- O primeiro gol da Holanda foi um achado. Depois dele, o Brasil ficou perdido.
- Perdemos por falta de cabeça em campo e por excesso dela: Felipe Melo e Sneijder que o digam.
- Nos outros jogos, a nossa camisa era amarela. Contra a Holanda jogamos com a camisa azul e amarelamos.
- Nesta Copa demos muita importância ao volante. Contra a Holanda, ficamos sem direção.
- Na Holanda a tradição é o tamanco. No Brasil, o nosso futebol “tá manco”.
- O Felipe Melo era o Bat man. O problema foi o Robben no meio do caminho.
- Após muitos questionamentos e análises chegou-se a um veredicto. O principal culpado pela derrota brasileira para a Holanda foi... a Holanda.
- Numerologia: Perdemos no dia 02, no 2º tempo, por 2 a 1, jogando um futebol de 2ª.
- A nossa seleção era uma das melhores da Copa. Perdemos para Holanda por falhas na nossa “cozinha”.
- O Brasil foi à Copa para jogar na defesa e no contra ataque. Mas, a favor do nosso ataque, não existe defesa.
- Dunga não será mais o técnico da Copa. Já tem novo emprego: será o próximo Ministro da Defesa.
- Na administração tivemos o Fordismo. Na Copa, o Dunguismo. Ford criou a linha de montagem. Dunga, a desmontagem.
- O Sonho acabou. Dunga não existe, nem a Branca de Neve. E os anões? Foram milhões dizendo isto: Ah! não!
- Robinho foi grande revelação da Copa. Foi o nosso melhor ator em campo. Fingiu que jogava e a gente acreditou.
- O Kaká foi para a Copa com acento. Voltou dela sem ele.
- Luis Fabiano foi fabuloso. Mostrou para todos que ele é muito melhor com as mãos do que com os pés.
- Apesar da derrota, temos uma certeza que nos anima: na copa de 2014 não voltaremos para casa.
sábado, 3 de julho de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Tropa brasileira convocada para batalha na África
O Capitão Dunga convocou os 23 soldados brasileiros que participarão da grande batalha campal da Copa do Mundo que acontecerá na África. “Comprometimento, coerência, amor a pátria” foram as palavras de ordem que justificaram a escolha dos guerreiros. O treinamento militar deverá acontecer na Granja Comary em Teresópolis, até o envio da tropa para os confrontos no território africano. Conforme determina o regulamento haverá hasteamento da bandeira e a execução do Hino Nacional em todos os dias de preparação, além, da realização obrigatória da Ordem Unida.
Comecei este texto com a convicção de que a Copa do Mundo de 2006 traumatizou milhões de brasileiros e individualmente, o técnico Dunga. De triste lembrança, o que faltou naquela seleção foi o orgulho de vestir a camisa da seleção brasileira. Depois que o Roberto Carlos arrumou as meias no jogo contra a França, começamos a arrumar as malas para voltar para casa. Os “amarelinhos” amarelaram.
O capitão Dunga convocou agora os guerreiros para a Copa e neste alistamento demonstrou que as atitudes individuais devem subordinar-se à missão do pelotão e à tarefa do grupo, assim mesmo, militarmente. Por um lado isto é muito positivo: deveremos ter um grupo disciplinado com espírito de corpo e patriotismo, disposto a suar a camisa para alcançar a vitória. “Nas cores de nossa farda, rebrilha a glória, fulge a vitória”.
Ninguém nega que o comprometimento e a garra são fatores importantes e nisto o Capitão Dunga tem a seu favor, o futebol de resultados: a seleção atual venceu a maioria de suas batalhas.
Por outra análise, a não convocação de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho nos deixa a sensação de que o talento, a magia e a criatividade, características que distinguem o futebol brasileiro, deram lugar ao pragmatismo, a garra e a força física, características que definem a maioria das seleções que irão à Copa. Esquecemos o que realmente nos diferencia para utilizar as mesmas armas que os nossos adversários certamente irão empregar.
Como estratégia de guerra, melhor seria se o Capitão Dunga tivesse lido “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, que afirma com total sabedoria: “A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante”.
Como uma “pátria de chuteiras” (ou será de coturnos?) estaremos frente à telinha torcendo para que as vozes de comando do técnico Dunga nos levem à vitória.
Mas, continuaremos acreditando que o melhor seria se as vitórias fossem frutos da arte, da firula, da ginga e do talento do jogador brasileiro.
Avante, Seleção!
“Assim ao Brasil faremos oferta igual de amor filial, e a ti Pátria, salvaremos, rebrilha a glória, fulge a vitória”.
Comecei este texto com a convicção de que a Copa do Mundo de 2006 traumatizou milhões de brasileiros e individualmente, o técnico Dunga. De triste lembrança, o que faltou naquela seleção foi o orgulho de vestir a camisa da seleção brasileira. Depois que o Roberto Carlos arrumou as meias no jogo contra a França, começamos a arrumar as malas para voltar para casa. Os “amarelinhos” amarelaram.
O capitão Dunga convocou agora os guerreiros para a Copa e neste alistamento demonstrou que as atitudes individuais devem subordinar-se à missão do pelotão e à tarefa do grupo, assim mesmo, militarmente. Por um lado isto é muito positivo: deveremos ter um grupo disciplinado com espírito de corpo e patriotismo, disposto a suar a camisa para alcançar a vitória. “Nas cores de nossa farda, rebrilha a glória, fulge a vitória”.
Ninguém nega que o comprometimento e a garra são fatores importantes e nisto o Capitão Dunga tem a seu favor, o futebol de resultados: a seleção atual venceu a maioria de suas batalhas.
Por outra análise, a não convocação de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho nos deixa a sensação de que o talento, a magia e a criatividade, características que distinguem o futebol brasileiro, deram lugar ao pragmatismo, a garra e a força física, características que definem a maioria das seleções que irão à Copa. Esquecemos o que realmente nos diferencia para utilizar as mesmas armas que os nossos adversários certamente irão empregar.
Como estratégia de guerra, melhor seria se o Capitão Dunga tivesse lido “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, que afirma com total sabedoria: “A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante”.
Como uma “pátria de chuteiras” (ou será de coturnos?) estaremos frente à telinha torcendo para que as vozes de comando do técnico Dunga nos levem à vitória.
Mas, continuaremos acreditando que o melhor seria se as vitórias fossem frutos da arte, da firula, da ginga e do talento do jogador brasileiro.
Avante, Seleção!
“Assim ao Brasil faremos oferta igual de amor filial, e a ti Pátria, salvaremos, rebrilha a glória, fulge a vitória”.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Carimbadas e repetidas
Quando crianças muitos de nós tinha o hábito de colecionar figurinhas. Eram álbuns que tratavam sobre diversos temas, uns até distribuíam prêmios. Existiam figurinhas que a gente chamava de carimbadas, pois eram as mais difíceis de serem encontradas. Mas, a maioria era de figurinhas repetidas, que todo mundo tinha. Hoje, esta mania retorna ao se aproximar a Copa do Mundo.
A vida da gente é um álbum e que no decorrer de nossa existência, muitas figurinhas irão fazendo parte dele. Saber quais são as figurinhas que comporão o nosso álbum, quais as realmente importantes e como elas são valiosas é uma escolha pessoal. Existem algumas, que a gente julga serem as mais importantes, as carimbadas, aquelas que, sem elas, o nosso álbum ficaria incompleto. Também existem as repetidas, aquelas que nem fazem parte mais do álbum, mas, que de repente aparecem novamente. Se a gente não sabe definir quais são as carimbadas, corremos o risco de trocá-las por outras que na verdade não eram essenciais. Existe muita gente também, que por não saber escolher, ou por escolher demais, continua sempre com o álbum incompleto. Para os mais experientes, o melhor mesmo é não se iludir com novas figurinhas e apostar nas mais valiosas, como um álbum de família. Mãe, por exemplo, só tem uma, por isto de inestimável valor. A figurinha da mãe é tão importante quanto a do pai, embora muitas vezes, este seja literalmente, uma figurinha difícil de aparecer.
Outras tão importantes são : a esposa, o marido, os filhos, os avós, os irmãos e irmãs. Uma figurinha difícil também de encontrar é um bom amigo. Caso você tenha a sorte de ter uma figurinha desta não a troque por nada.
Amanhã, todo o Brasil tem a atenção voltada para a convocação da seleção brasileira e a pergunta que não quer calar é: quais as figurinhas que farão parte do álbum do Dunga?
Embora as figurinhas da seleção façam parte apenas de 23 famílias brasileiras, pelo menos, por alguns dias, durante a Copa do Mundo, elas serão tão essenciais quanto àquelas que julgamos carimbadas em nossas vidas. Que o Dunga acerte nas suas escolhas, e faça Feliz cada um dos brasileiros, porque senão, ficaremos todos, com certeza, muito Zangados.
A vida da gente é um álbum e que no decorrer de nossa existência, muitas figurinhas irão fazendo parte dele. Saber quais são as figurinhas que comporão o nosso álbum, quais as realmente importantes e como elas são valiosas é uma escolha pessoal. Existem algumas, que a gente julga serem as mais importantes, as carimbadas, aquelas que, sem elas, o nosso álbum ficaria incompleto. Também existem as repetidas, aquelas que nem fazem parte mais do álbum, mas, que de repente aparecem novamente. Se a gente não sabe definir quais são as carimbadas, corremos o risco de trocá-las por outras que na verdade não eram essenciais. Existe muita gente também, que por não saber escolher, ou por escolher demais, continua sempre com o álbum incompleto. Para os mais experientes, o melhor mesmo é não se iludir com novas figurinhas e apostar nas mais valiosas, como um álbum de família. Mãe, por exemplo, só tem uma, por isto de inestimável valor. A figurinha da mãe é tão importante quanto a do pai, embora muitas vezes, este seja literalmente, uma figurinha difícil de aparecer.
Outras tão importantes são : a esposa, o marido, os filhos, os avós, os irmãos e irmãs. Uma figurinha difícil também de encontrar é um bom amigo. Caso você tenha a sorte de ter uma figurinha desta não a troque por nada.
Amanhã, todo o Brasil tem a atenção voltada para a convocação da seleção brasileira e a pergunta que não quer calar é: quais as figurinhas que farão parte do álbum do Dunga?
Embora as figurinhas da seleção façam parte apenas de 23 famílias brasileiras, pelo menos, por alguns dias, durante a Copa do Mundo, elas serão tão essenciais quanto àquelas que julgamos carimbadas em nossas vidas. Que o Dunga acerte nas suas escolhas, e faça Feliz cada um dos brasileiros, porque senão, ficaremos todos, com certeza, muito Zangados.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Pessoas e coisas
O assunto é antigo e cada vez mais atual. Coisas e pessoas fazem parte da vida de todos nós. Coisas como celular, carro, casa, computador. Pessoas como pai, mãe, filhos, esposa, marido, avós, e em primeiro lugar: a gente mesmo. Nos dias atuais, se fortalece a concepção de que estamos tratando coisas como se fossem pessoas e pessoas como se fossem coisas.Invertemos os papéis. Ao invés de usarmos as coisas, as coisas passaram a nos usar. Acreditamos que ao cuidar das coisas, melhoramos as pessoas e o nosso relacionamento com elas. Assim, por exemplo, nos obrigamos a dar a nós mesmos, coisas como um bom carro, uma boa casa, o home theater do momento. Ofertamos aos nossos filhos, um computador, o último modelo de celular, as grifes da moda.
Consumir passou a ser sinônimo de felicidade e a nossa vida se tornou uma vitrine. Parecer é mais importante que ser. Coisificamos as pessoas, transformando-as em produtos descartáveis. A embalagem se tornou mais importante que o conteúdo e a mídia e a propaganda trata de nos empacotar com as cores da moda. Isto está no vocabulário dos jovens, através da coisificação dos relacionamentos: peguei, usei, descartei... a fila anda. Tudo vira produção em série. Repare você nas festas de casamento e de aniversário: pompa e circunstância.
Os nossos encontros se tornaram virtuais, o nosso bate papo virou e-mail, o abraço real se tornou um gif animado. Transmutamos sentimentos em coisas. Concretizamos o abstrato para que este possua existência. Já não basta falar que gostamos, temos que demonstrar isso através das coisas: um buquê, um perfume, uma jóia. Comercializamos os desejos e capitalizamos os ideais. O promocional vence o institucional. Amor é um tempero, fé é o dízimo, vida é um plano de saúde. Tornamos-nos escravos das coisas, pois liberdade, já dizia um antigo comercial, é uma calça velha, azul e desbotada.
Consumir passou a ser sinônimo de felicidade e a nossa vida se tornou uma vitrine. Parecer é mais importante que ser. Coisificamos as pessoas, transformando-as em produtos descartáveis. A embalagem se tornou mais importante que o conteúdo e a mídia e a propaganda trata de nos empacotar com as cores da moda. Isto está no vocabulário dos jovens, através da coisificação dos relacionamentos: peguei, usei, descartei... a fila anda. Tudo vira produção em série. Repare você nas festas de casamento e de aniversário: pompa e circunstância.
Os nossos encontros se tornaram virtuais, o nosso bate papo virou e-mail, o abraço real se tornou um gif animado. Transmutamos sentimentos em coisas. Concretizamos o abstrato para que este possua existência. Já não basta falar que gostamos, temos que demonstrar isso através das coisas: um buquê, um perfume, uma jóia. Comercializamos os desejos e capitalizamos os ideais. O promocional vence o institucional. Amor é um tempero, fé é o dízimo, vida é um plano de saúde. Tornamos-nos escravos das coisas, pois liberdade, já dizia um antigo comercial, é uma calça velha, azul e desbotada.
sábado, 17 de abril de 2010
Blogs: Facas e Facadas
Tem crescido no mundo as redes sociais, fruto da presença da Internet no cotidiano das pessoas. Blogs, orkuts, twitters, são os novos formatos que invadiram o mundo virtual. E como tudo o que é pessoal, cada um usa a sua maneira, de acordo com a sua cultura, sua formação, jeito de ver a vida e as coisas. Nada mais natural e democrático.
Em Poços de Caldas, não é diferente. Os blogs chegam onde a mídia tradicional (jornais, emissoras de rádio e televisão) tem dificuldades para alcançar. A velocidade, a facilidade de postagem de comentários, baixo custo e a interatividade são características que auxiliam o crescimento, leitura e audiência dos blogs.
Este instrumento se tornou então, um espaço de discussão e reflexão de muitos assuntos: literatura, política, esporte, comportamento, saúde etc. Os blogs têm contribuído para ampliar o conhecimento, a pluralizar a informação e principalmente, a formar redes de pessoas que possuam interesses comuns. Assim, se gosto de futebol e crio um blog sobre o assunto, em pouco tempo, inúmeros outros amantes do esporte estarão se comunicando comigo e neste contato, cria-se o que se pode chamar de inteligência coletiva, fruto da soma dos conhecimentos.
Daí a importância dos blogs nos dias atuais. Veículos de informação e formação cultural, científica, de cidadania até, através do convívio salutar entre opiniões divergentes.
O blog assim é faca que auxilia a cortar alimentos diferenciados formando uma “salada mista” salutar para a sociedade, pelas cores contrastantes, diversificação e pluralidade dos nutrientes.
Porém, se muitos que criam e utilizam os blogs têm esta concepção, outros infelizmente, se valem do mesmo instrumento como “arma branca” com o objetivo de alimentar desavenças, inimizades, semear inverdades e maledicências.
Atrás de um anonimato intencional ou de um codinome, se aproveitam de blogs de maior audiência e utilizam o espaço para caluniar, difamar e macular a imagem de pessoas e instituições.
Infelizmente, não há o que fazer, já que cada um usa a linguagem de acordo com a sua ética, sua moral e (in) compreensão do mundo.
Cabe ao leitor, pelo menos àqueles que acreditam no blog como instrumento do saber e do crescimento coletivo, separar o “joio do trigo”, norteado pela sabedoria milenar que nos ensina que “pessoas inteligentes discutem idéias, outras medianas discutem eventos e outras ainda discutem pessoas”.
Em Poços de Caldas, não é diferente. Os blogs chegam onde a mídia tradicional (jornais, emissoras de rádio e televisão) tem dificuldades para alcançar. A velocidade, a facilidade de postagem de comentários, baixo custo e a interatividade são características que auxiliam o crescimento, leitura e audiência dos blogs.
Este instrumento se tornou então, um espaço de discussão e reflexão de muitos assuntos: literatura, política, esporte, comportamento, saúde etc. Os blogs têm contribuído para ampliar o conhecimento, a pluralizar a informação e principalmente, a formar redes de pessoas que possuam interesses comuns. Assim, se gosto de futebol e crio um blog sobre o assunto, em pouco tempo, inúmeros outros amantes do esporte estarão se comunicando comigo e neste contato, cria-se o que se pode chamar de inteligência coletiva, fruto da soma dos conhecimentos.
Daí a importância dos blogs nos dias atuais. Veículos de informação e formação cultural, científica, de cidadania até, através do convívio salutar entre opiniões divergentes.
O blog assim é faca que auxilia a cortar alimentos diferenciados formando uma “salada mista” salutar para a sociedade, pelas cores contrastantes, diversificação e pluralidade dos nutrientes.
Porém, se muitos que criam e utilizam os blogs têm esta concepção, outros infelizmente, se valem do mesmo instrumento como “arma branca” com o objetivo de alimentar desavenças, inimizades, semear inverdades e maledicências.
Atrás de um anonimato intencional ou de um codinome, se aproveitam de blogs de maior audiência e utilizam o espaço para caluniar, difamar e macular a imagem de pessoas e instituições.
Infelizmente, não há o que fazer, já que cada um usa a linguagem de acordo com a sua ética, sua moral e (in) compreensão do mundo.
Cabe ao leitor, pelo menos àqueles que acreditam no blog como instrumento do saber e do crescimento coletivo, separar o “joio do trigo”, norteado pela sabedoria milenar que nos ensina que “pessoas inteligentes discutem idéias, outras medianas discutem eventos e outras ainda discutem pessoas”.
terça-feira, 13 de abril de 2010
A vida editada
Se cada um de nós tivesse gravado todos os momentos da própria vida, provavelmente, faríamos alguns cortes. Ou seja, sentaríamos em uma mesa de edição de imagens e eliminaríamos alguns momentos que não foram lá muito felizes. Algumas ações que nos prejudicaram e também aos outros. O acidente provocado por um gole a mais, um não que dissemos quando queríamos dizer sim e vice versa. Uma resposta errada, uma agressão física, uma mentira, enfim, uma decisão errônea que tomamos em determinado momento e que só posteriormente percebemos que foi equivocada. Nesta edição, logicamente, muito mais sintetizada, mostraríamos todos os momentos felizes, ou mesmo, faríamos vários filmes curtos, retirados do mesmo roteiro, com objetivos específicos. Um filme com final feliz, outro dramático, outro de suspense, um fato trágico. Estes seriam utilizados em ocasiões diferentes, e normalmente, repare você, já fazemos isto no cotidiano. Quando queremos emocionar, por exemplo, passamos o filme do nascimento do filho. Quando queremos criticar, citamos um fato em que nos sentimos prejudicados e assim por diante.
O que ocorre, porém, é que a vida é construída, dia após dia, e neste filme, não se permitem cortes. Há uma sequência que envolve muitos personagens, que compromete todo o roteiro e que não podemos “escolher” o que mais no interessa em determinado momento. Infelizmente, não podemos editar a vida. Mas, espere aí. Esta frase última pode ser editada aqui mesmo neste espaço, retirando o “in” e o “não “e ela ficaria assim: Felizmente podemos editar a vida.
Meus caros amigos, telespectadores, ouvintes e leitores, existe sim uma possibilidade de edição da vida: a mídia. Através das matérias que são veiculadas nos jornais, rádios, televisões, internet, podemos fracionar determinado assunto e veicular da forma com que imaginamos, ou, como imaginam e querem os repórteres, redatores, produtores, editores, proprietários dos veículos de comunicação etc.
Você concedeu entrevista a uma emissora de televisão e falou durante vários minutos sobre determinado assunto. Quando você foi assistir a reportagem, o que aconteceu? Cortaram muito do que você disse e colocaram apenas uma frase e que na verdade, não traduzia, no contexto, aquilo que você pensava.
Não fique triste. Isto já aconteceu na história da humanidade. Karl Marx, por exemplo, paga um preço muito caro até hoje, por ter dito, que “a religião é o ópio do povo”, quando no contexto, queria chamar a atenção das pessoas para os problemas gerados pelo capitalismo selvagem.
Naturalmente, existem outros lados da mesma moeda. Os meios de comunicação trabalham com as limitações do tempo e do espaço. Isto faz com que muito do material bruto seja cortado pela impossibilidade física de veiculação. Outro dado importante é que estes meios são empresas como quaisquer outras e enfrentam problemas: a competitividade acirrada, recursos humanos, impostos, atendimento às necessidades de clientes cada vez mais exigentes etc.
De qualquer forma (e que não me editem e nem distorçam o pensamento) é importante refletir como usuários (todos nós) dos meios de comunicação que nem tudo o que é veiculado corresponde à total veracidade dos fatos. Existem programas que, muitas vezes manipulam os fatos, que comprometem a vida de um profissional, de uma instituição, de uma pessoa, de uma comunidade, por fragmentarem inescrupulosamente a realidade. Geralmente são programas bem produzidos, inteligentes, mas que falham na ética, pois acreditam, literalmente, que os fins justificam os meios, custe o que custar. Mesmo que vidas sejam destruídas, empresas sejam extintas e uma comunidade seja exposta em rede nacional apenas por uma face de sua história.
O que ocorre, porém, é que a vida é construída, dia após dia, e neste filme, não se permitem cortes. Há uma sequência que envolve muitos personagens, que compromete todo o roteiro e que não podemos “escolher” o que mais no interessa em determinado momento. Infelizmente, não podemos editar a vida. Mas, espere aí. Esta frase última pode ser editada aqui mesmo neste espaço, retirando o “in” e o “não “e ela ficaria assim: Felizmente podemos editar a vida.
Meus caros amigos, telespectadores, ouvintes e leitores, existe sim uma possibilidade de edição da vida: a mídia. Através das matérias que são veiculadas nos jornais, rádios, televisões, internet, podemos fracionar determinado assunto e veicular da forma com que imaginamos, ou, como imaginam e querem os repórteres, redatores, produtores, editores, proprietários dos veículos de comunicação etc.
Você concedeu entrevista a uma emissora de televisão e falou durante vários minutos sobre determinado assunto. Quando você foi assistir a reportagem, o que aconteceu? Cortaram muito do que você disse e colocaram apenas uma frase e que na verdade, não traduzia, no contexto, aquilo que você pensava.
Não fique triste. Isto já aconteceu na história da humanidade. Karl Marx, por exemplo, paga um preço muito caro até hoje, por ter dito, que “a religião é o ópio do povo”, quando no contexto, queria chamar a atenção das pessoas para os problemas gerados pelo capitalismo selvagem.
Naturalmente, existem outros lados da mesma moeda. Os meios de comunicação trabalham com as limitações do tempo e do espaço. Isto faz com que muito do material bruto seja cortado pela impossibilidade física de veiculação. Outro dado importante é que estes meios são empresas como quaisquer outras e enfrentam problemas: a competitividade acirrada, recursos humanos, impostos, atendimento às necessidades de clientes cada vez mais exigentes etc.
De qualquer forma (e que não me editem e nem distorçam o pensamento) é importante refletir como usuários (todos nós) dos meios de comunicação que nem tudo o que é veiculado corresponde à total veracidade dos fatos. Existem programas que, muitas vezes manipulam os fatos, que comprometem a vida de um profissional, de uma instituição, de uma pessoa, de uma comunidade, por fragmentarem inescrupulosamente a realidade. Geralmente são programas bem produzidos, inteligentes, mas que falham na ética, pois acreditam, literalmente, que os fins justificam os meios, custe o que custar. Mesmo que vidas sejam destruídas, empresas sejam extintas e uma comunidade seja exposta em rede nacional apenas por uma face de sua história.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O "caminhão" e o sonho
Você, com certeza, já enfrentou a seguinte situação: está de carro em uma rodovia e na sua frente trafega um caminhão. A rodovia é de pista única e a faixa contínua sinaliza que é proibida a ultrapassagem. O que fazer? Seguindo os princípios da direção defensiva, o melhor é reduzir a velocidade para estar compatível com a do caminhão e aguardar o momento propício e legal para realizar a ultrapassagem.
A administração pública (federal, estadual e municipal) é um caminhão pesado, pois carrega vários departamentos, secretarias, milhões de servidores e que deve trafegar em uma velocidade compatível com as leis de responsabilidade fiscal, diretrizes orçamentárias, licitação etc.
Desta forma, são muitas as pessoas que reclamam da burocracia e da conseqüente lentidão da administração pública, incluindo os próprios servidores públicos. Não é raro encontrar pelos corredores, servidores lamentando que não conseguem resolver determinado problema dado à velocidade do “caminhão”.
No início da carreira seja como concursado ou mesmo exercendo cargo de confiança, os servidores bens intencionados buscam aumentar a velocidade, agilizando processos, dinamizando as ações, criando alternativas. Surge até o “servidor voluntário”- aquele que tenta resolver os problemas trazendo de sua própria residência, algum equipamento ou ferramenta necessária ao melhor desempenho de sua função. Começam também a surgir os primeiros conflitos com outros servidores já acostumados (ou acomodados) à lentidão e a pouca resolubilidade do “caminhão”. Estes servidores bem intencionados se descabelam, discutem com outros do mesmo local de trabalho, começam a ter problemas de saúde, entram em depressão e pedem até afastamento temporário.
Tais fases são como as dos sintomas do luto, definidas pela psicologia: o choque, a negação, a raiva, a depressão e, por fim, a aceitação com o “modus operandis” do “caminhão”. O servidor percebe que não pode ultrapassar o caminhão (as leis não permitem), que se tentar aumentar a velocidade irá bater na traseira do caminhão (ter problemas de saúde) e que lhe cabe apenas reduzir a velocidade, ou seja, se adaptar com o tráfego lento da rodovia (se acomodar com a situação).
Os “motoristas” dos caminhões, por sua vez, passam também pelas mesmas frustrações: não conseguem dirigir na velocidade que esperavam (os tacógrafos não permitem), não têm o combustível (dinheiro) que imaginavam e ainda enfrentam as pressões naturais (ou não) da função, isto para não mencionar os “caronas” do poder.
O próprio ambiente público gera insatisfações. O servidor concursado a cada quatro anos é obrigado a conviver com um novo chefe, uma nova administração e novas diretrizes. Ao longo do tempo, este mesmo servidor já nem se incomoda mais e fica anestesiado e apático com as mudanças. Além disso, há uma competitividade entre os “cargos de confiança” para ver quem ganha a “confiança” do chefe e isto causa desconfianças e inseguranças no setor.
O assunto é amplo, o debate é nacional e as soluções são complexas. O descrédito é geral e os desanimados são em grande número. Porém, é necessário acreditar em novas formas de gestão pública para que os “caminhões” trafeguem mais rapidamente pela rodovia do desenvolvimento. Para muitos que há anos estão no serviço público e que já passaram por dezenas de vezes pelos mesmos problemas, isto não passa de utopia, um sonho impossível, pois, “nada vai mudar, a máquina pública é assim mesmo”.
É necessário acreditar na possibilidade concreta, no planejamento e em estudos, para que, mesmo em longo prazo se realize a troca dos pneus, com o caminhão em movimento.
A máquina pública está com as suas engrenagens enferrujadas consumindo as iniciativas e limitando as atitudes. Sem atitudes concretas, o sonho pode ficar cada vez mais distante tornando real a ironia observada em frase colocada no pára-choque de um caminhão: “O sonho não acabou. E ainda temos pão doce, maria-mole e queijadinha”.
A administração pública (federal, estadual e municipal) é um caminhão pesado, pois carrega vários departamentos, secretarias, milhões de servidores e que deve trafegar em uma velocidade compatível com as leis de responsabilidade fiscal, diretrizes orçamentárias, licitação etc.
Desta forma, são muitas as pessoas que reclamam da burocracia e da conseqüente lentidão da administração pública, incluindo os próprios servidores públicos. Não é raro encontrar pelos corredores, servidores lamentando que não conseguem resolver determinado problema dado à velocidade do “caminhão”.
No início da carreira seja como concursado ou mesmo exercendo cargo de confiança, os servidores bens intencionados buscam aumentar a velocidade, agilizando processos, dinamizando as ações, criando alternativas. Surge até o “servidor voluntário”- aquele que tenta resolver os problemas trazendo de sua própria residência, algum equipamento ou ferramenta necessária ao melhor desempenho de sua função. Começam também a surgir os primeiros conflitos com outros servidores já acostumados (ou acomodados) à lentidão e a pouca resolubilidade do “caminhão”. Estes servidores bem intencionados se descabelam, discutem com outros do mesmo local de trabalho, começam a ter problemas de saúde, entram em depressão e pedem até afastamento temporário.
Tais fases são como as dos sintomas do luto, definidas pela psicologia: o choque, a negação, a raiva, a depressão e, por fim, a aceitação com o “modus operandis” do “caminhão”. O servidor percebe que não pode ultrapassar o caminhão (as leis não permitem), que se tentar aumentar a velocidade irá bater na traseira do caminhão (ter problemas de saúde) e que lhe cabe apenas reduzir a velocidade, ou seja, se adaptar com o tráfego lento da rodovia (se acomodar com a situação).
Os “motoristas” dos caminhões, por sua vez, passam também pelas mesmas frustrações: não conseguem dirigir na velocidade que esperavam (os tacógrafos não permitem), não têm o combustível (dinheiro) que imaginavam e ainda enfrentam as pressões naturais (ou não) da função, isto para não mencionar os “caronas” do poder.
O próprio ambiente público gera insatisfações. O servidor concursado a cada quatro anos é obrigado a conviver com um novo chefe, uma nova administração e novas diretrizes. Ao longo do tempo, este mesmo servidor já nem se incomoda mais e fica anestesiado e apático com as mudanças. Além disso, há uma competitividade entre os “cargos de confiança” para ver quem ganha a “confiança” do chefe e isto causa desconfianças e inseguranças no setor.
O assunto é amplo, o debate é nacional e as soluções são complexas. O descrédito é geral e os desanimados são em grande número. Porém, é necessário acreditar em novas formas de gestão pública para que os “caminhões” trafeguem mais rapidamente pela rodovia do desenvolvimento. Para muitos que há anos estão no serviço público e que já passaram por dezenas de vezes pelos mesmos problemas, isto não passa de utopia, um sonho impossível, pois, “nada vai mudar, a máquina pública é assim mesmo”.
É necessário acreditar na possibilidade concreta, no planejamento e em estudos, para que, mesmo em longo prazo se realize a troca dos pneus, com o caminhão em movimento.
A máquina pública está com as suas engrenagens enferrujadas consumindo as iniciativas e limitando as atitudes. Sem atitudes concretas, o sonho pode ficar cada vez mais distante tornando real a ironia observada em frase colocada no pára-choque de um caminhão: “O sonho não acabou. E ainda temos pão doce, maria-mole e queijadinha”.
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