Você acorda, abre os olhos e sente a divina e insubstituível sensação de estar vivo. Mais que depressa pega o seu “cartão de crédito” e, apesar de não saber o saldo que ainda lhe resta, agradece a possibilidade de ter mais 24 horas para gastar como lhe aprouver.
Enquanto toma café (que dádiva esse prazer), pensa em como irá investir o seu tempo no dia de hoje. Seus olhos brilham, pois, o sol que lhe aquece, convida também para uma caminhada matinal, antes do trabalho. Agradece pela saúde do corpo e da mente. Reflete ainda que, enquanto muitos estão na estatística do desemprego, você tem a divina oportunidade de ocupar o seu tempo realizando algo que lhe traz satisfação e que, de alguma forma, atende a necessidade de alguém.
Em meio à reflexão, lembra de um amigo que está no hospital. Revê em sua mente as várias cenas que dividiram juntos e neste instante, lágrimas lhe descem pela face. Inclui em sua programação, um reencontro e, ao mesmo tempo, faz uma prece para que o “cartão” dele ainda tenha muitos créditos a serem gastos.
Enquanto caminha, percebe as diversas manifestações do cotidiano: um senhor e um cachorro andam juntos em uma silenciosa cumplicidade; um pai atento leva pelas mãos a filha em direção a escola; garis recolhem o lixo que se avolumam nas calçadas, como se fizessem parte de uma equipe de balé sincronizado; uma senhora de cabelos brancos carrega nos braços, o pão e o leite, símbolos diários de união familiar em uma mesa de cozinha; carros apressados trafegam nas artérias da cidade em um incessante e contínuo movimento. (O sangue parece também correr mais em suas veias). Simultaneamente, no banco da praça, amigos de idade avançada confidenciam e relembram histórias. Você agradece por ser espectador e ator coadjuvante no universo. “É a vida, é bonita e é bonita...”
Mas, uma cena lhe recorda o avesso. Uma criança pede esmola na calçada e ao olhar para ela, você se transporta a outros lugares. Pode sentir no corpo, vidas se esvaindo na seringa das drogas, no copo da bebida que transborda desencantos, na prostituição que seqüestra almas, na violência que aborta os sonhos.
Quantos “cartões” desperdiçando créditos valiosos? Quantas vidas estão em débito consigo mesmas? Quanto tempo ainda resta para um reencontro, um recomeço, um reviver?
Sim, porque a vida não se estoca, não se prorroga, não se economiza hoje para se gastar amanhã. Ela é perecível, singular, insubstituível. É terna. É divina, pois imagem e semelhança.
Vida é substantivo que convida a viver com todos os adjetivos: grandiosa, brilhante, ativa, solidária, feliz...
Você continua sua caminhada pelas ruas. A vida conta com você.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Dura Lex , Sed Lex?
A vida de qualquer cidadão é regulamentada por leis. Tem lei pra tudo. Pense comigo. Só para começar, se você mora em apartamento, tem as leis do condomínio, se mora em casa, deve respeitar a lei do silêncio, isso sem falar na lei de zoneamento. Ao sair de casa, seja pedestre ou motorista, deve respeitar as leis de transito. Tem gente que leva isso tão a sério que tem lei até no nome: Durcilei, Francislei, Vanderlei. Mas, o mais grave não é a lei da gravidade, é o desrespeito à lei, fruto muitas vezes das ações daqueles que são justamente os responsáveis por elaborar as leis. Alías, o nosso país é um dos poucos onde existe lei que pega e lei que não pega, ou seja, existem leis que já nascem para serem desrespeitadas mesmo. Por outro lado, existem leis no Brasil que pegaram. Uma delas é a que ficou conhecida como a Lei de Gerson, ou seja, aquela dos que querem levar vantagem em tudo, certo?
A outra é a lei do menor esforço, ou seja, faz assim mesmo que tá bom. Outra que pode ter uma releitura apropriada em nosso país é a lei da inércia, criada por Newton, que determina que “na ausência de fatores externos, um objeto em repouso permanece em repouso”. Talvez, por isso, pela inércia de todos nós brasileiros, é que muitos políticos fora da lei, continuam no repouso das suas benesses, exercendo os seus podres poderes, com já disse Caetano.
E olha não é por falta de lei que esse país não se endireita. O Brasil lidera o ranking mundial em matéria de fabricação de leis. Temos 25 mil leis federais, cinco mil decretos leis, mais de um milhão e meio de atos normativos, centenas de resoluções, além das famosas medidas provisórias. Das mais de 22 mil propostas apresentadas por deputados e senadores desde 2003, cerca de 70% delas foram requerimentos e matérias com pouco ou nenhum impacto na coletividade. É lei de mais e soluções de menos, muita atividade, pouca produtividade. E olha que o Brasil é o sétimo país do mundo que paga melhor os seus parlamentares.
Por último vale refletir uma frase de Anacaris, um dos sete sábios da Grécia: “as leis são como teias de aranha, os pequenos insetos prendem-se nelas e os grandes rasgam-nas facilmente.”
A outra é a lei do menor esforço, ou seja, faz assim mesmo que tá bom. Outra que pode ter uma releitura apropriada em nosso país é a lei da inércia, criada por Newton, que determina que “na ausência de fatores externos, um objeto em repouso permanece em repouso”. Talvez, por isso, pela inércia de todos nós brasileiros, é que muitos políticos fora da lei, continuam no repouso das suas benesses, exercendo os seus podres poderes, com já disse Caetano.
E olha não é por falta de lei que esse país não se endireita. O Brasil lidera o ranking mundial em matéria de fabricação de leis. Temos 25 mil leis federais, cinco mil decretos leis, mais de um milhão e meio de atos normativos, centenas de resoluções, além das famosas medidas provisórias. Das mais de 22 mil propostas apresentadas por deputados e senadores desde 2003, cerca de 70% delas foram requerimentos e matérias com pouco ou nenhum impacto na coletividade. É lei de mais e soluções de menos, muita atividade, pouca produtividade. E olha que o Brasil é o sétimo país do mundo que paga melhor os seus parlamentares.
Por último vale refletir uma frase de Anacaris, um dos sete sábios da Grécia: “as leis são como teias de aranha, os pequenos insetos prendem-se nelas e os grandes rasgam-nas facilmente.”
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
SOBRE INFLUENZA, STRESS E VIROSE
Se você é da época que quando ficava com difluxo, ou seja, gripado, bastava um chazinho, ou uma beberagem preparado por sua mãe, ou sua avó, sinto em lhe dizer que as doenças mudaram muito. Por exemplo, essa gripe de agora que engripou o mundo global. Quando ela atinge as classes sociais mais influentes, é chamada de influenza A, ou seja, gripe para pessoas influentes da classe A. Em outras palavras, uma gripe com grife. Mas, se você for de classe social com menor poder aquisitivo, que é como os ricos chamam os pobres, aí, não tem jeito, é gripe suína mesmo. É uma gripe tão refinada que exige luva e máscara para ser evitada. Aliás, supera até os doutores da igreja. Em alguns templos da cidade, foi solicitado aos fiéis que eles se cumprimentassem apenas com um aceno de mão ou de cabeça, para evitar o contato físico. Ou seja, confie em Deus, mas desconfie da gripe.
Quer outro exemplo? Antigamente quando uma pessoa se sentia cansada demais, com “excesso de costura”, quer dizer de trabalho, dizia-se que ela estava com estafa. Qualquer coisa, ela tinha um xilique, quer dizer, uma crise nervosa. Nos dias atuais, o mesmo sintoma ganhou uma palavra mais nobre: estresse. Se preferir diga stress, fica très chic. Mas tome cuidado, o stress pode provocar queda na imunidade e você poderá contrair a influenza A. Em outras palavras, a estafa pode deixar você fraco para pegar a gripe suína.
Outra moda de hoje é a tal da virose. Ela pode ser atribuída a qualquer doença quando não se descobre a causa. O médico virou você de bruços, virou você de lado, virou você de frente e não descobriu a doença. Nem bem você virou as costas e ele lhe dá o diagnóstico: Você está com virose!
É, o mundo das doenças está cada vez mais difícil de ser traduzido.
Por tudo e em caso de dúvida, o Ministério da Saúde, adverte: não desaparecendo os sintomas, procure um médico, acompanhado de um dicionário.
Quer outro exemplo? Antigamente quando uma pessoa se sentia cansada demais, com “excesso de costura”, quer dizer de trabalho, dizia-se que ela estava com estafa. Qualquer coisa, ela tinha um xilique, quer dizer, uma crise nervosa. Nos dias atuais, o mesmo sintoma ganhou uma palavra mais nobre: estresse. Se preferir diga stress, fica très chic. Mas tome cuidado, o stress pode provocar queda na imunidade e você poderá contrair a influenza A. Em outras palavras, a estafa pode deixar você fraco para pegar a gripe suína.
Outra moda de hoje é a tal da virose. Ela pode ser atribuída a qualquer doença quando não se descobre a causa. O médico virou você de bruços, virou você de lado, virou você de frente e não descobriu a doença. Nem bem você virou as costas e ele lhe dá o diagnóstico: Você está com virose!
É, o mundo das doenças está cada vez mais difícil de ser traduzido.
Por tudo e em caso de dúvida, o Ministério da Saúde, adverte: não desaparecendo os sintomas, procure um médico, acompanhado de um dicionário.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Caminhar
Você tem caminhado ultimamente? Não, não estou me referindo a “fazer caminhada” ou “praticar o Cooper”, ou ainda “andar na esteira”. Estas ações que, para nós, seres bípedes deste século, tornaram-se sinônimos de caminhar. Na realidade, são apenas produtos de uma sociedade que capitalizou a saúde, que nos impôs fórmulas para alcançar, a não menos pasteurizada e homogeneizada, “qualidade de vida”.
Repare em todos nós que andamos, ou corremos, nos parques e avenidas. Diga-me se não parecemos andróides, personagens reais do Blade Runner ou de “O Admirável Mundo Novo”. Colocamos roupas e calcados adequados, fazemos “cara de saudável”, disfarçamos nossas preocupações e pronto: vamos para a pista de caminhada. (Não é irônico refletir que hoje para caminhar necessitamos de uma pista? Viramos máquinas, literalmente). Dizem, os médicos, os personal trainers, os proprietários de academia, as revistas e o vizinho ao lado, que faz bem para a saúde. Não discutimos, mas, tais atitudes nada tem a ver com caminhar. Ah! Como as palavras perderão suas origens. Como já esquecemos o que é caminhar.
Caminhar não é utilizar as pernas e os pés. Exige mais alma que músculos. É mais filosofia que anatomia, mais introversão que extroversão, mais conteúdo que imagem. É percorrer um caminho, reparar no caminho, viver o caminho.
Experimente em uma noite dessas, andar pelas ruas, naquelas que fizeram parte da sua infância. Veja as casas, repare nas janelas e portas, naquele muro ou portão que fez parte do seu primeiro amasso. Inale o perfume das flores, se apaixone pela mesma lua, aquiete o seu coração. Perceba, depois de muito tempo, você voltou a caminhar.
Repare em todos nós que andamos, ou corremos, nos parques e avenidas. Diga-me se não parecemos andróides, personagens reais do Blade Runner ou de “O Admirável Mundo Novo”. Colocamos roupas e calcados adequados, fazemos “cara de saudável”, disfarçamos nossas preocupações e pronto: vamos para a pista de caminhada. (Não é irônico refletir que hoje para caminhar necessitamos de uma pista? Viramos máquinas, literalmente). Dizem, os médicos, os personal trainers, os proprietários de academia, as revistas e o vizinho ao lado, que faz bem para a saúde. Não discutimos, mas, tais atitudes nada tem a ver com caminhar. Ah! Como as palavras perderão suas origens. Como já esquecemos o que é caminhar.
Caminhar não é utilizar as pernas e os pés. Exige mais alma que músculos. É mais filosofia que anatomia, mais introversão que extroversão, mais conteúdo que imagem. É percorrer um caminho, reparar no caminho, viver o caminho.
Experimente em uma noite dessas, andar pelas ruas, naquelas que fizeram parte da sua infância. Veja as casas, repare nas janelas e portas, naquele muro ou portão que fez parte do seu primeiro amasso. Inale o perfume das flores, se apaixone pela mesma lua, aquiete o seu coração. Perceba, depois de muito tempo, você voltou a caminhar.
domingo, 19 de julho de 2009
Drogas do cotidiano
Existem drogas que toda a sociedade conhece de uso ilegal no Brasil: a maconha, o crack, a cocaína. Responsáveis por dizimar sonhos, por assassinar ideais, por desconstruir famílias.
Mas, existem outras tão letais quanto estas, mas que são legalmente inaladas e absorvidas pelos usuários, cidadãos comuns de uma sociedade doente.
Uma delas vem embrulhada em papel de presente. Droga estimulante muito citada em livros, revistas técnicas e em palestras proferidas pelas inteligências do mundo moderno: a competitividade. Esta droga nos força a ser super-heróis, a considerar todos a nossa volta como adversários. Torna maior também as nossas exigências sobre nossos filhos, empregados ou colegas de trabalho. A competitividade do "Você Sociedade Anônima", dos treinamentos que se rotulam como motivadores do ser, quando na verdade, incitam ao ter. A competitividade em casa, na escola, no trabalho. Qual é o nosso diferencial competitivo? Como vencer nossos oponentes? O que nos faz melhor que os outros? Como alcançar o sucesso?
Outra droga tem também embalagem atraente, sedutora, como subproduto da competição: a droga do consumo. É o carro X, o celular Y, o mais novo lançamento. Aquele produto que trará um novo status, a ascensão social, a aceitação e o reconhecimento de todos e que nos deixa depressivos quando não conseguimos atender ao convite do "Compre! Aproveite! Não perca esta promoção!".
Existe outro alucinógeno mortal que modifica comportamentos e que na maioria das vezes, se veste de terno e gravata, e freqüenta, principalmente, o meio político causando profunda dependência. A droga do poder. O poder do cargo, da pena, do ato, o poder da ordem. O que manda e desmanda, o que passa por cima, o que infringe leis, o que humilha e que subverte, o poder que corrompe. A droga do poder tem efeitos duradouros e colaterais, na miséria da sociedade, na inacessibilidade da educação e da cultura, na preservação do fosso social.
O poder, o consumo e a competitividade são combustíveis que alimentam uma sociedade capitalista. Infelizmente, se torna extremamente difícil, senão impossível, reverter um quadro em que todos nós somos, por assim dizer, dependentes crônicos.
Mas, existem outras tão letais quanto estas, mas que são legalmente inaladas e absorvidas pelos usuários, cidadãos comuns de uma sociedade doente.
Uma delas vem embrulhada em papel de presente. Droga estimulante muito citada em livros, revistas técnicas e em palestras proferidas pelas inteligências do mundo moderno: a competitividade. Esta droga nos força a ser super-heróis, a considerar todos a nossa volta como adversários. Torna maior também as nossas exigências sobre nossos filhos, empregados ou colegas de trabalho. A competitividade do "Você Sociedade Anônima", dos treinamentos que se rotulam como motivadores do ser, quando na verdade, incitam ao ter. A competitividade em casa, na escola, no trabalho. Qual é o nosso diferencial competitivo? Como vencer nossos oponentes? O que nos faz melhor que os outros? Como alcançar o sucesso?
Outra droga tem também embalagem atraente, sedutora, como subproduto da competição: a droga do consumo. É o carro X, o celular Y, o mais novo lançamento. Aquele produto que trará um novo status, a ascensão social, a aceitação e o reconhecimento de todos e que nos deixa depressivos quando não conseguimos atender ao convite do "Compre! Aproveite! Não perca esta promoção!".
Existe outro alucinógeno mortal que modifica comportamentos e que na maioria das vezes, se veste de terno e gravata, e freqüenta, principalmente, o meio político causando profunda dependência. A droga do poder. O poder do cargo, da pena, do ato, o poder da ordem. O que manda e desmanda, o que passa por cima, o que infringe leis, o que humilha e que subverte, o poder que corrompe. A droga do poder tem efeitos duradouros e colaterais, na miséria da sociedade, na inacessibilidade da educação e da cultura, na preservação do fosso social.
O poder, o consumo e a competitividade são combustíveis que alimentam uma sociedade capitalista. Infelizmente, se torna extremamente difícil, senão impossível, reverter um quadro em que todos nós somos, por assim dizer, dependentes crônicos.
sábado, 11 de julho de 2009
SENADINHO
Em Poços existe um local muito freqüentado conhecido como Senadinho. Um espaço democrático, pois ali se encontram pessoas de diferentes idades, profissões e classes sociais, para beber um papo , conversar sobre cervejinha, comer um tira gosto, jogar um truco e falar bem da vida alheia.
Em Brasília existe um local muito freqüentado chamado Senado. Um espaço aparentemente democrático, pois por lá se encontram, vez em quando, 81 senadores que representam os 27 estados da federação, sendo 3 senadores por estado. Além disso, passam pelo mesmo espaço, mais de 3.500 funcionários terceirizados que custam anualmente R$ 155 milhões por ano aos cofres públicos, além do custo dos cerca de 2.500 servidores de carreira.
No Senadinho, há quem esconda o jogo, afinal, faz parte da estratégia do truco. E o zap, a carta de maior valor, pode estar na mão de qualquer um dos jogadores, já que a sorte é quem manda. E se tem uma coisa que não se aceita no Senadinho, é a trapaça, o jogo sujo. Se isso acontecer, o jogador, com certeza, é expulso do local, e perde a cadeira, além da amizade de todos da mesa.
Já no Senado existem muitos que escondem os seus atos e blefar faz parte de um jogo de cartas marcadas. Aliás, o zap tem dono: ele é do presidente do Senado, atualmente o senador José Sarney , um verdadeiro coringa e que tem um parceiro forte, o próprio presidente da república, que afirmou recentemente que “Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum”.
No Senadinho alguém sempre perde o jogo, é a regra. Já no Senado, as regras são outras, conforme se descobriu naquilo que ficou conhecido como “atos secretos”. Estima-se que mais de 300 atos secretos foram usados nos últimos dez anos para distribuir privilégios a parlamentares e funcionários, através da criação de cargos, do aumento de salários e no emprego de amigos e parentes. Sarney, o homem do zap, afirmou não saber da existência dos atos secretos , o que cabe uma sugestão: que tal ao invés de Senado, não se chamar aquele local de “Seinada”.
Uma das expressões mais utilizadas no Senadinho é quando alguém está com uma excelente carta na mão e grita “Truco! Seis! Ladrão”. Talvez, seja esse o grito que falta ser dado por nós, brasileiros, para todos aqueles que jogam sujo e que trapaceiam com as nossas esperanças e as nossas crenças.
Sorte de Poços de ter um Senadinho. Azar do Brasil de ter um Senado.
Em Brasília existe um local muito freqüentado chamado Senado. Um espaço aparentemente democrático, pois por lá se encontram, vez em quando, 81 senadores que representam os 27 estados da federação, sendo 3 senadores por estado. Além disso, passam pelo mesmo espaço, mais de 3.500 funcionários terceirizados que custam anualmente R$ 155 milhões por ano aos cofres públicos, além do custo dos cerca de 2.500 servidores de carreira.
No Senadinho, há quem esconda o jogo, afinal, faz parte da estratégia do truco. E o zap, a carta de maior valor, pode estar na mão de qualquer um dos jogadores, já que a sorte é quem manda. E se tem uma coisa que não se aceita no Senadinho, é a trapaça, o jogo sujo. Se isso acontecer, o jogador, com certeza, é expulso do local, e perde a cadeira, além da amizade de todos da mesa.
Já no Senado existem muitos que escondem os seus atos e blefar faz parte de um jogo de cartas marcadas. Aliás, o zap tem dono: ele é do presidente do Senado, atualmente o senador José Sarney , um verdadeiro coringa e que tem um parceiro forte, o próprio presidente da república, que afirmou recentemente que “Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum”.
No Senadinho alguém sempre perde o jogo, é a regra. Já no Senado, as regras são outras, conforme se descobriu naquilo que ficou conhecido como “atos secretos”. Estima-se que mais de 300 atos secretos foram usados nos últimos dez anos para distribuir privilégios a parlamentares e funcionários, através da criação de cargos, do aumento de salários e no emprego de amigos e parentes. Sarney, o homem do zap, afirmou não saber da existência dos atos secretos , o que cabe uma sugestão: que tal ao invés de Senado, não se chamar aquele local de “Seinada”.
Uma das expressões mais utilizadas no Senadinho é quando alguém está com uma excelente carta na mão e grita “Truco! Seis! Ladrão”. Talvez, seja esse o grito que falta ser dado por nós, brasileiros, para todos aqueles que jogam sujo e que trapaceiam com as nossas esperanças e as nossas crenças.
Sorte de Poços de ter um Senadinho. Azar do Brasil de ter um Senado.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Michael Jackson
A morte é esta presença muito antiga, mas que tanto ainda nos incomoda.
Ela nos chega próxima, quando alguém de nossa família, ou um de nossos amigos se vai. E leva sempre com ela, a conversa inacabada, o abraço que faltava, o sorriso que faltou compartilhar...
“-Mas, como? Ainda ontem estávamos juntos...”
A morte é o ponto final, quando ainda vivíamos a reticência.
A morte de Antônios e Pedros, de Marias e Anas, de Josés e Fátimas, nos deixa a sensação de uma corrente arrebentada, de mãos que se desuniram. Em nosso documentário pessoal fica faltando uma personagem, alguém que contracenava com a gente e, sem ela, o enredo de nossa vida parece perder a direção.
A morte, por vezes, nos parece um bandido a eliminar nosso herói, ainda no início do filme.
Existem pessoas que ao morrer, levam junto um pouco da história humana. Elas acompanharam, com sua arte, o nascimento de um filho, a comemoração de uma vitória, o encontro de dois corpos, a alegria de gerações.
Michael Jackson se foi e nos deixou a sensação que faltava ainda uma dança, uma música, um show, um novo clipe. Ironicamente com sua morte, é que percebemos sua vida e a sua existência em nós, chineses, africanos, brasileiros, australianos, espanhóis...
A morte é lâmpada que se apaga, onde ainda existe tanta carência de luz.
Era uma vez um menino chamado Michael que viveu na Terra do Nunca e que nasceu para alegrar, inspirar, encantar. E que nos legou sua arte, sua dança, sua música. Errou sim como homem, mas deixou em sua passagem pela Terra, a criança divina que teima ainda em existir em nós.
“Cure o mundo. Faça dele um lugar melhor. Para você e para mim e toda a raça humana-(“Heal the world”- Michael Joseph Jackson).
Ela nos chega próxima, quando alguém de nossa família, ou um de nossos amigos se vai. E leva sempre com ela, a conversa inacabada, o abraço que faltava, o sorriso que faltou compartilhar...
“-Mas, como? Ainda ontem estávamos juntos...”
A morte é o ponto final, quando ainda vivíamos a reticência.
A morte de Antônios e Pedros, de Marias e Anas, de Josés e Fátimas, nos deixa a sensação de uma corrente arrebentada, de mãos que se desuniram. Em nosso documentário pessoal fica faltando uma personagem, alguém que contracenava com a gente e, sem ela, o enredo de nossa vida parece perder a direção.
A morte, por vezes, nos parece um bandido a eliminar nosso herói, ainda no início do filme.
Existem pessoas que ao morrer, levam junto um pouco da história humana. Elas acompanharam, com sua arte, o nascimento de um filho, a comemoração de uma vitória, o encontro de dois corpos, a alegria de gerações.
Michael Jackson se foi e nos deixou a sensação que faltava ainda uma dança, uma música, um show, um novo clipe. Ironicamente com sua morte, é que percebemos sua vida e a sua existência em nós, chineses, africanos, brasileiros, australianos, espanhóis...
A morte é lâmpada que se apaga, onde ainda existe tanta carência de luz.
Era uma vez um menino chamado Michael que viveu na Terra do Nunca e que nasceu para alegrar, inspirar, encantar. E que nos legou sua arte, sua dança, sua música. Errou sim como homem, mas deixou em sua passagem pela Terra, a criança divina que teima ainda em existir em nós.
“Cure o mundo. Faça dele um lugar melhor. Para você e para mim e toda a raça humana-(“Heal the world”- Michael Joseph Jackson).
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