescadores estavam em um rio e de repente um deles viu uma criança se afogando. Mais que depressa, o pescador saltou no rio para salva-la. No mesmo instante, o outro pescador viu outra criança se afogando e fez o mesmo, pulou no rio para salva-la. Nem bem eles já estavam salvando as crianças, notaram que outras também estavam se afogando. E mais uma vez pularam no rio para salvá-las. E isto continuou a acontecer, até que um deles disse ao outro:- Tente salvar as crianças que puder que eu vou lá em cima ver quem está jogando as crianças no rio.
Assim, metaforicamente, como saber quem está jogando as crianças no rio, ou seja, como tentar interromper ou atenuar o grave problema do menor no Brasil? Entre outras analises, uma das soluções parece ser através do planejamento familiar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 120 milhões de mulheres no mundo desejam evitar a gravidez, porém, nem elas, nem seus parceiros estão fazendo uso dos métodos contraceptivos. Entre outras causas, está à falta de informação que não chega principalmente nas classes de menor poder aquisitivo. Faltam orientação e acesso aos métodos para se evitar a gravidez, preservando, é claro, a saúde da mulher. O resultado é o nascimento cada vez maior de crianças em famílias que não possuem condições adequadas para cuidar da criança e do adolescente com tudo o que estes necessitam para se tornarem adultos preparados a enfrentar os desafios da sobrevivência.
Todo menor ou adolescente com fome, sem cultura e educação, sem estrutura física e psicológica é um problema nosso na consciência de que pertencemos a uma só família, como filhos de um único Pai.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Marchas e Paradas
Está virando moda realizar paradas e marchas que abordem alguma reivindicação, ou que demonstre a força de determinada entidade de classe ou religiosa, ou mesmo de um movimento corporativista. Todas elas, com certeza, justas e democráticas. As marchas e paradas não solucionam, mas, são instrumentos importantes para chamar a atenção sobre algum problema que não recebe a devida atenção (Marcha a favor da maconha) e outras que servem também para chamar à atenção, a atenção, a atenção (Parada gay). E , antes que os plantonistas da moral e do politicamente correto se manifestem, quero esclarecer que sou totalmente a favor de qualquer tipo de marcha: nupcial, atlética, fúnebre, eqüina, militar, olímpica, marcha rancho e até marcha soldado cabeça de papel, exceto apenas a marcha à ré. Quanto às paradas, também não tenho nada contra, a não ser a parada cardiorrespiratória. Acredito ainda, que este “sintoma” que acontece não somente no Brasil, é uma prova de que o organismo social está reagindo da sua aparente apatia. Contudo, vamos combinar: temos muitas marchas e paradas que embora legítimas, nos fazem refletir em outras de maior importância sobre o ponto de vista social, que não acontecem com a mesma força e comprometimento da comunidade. Por exemplo, a corrupção. Há tempos convivemos com a corrupção generalizada notadamente na esfera política brasileira e o que acontece? Apenas algumas iniciativas pontuais em alguns Estados do nordeste, verdadeiras marchas lentas em relação à rapidez com o que o problema se espalha no país, atingindo todas as instituições públicas. E vale lembrar, com pouquíssima divulgação na mídia nacional. Quer outro assunto que poderia entrar nas paradas de sucesso? A carga tributária. Temos sabidamente uma das maiores cargas tributárias do mundo que dificultam (ou impedem) o desenvolvimento do país e o assunto não mobiliza, como deveria, toda a sociedade, notadamente os empresários brasileiros. Outras marchas e paradas possíveis: Marcha dos professores, Parada dos Aposentados, Passeata a favor da Reforma Política etc. Em Poços de Caldas, poderíamos ter a Marcha do Monotrilho (por uma solução para o problema), Passeata contra o aumento do número de vereadores, Parada dos Turistas (pela melhoria da qualidade de serviços na rede hoteleira) e tantos outros assuntos que, com certeza, merecem a mobilização quer de uma classe, quer abordando um problema específico, muitos que o próprio leitor poderia sugerir.
Tempos atrás, usava-se a expressão “sociedade civil organizada” quando se desejava exprimir a força de uma coletividade no exercício da cidadania. Com o tempo, o termo caiu em desuso, pois, temos hoje o “crime organizado” de um lado e, de outro, uma sociedade cada vez menos coletiva e mais individualista.
Finalizando, tomara que estes movimentos cresçam.
Somos tão favoráveis às marchas e paradas, que ousamos propor: que tal uma marcha ou parada contra as marchas e paradas?
Afinal, elas atrapalham muito o trânsito.
Tempos atrás, usava-se a expressão “sociedade civil organizada” quando se desejava exprimir a força de uma coletividade no exercício da cidadania. Com o tempo, o termo caiu em desuso, pois, temos hoje o “crime organizado” de um lado e, de outro, uma sociedade cada vez menos coletiva e mais individualista.
Finalizando, tomara que estes movimentos cresçam.
Somos tão favoráveis às marchas e paradas, que ousamos propor: que tal uma marcha ou parada contra as marchas e paradas?
Afinal, elas atrapalham muito o trânsito.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Morreu Marcos Antonio
Morreu em Poços de Caldas, aos 44 anos, Marcos Antonio. No anonimato, assim como diariamente nos deixam Josés, Marias, Pedros, Aparecidas, Sebastiãos e tantos outros. Com certeza, a morte de Marcos será sentida principalmente pelos familiares e amigos mais próximos e, a eles, nosso respeito e solidariedade. Só que Marcos Antonio não era uma pessoa tão comum assim. Ele era singular e marcou (com o perdão do trocadilho) sua presença na vida de centenas de pessoas, notadamente, dos jovens que viveram a década de 1980 em Poços. Marcos era uma figura popular, destas de personalidade diferenciada por sua autenticidade e veracidade em atitudes, vestuários e comentários. Assim, com seu alto astral fazia a alegria e a descontração das rodinhas que se formavam em bares e boates da noite poços caldense.
Nesta manhã de inverno de céu cinzento e triste, acordamos com a notícia da morte de Marcos Antonio Ferreira, o popular “Pé na Cova”. Leva com ele um pouco da história de cada um que vivenciou a Poços daquela época. A sua ausência, nos traz presente na memória, pessoas que são “enterradas” e esquecidas nesta cidade que cresce a cada dia e se expande por todos os lados.
A história de um município é construída por homens ilustres, por prédios ilustres, por fatos ilustres que registram o desenvolvimento e o crescimento de uma comunidade. Mas, é na gente mais simples, naqueles que por um diferencial humano e, por vezes, folclórico, é que a cidade escreve suas páginas mais significativas. Como esquecer José Domingos de Alcântara e Silva, o Zé Biri? Pessoa de grande popularidade e que, de acordo com a historiadora Nilza Megale, “ao final da Segunda Guerra, cada pracinha que voltava a Poços de Caldas, era levado para casa carregado nos ombros por Zé Biri”.
Como não lembrar o “Seu Margarido” que subia a rua Rio Grande do Sul, com seu carrinho de mão e que, diziam, fazia comida com carne de gato? E da “Inocência” que gritava sempre contra “a pulicia”? Na década de 80 também, o inesquecível e ainda vivo “TKR”- um verdadeiro show man que cantava em várias línguas na Praça Pedro Sanches imitando um locutor de rádio, com um copinho de iogurte (“microfone”) nas mãos? E da “Ximbica”, da Maria Borsuda, João Gamela, Bebé Chorão, Onofre e Cacilda? Por onde anda (se é que está vivo?) o “Pacência”? Nos dias atuais, o nosso amigo “Armoço” e, além dele, o ‘Palmeirense” e o “50 centavos”.
Todos eles, pessoas que fizeram (e fazem) a vida mais humana e sensível e que nos mostraram (e mostram) que “loucos” somos nós, personagens “lúcidos” do século XXI, correndo atrás do vil metal, em frente à tela de um computador.
Nesta manhã de inverno de céu cinzento e triste, acordamos com a notícia da morte de Marcos Antonio Ferreira, o popular “Pé na Cova”. Leva com ele um pouco da história de cada um que vivenciou a Poços daquela época. A sua ausência, nos traz presente na memória, pessoas que são “enterradas” e esquecidas nesta cidade que cresce a cada dia e se expande por todos os lados.
A história de um município é construída por homens ilustres, por prédios ilustres, por fatos ilustres que registram o desenvolvimento e o crescimento de uma comunidade. Mas, é na gente mais simples, naqueles que por um diferencial humano e, por vezes, folclórico, é que a cidade escreve suas páginas mais significativas. Como esquecer José Domingos de Alcântara e Silva, o Zé Biri? Pessoa de grande popularidade e que, de acordo com a historiadora Nilza Megale, “ao final da Segunda Guerra, cada pracinha que voltava a Poços de Caldas, era levado para casa carregado nos ombros por Zé Biri”.
Como não lembrar o “Seu Margarido” que subia a rua Rio Grande do Sul, com seu carrinho de mão e que, diziam, fazia comida com carne de gato? E da “Inocência” que gritava sempre contra “a pulicia”? Na década de 80 também, o inesquecível e ainda vivo “TKR”- um verdadeiro show man que cantava em várias línguas na Praça Pedro Sanches imitando um locutor de rádio, com um copinho de iogurte (“microfone”) nas mãos? E da “Ximbica”, da Maria Borsuda, João Gamela, Bebé Chorão, Onofre e Cacilda? Por onde anda (se é que está vivo?) o “Pacência”? Nos dias atuais, o nosso amigo “Armoço” e, além dele, o ‘Palmeirense” e o “50 centavos”.
Todos eles, pessoas que fizeram (e fazem) a vida mais humana e sensível e que nos mostraram (e mostram) que “loucos” somos nós, personagens “lúcidos” do século XXI, correndo atrás do vil metal, em frente à tela de um computador.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Blá, blá, blá
“Atenção emissoras para o top de 5 segundos. Dentro de instantes, transmissão da Propaganda Política Obrigatória reservada ao Partido...”
É assim, ou quase, que nós brasileiros somos “convidados” a permanecer na poltrona (ô da poltrona) para assistir ou ouvir a propaganda obrigatória dos partidos políticos.
Particularmente, confesso que, como milhares de pessoas, faço o maior esforço para ouvir o que os políticos têm a dizer, na esperança e na torcida para que algo ou alguém me surpreenda, mas... ”eu presto atenção no que eles dizem e eles não dizem nada”.
Daí vem às perguntas obrigatórias e gratuitas: Por quê? Para quê? Para quem?
Ora, está mais que provado (e reprovado) que a maioria das pessoas, ou quase, muda de canal, desliga a televisão, vai pra cozinha, vai ao banheiro, liga para a sogra, discute com o marido, liga a internet, tenta dar conselhos ao filho mais novo, quando se anuncia a transmissão do programa político.
As razões são óbvias. Além da descrença com a classe política, o cidadão está cansado, saturado, enfastiado, de ouvir discursos repetitivos, mal redigidos, vazios e inconsistentes.
Chega até ser simplório, ver deputados e outros, se utilizarem do teleprompter – equipamento acoplado às câmeras que auxilia a leitura- para pronunciar 40 palavrinhas preparadas anteriormente, sem o mínimo de objetividade.
Fala-se muito em “programa propositivo” em uma tentativa de passar ao cidadão que “existem propostas para os graves problemas nacionais”. Balela. Continua existindo, isto sim, uma chuva de chavões como “lutamos pelos ideais do nosso partido, que é o bem estar da população menos assistida”. Ou “o nosso partido é o Brasil e não abrimos mão de exigir melhores condições de saúde, educação e moradia para a comunidade”.
Embora proibido, o que se observa é um palanque eleitoral ou mesmo a possibilidade de se exaltar determinado “figurões” dos partidos para alavancar votos e novos ingressantes.
O pluripartidarismo nos legou a análise combinatória dos “Pês”, a ausência de ideologias e os discursos sem “cursos”.
Por outro lado, nos conformamos. Ficaria realmente difícil, senão impossível, os partidos apresentarem conteúdo na TV e no rádio, pois ninguém dá o que não tem. Em outras palavras, o que a maioria dos partidos leva para seus programas na TV e no rádio, é o que eles, infelizmente, têm a oferecer: nada.
É assim, ou quase, que nós brasileiros somos “convidados” a permanecer na poltrona (ô da poltrona) para assistir ou ouvir a propaganda obrigatória dos partidos políticos.
Particularmente, confesso que, como milhares de pessoas, faço o maior esforço para ouvir o que os políticos têm a dizer, na esperança e na torcida para que algo ou alguém me surpreenda, mas... ”eu presto atenção no que eles dizem e eles não dizem nada”.
Daí vem às perguntas obrigatórias e gratuitas: Por quê? Para quê? Para quem?
Ora, está mais que provado (e reprovado) que a maioria das pessoas, ou quase, muda de canal, desliga a televisão, vai pra cozinha, vai ao banheiro, liga para a sogra, discute com o marido, liga a internet, tenta dar conselhos ao filho mais novo, quando se anuncia a transmissão do programa político.
As razões são óbvias. Além da descrença com a classe política, o cidadão está cansado, saturado, enfastiado, de ouvir discursos repetitivos, mal redigidos, vazios e inconsistentes.
Chega até ser simplório, ver deputados e outros, se utilizarem do teleprompter – equipamento acoplado às câmeras que auxilia a leitura- para pronunciar 40 palavrinhas preparadas anteriormente, sem o mínimo de objetividade.
Fala-se muito em “programa propositivo” em uma tentativa de passar ao cidadão que “existem propostas para os graves problemas nacionais”. Balela. Continua existindo, isto sim, uma chuva de chavões como “lutamos pelos ideais do nosso partido, que é o bem estar da população menos assistida”. Ou “o nosso partido é o Brasil e não abrimos mão de exigir melhores condições de saúde, educação e moradia para a comunidade”.
Embora proibido, o que se observa é um palanque eleitoral ou mesmo a possibilidade de se exaltar determinado “figurões” dos partidos para alavancar votos e novos ingressantes.
O pluripartidarismo nos legou a análise combinatória dos “Pês”, a ausência de ideologias e os discursos sem “cursos”.
Por outro lado, nos conformamos. Ficaria realmente difícil, senão impossível, os partidos apresentarem conteúdo na TV e no rádio, pois ninguém dá o que não tem. Em outras palavras, o que a maioria dos partidos leva para seus programas na TV e no rádio, é o que eles, infelizmente, têm a oferecer: nada.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
"Compromessas" de governo
A política é a arte da mudança. Muda-se de partido, “de lado”, de ideologia, de “companheiros”, de opinião e de linguagem. Com relação à linguagem, a política é também, a arte da retórica. Aqui cabe lembrar que a retórica é elemento essencial para a publicidade, buscando convencer o consumidor que determinado produto é o melhor. No “politiquês”, a retórica busca convencer o eleitor, principalmente durante as campanhas eleitorais, que tal candidato é o mais indicado para exercer determinado cargo.
Mas, se reparamos bem, ao longo do tempo houve mudanças na linguagem, embora o “produto” que as pessoas comumente recebem é o mesmo. Tempos atrás, a linguagem do político era a do “eu prometo”. Prometiam-se tudo: casas, empregos, postos de saúde, hospitais, creches e cargos. Tudo era válido para se conquistar o voto e o devoto. Porém, como as promessas geralmente não eram cumpridas e o cidadão começou a perceber o engodo, mudou-se a forma de falar a mesma coisa. As promessas então, se tornaram “compromissos de governo”. Na verdade, são realizados “planos de governo” baseados, geralmente, em pesquisas pré-eleitorais junto à população. Depois disto, atende-se a demanda com propostas (outra palavrinha nova) para determinada cidade, estado ou federação. Passado algum tempo da posse do eleito, como ninguém mais se lembra das “propostas” (nem o eleitor, e, muito menos o eleito), fica tudo combinado e nada resolvido. Ou seja, se o eleitor cobrar as “promessas”, o eleito dirá que eram apenas “propostas” e daí, “empatemo, não ganhemo, nem perdemo, assinado NIcodemo”.
Contudo, (ainda bem que neste caso há a conjunção adversativa) existe já em 23 municípios brasileiros (incluindo São Paulo e Rio de Janeiro), um túnel no final da luz: a lei das metas. Uma emenda à lei orgânica do município que exige que os prefeitos apresentem, em geral até 90 dias após a posse, um plano de metas quantitativas e qualitativas para a sua gestão com base nas “propostas” da campanha eleitoral. Tal projeto foi inspirado em “Bogotá Como Vamos”, criado em 1997 na capital da Colômbia. Pela lei, os prefeitos são obrigados a apresentar periodicamente relatórios de desempenho. São Paulo, por exemplo, a avaliação das 223 metas do plano ocorre semestralmente e pode ser conferida pela internet. Não há punição legal contra os que não entregam o “proposto”, mas, pelo menos, os cidadãos terão uma “régua” para medir o que foi prometido (ops) e não foi cumprido.
Claro que não se resolve a situação com a existência da lei, ainda mais em um país onde existem leis que “pegam” e as que “não pegam”. Necessita-se do comprometimento do executivo municipal e de cobrança por parte dos cidadãos. No mínimo, é um avanço de gestão, quando na maioria dos municípios brasileiros, o eleitor sofre com a “indigestão” pública.
Mas, se reparamos bem, ao longo do tempo houve mudanças na linguagem, embora o “produto” que as pessoas comumente recebem é o mesmo. Tempos atrás, a linguagem do político era a do “eu prometo”. Prometiam-se tudo: casas, empregos, postos de saúde, hospitais, creches e cargos. Tudo era válido para se conquistar o voto e o devoto. Porém, como as promessas geralmente não eram cumpridas e o cidadão começou a perceber o engodo, mudou-se a forma de falar a mesma coisa. As promessas então, se tornaram “compromissos de governo”. Na verdade, são realizados “planos de governo” baseados, geralmente, em pesquisas pré-eleitorais junto à população. Depois disto, atende-se a demanda com propostas (outra palavrinha nova) para determinada cidade, estado ou federação. Passado algum tempo da posse do eleito, como ninguém mais se lembra das “propostas” (nem o eleitor, e, muito menos o eleito), fica tudo combinado e nada resolvido. Ou seja, se o eleitor cobrar as “promessas”, o eleito dirá que eram apenas “propostas” e daí, “empatemo, não ganhemo, nem perdemo, assinado NIcodemo”.
Contudo, (ainda bem que neste caso há a conjunção adversativa) existe já em 23 municípios brasileiros (incluindo São Paulo e Rio de Janeiro), um túnel no final da luz: a lei das metas. Uma emenda à lei orgânica do município que exige que os prefeitos apresentem, em geral até 90 dias após a posse, um plano de metas quantitativas e qualitativas para a sua gestão com base nas “propostas” da campanha eleitoral. Tal projeto foi inspirado em “Bogotá Como Vamos”, criado em 1997 na capital da Colômbia. Pela lei, os prefeitos são obrigados a apresentar periodicamente relatórios de desempenho. São Paulo, por exemplo, a avaliação das 223 metas do plano ocorre semestralmente e pode ser conferida pela internet. Não há punição legal contra os que não entregam o “proposto”, mas, pelo menos, os cidadãos terão uma “régua” para medir o que foi prometido (ops) e não foi cumprido.
Claro que não se resolve a situação com a existência da lei, ainda mais em um país onde existem leis que “pegam” e as que “não pegam”. Necessita-se do comprometimento do executivo municipal e de cobrança por parte dos cidadãos. No mínimo, é um avanço de gestão, quando na maioria dos municípios brasileiros, o eleitor sofre com a “indigestão” pública.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Drogas S/A
Invariavelmente, um assunto faz parte do cotidiano de todos os meios de comunicação: crimes relacionados ao consumo de drogas. Se atentarmos para os conceitos capitalistas e mercadológicos da oferta e da procura, de quem produz e quem consome, a droga é hoje a grande indústria mundial. A Organização das Nações Unidas estima que o tráfico movimente 400 bilhões de dólares no mundo, em comparação com a indústria farmacêutica global que fatura 300 bilhões; a do tabaco, 204 bilhões, e, a do álcool, 252 bilhões.
Temos de um lado, os produtores, desde pequenos de ”fundo de quintal” até os grandes da rede internacional do narcotráfico. Na relação entre quem produz e quem consome, uma complexa rede de distribuição, que envolve desde pequenos traficantes, os chamados “mulas”, até os “colarinhos brancos”, estes últimos geralmente oriundos de classe média alta.
Mas, tal indústria não existiria se, na outra ponta da cadeia, não estivessem os consumidores, os usuários, dependentes e co-dependentes que mantêm o comércio de compra e venda para alimentar o próprio consumo. Some-se a isto, a falência de nossas instituições agravada pela corrupção de policiais, morosidade da justiça e um sistema penal que favorece a escola do crime.
Como fator importante no mercado tem-se um meio ambiente propício. Se de um lado, o sistema incita ao consumo, de outro, segrega as pessoas, ampliando as injustiças e o crescimento da miséria social.
Seguindo ainda leis de mercado, a indústria das drogas lança a cada dia um novo produto (atualmente é o óxi) e uma nova unidade é inaugurada periodicamente em cada bairro de qualquer cidade do mundo.
Por tudo, são muitos especialistas e lideres mundiais que afirmam que o mundo já perdeu esta guerra, pois, as drogas estão mais baratas, mais puras e acessíveis, com progressão geométrica no número de “clientes”. Assim, a descriminalização e até a legalização das drogas são indicadas como “remédios” para uma civilização doente. Particularmente, a percepção é de que se não temos soluções, “aceitar e legalizar” é a única saída, o que não acreditamos.
Como deter a indústria da droga é a pergunta que se faz sem resposta convincente.
Alguns pontos, porém, parecem ser inquestionáveis. A necessidade de uma tomada de decisão realmente séria e profunda sobre o tema. A soma de várias frentes de combate: políticas, sociais, judiciárias e criminais. E, principalmente, como pilar de todas as atitudes, o que sugerimos denominar de EPI: Educação, Prevenção e Informação.
Importante é refletir que a Drogas S/A recebe a cada dia grandes investidores, resultado de um longo período de perda na Bolsa de Valores Humanos e da queda crescente nas ações de combate efetivo do problema.
Precisamos envolver todos os setores sociais: empresas públicas e privadas, instituições governamentais e não governamentais e, em conjunto com a comunidade, decretar a nossa concordata no presente, para que, no futuro, não tenhamos que admitir a falência do ser humano.
Temos de um lado, os produtores, desde pequenos de ”fundo de quintal” até os grandes da rede internacional do narcotráfico. Na relação entre quem produz e quem consome, uma complexa rede de distribuição, que envolve desde pequenos traficantes, os chamados “mulas”, até os “colarinhos brancos”, estes últimos geralmente oriundos de classe média alta.
Mas, tal indústria não existiria se, na outra ponta da cadeia, não estivessem os consumidores, os usuários, dependentes e co-dependentes que mantêm o comércio de compra e venda para alimentar o próprio consumo. Some-se a isto, a falência de nossas instituições agravada pela corrupção de policiais, morosidade da justiça e um sistema penal que favorece a escola do crime.
Como fator importante no mercado tem-se um meio ambiente propício. Se de um lado, o sistema incita ao consumo, de outro, segrega as pessoas, ampliando as injustiças e o crescimento da miséria social.
Seguindo ainda leis de mercado, a indústria das drogas lança a cada dia um novo produto (atualmente é o óxi) e uma nova unidade é inaugurada periodicamente em cada bairro de qualquer cidade do mundo.
Por tudo, são muitos especialistas e lideres mundiais que afirmam que o mundo já perdeu esta guerra, pois, as drogas estão mais baratas, mais puras e acessíveis, com progressão geométrica no número de “clientes”. Assim, a descriminalização e até a legalização das drogas são indicadas como “remédios” para uma civilização doente. Particularmente, a percepção é de que se não temos soluções, “aceitar e legalizar” é a única saída, o que não acreditamos.
Como deter a indústria da droga é a pergunta que se faz sem resposta convincente.
Alguns pontos, porém, parecem ser inquestionáveis. A necessidade de uma tomada de decisão realmente séria e profunda sobre o tema. A soma de várias frentes de combate: políticas, sociais, judiciárias e criminais. E, principalmente, como pilar de todas as atitudes, o que sugerimos denominar de EPI: Educação, Prevenção e Informação.
Importante é refletir que a Drogas S/A recebe a cada dia grandes investidores, resultado de um longo período de perda na Bolsa de Valores Humanos e da queda crescente nas ações de combate efetivo do problema.
Precisamos envolver todos os setores sociais: empresas públicas e privadas, instituições governamentais e não governamentais e, em conjunto com a comunidade, decretar a nossa concordata no presente, para que, no futuro, não tenhamos que admitir a falência do ser humano.
sábado, 21 de maio de 2011
Os Palácios de Palocci
No Brasil, país de grande fosso social entre ricos e pobres, existe certo preconceito (ou pósconceito) em relação aos milionários. Com uma população de maioria cristã, somos amedrontados também pelo ideia de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus”. Interessante pensar que o empresário Silvio Santos aproveitou para subir no assento do camelo e como camelô, construir sua fortuna. Contudo, existe sempre certa desconfiança de que algum crime foi ou está sendo cometido pelos afortunados. Afinal, se milhões recebem pouco e poucos recebem milhões, alguma coisa deve estar errada, principalmente, quando esses mi(bi)lionários são políticos e ocupam cargos públicos de destaque. Entre tantos (e entretantos) que construíram fortunas, o “Tio Patinhas” da atualidade é o ministro Antonio Palocci. Onde já se viu um ministro do Palácio, quer dizer, da Casa Civil, faturar 10 milhões em apenas dois meses, através da sua empresa de consultoria? Como explicar que, após a sua posse no governo, tenha havido tamanho crescimento de suas posses na vida particular?
Sobre o assunto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse com justiça, que há “muita fumaça e poucos fatos apresentados”. É verdade. Palocci tem realmente um passado cheio de “fumaça” e que vive saindo pelas chaminés das casas que ele freqüenta. Em 2006, um “caseiro” inconveniente, Francenildo Santos Costa, foi testemunha de acusação contra Palocci, no caso da casa do lobby, a ex-mansão do atual ministro, que serviria de sede para reuniões de lobistas e encontros com prostitutas, na chamada República de Ribeirão Preto. Agora, em outra moradia, na Casa Civil, uma nuvem de “fumaça”, parece indicar mais uma vez, que o fogo existe. O “rei” se tornou réu e as perguntas são muitas.
É ilegal um ministro de governo, ter, paralelamente uma empresa de consultoria? Se, antes de sua função no governo, ele já possuía a empresa, deveria ter sido convidado pela presidente Dilma para exercer uma função pública?
O que parece é que Palocci, mais uma vez, deverá ser inocentado e continuará como “inquilino” de luxo do governo. Alegará, com certeza, que já possuía a empresa e que, preservando a sua ética ministerial, nem atuava mais como consultor. E, se, as organizações utilizam a marca “Palocci” nas negociações com o governo e fora dele, que “culpa” tem ele?
Somos a favor do ministro. A “culpa” não é dele.
A culpa é de todo brasileiro que ainda preserva a reflexão de que muita coisa “legal” é por natureza, imoral. Que muita coisa licita, não edifica. Que ainda é preferível morar em um casebre, que viver em um “palácio” construído sob os pilares da corrupção e do desmando.
Sobre o assunto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse com justiça, que há “muita fumaça e poucos fatos apresentados”. É verdade. Palocci tem realmente um passado cheio de “fumaça” e que vive saindo pelas chaminés das casas que ele freqüenta. Em 2006, um “caseiro” inconveniente, Francenildo Santos Costa, foi testemunha de acusação contra Palocci, no caso da casa do lobby, a ex-mansão do atual ministro, que serviria de sede para reuniões de lobistas e encontros com prostitutas, na chamada República de Ribeirão Preto. Agora, em outra moradia, na Casa Civil, uma nuvem de “fumaça”, parece indicar mais uma vez, que o fogo existe. O “rei” se tornou réu e as perguntas são muitas.
É ilegal um ministro de governo, ter, paralelamente uma empresa de consultoria? Se, antes de sua função no governo, ele já possuía a empresa, deveria ter sido convidado pela presidente Dilma para exercer uma função pública?
O que parece é que Palocci, mais uma vez, deverá ser inocentado e continuará como “inquilino” de luxo do governo. Alegará, com certeza, que já possuía a empresa e que, preservando a sua ética ministerial, nem atuava mais como consultor. E, se, as organizações utilizam a marca “Palocci” nas negociações com o governo e fora dele, que “culpa” tem ele?
Somos a favor do ministro. A “culpa” não é dele.
A culpa é de todo brasileiro que ainda preserva a reflexão de que muita coisa “legal” é por natureza, imoral. Que muita coisa licita, não edifica. Que ainda é preferível morar em um casebre, que viver em um “palácio” construído sob os pilares da corrupção e do desmando.
Assinar:
Postagens (Atom)