sábado, 7 de março de 2009

BASTA!

Nós, brasileiros, sempre fomos considerados um povo pacato, tolerante, honesto, trabalhador e criativo. Talvez por isto, muitos são aqueles que se aproveitam destas nossas características e buscam tirar vantagens em tudo.
Alicerçados na boa fé dos tupiniquins, na nossa tão falada falta de memória e em uma justiça morosa, os aproveitadores fazem e desfazem, corrompem-se utilizando o dinheiro público e seqüestram a nossa confiança, confiantes na impunidade existente.
Mas, é chegada a hora de cada cidadão brasileiro dizer um BASTA.
Basta de políticos que falam muito e pouco fazem, e quando fazem, fazem mal feito.
Basta de discursos enganadores e utópicos.
Basta de promessas, que sabemos de antemão, nunca serão cumpridas.
É hora de dizer um basta a todas as coisas que há muito aceitamos calados: à justiça morosa, aos políticos corruptos, às leis feitas em benefício próprio, aos sanguessugas da miséria social, aos atores existentes em todas as áreas do governo, que enganam na palavra para permanecerem no poder. Que trocam benefícios individuais por votos, que fazem dos direitos do cidadão, esmolas da exclusão social. Que constroem castelos, desconstruindo a vida , se esquecendo dos barracos, das palafitas, dos casebres, dos que "moram" embaixo da ponte.
Queremos seriedade, sinceridade e atitudes.
Queremos um plano de ações consistente e factível.
Não ações para remediar e iludir. Não necessitamos de tapinhas nas costas e nem de ideologias sem roteiro de chegada.
Queremos governantes sensíveis, conscientes e ágeis.
Precisamos de administradores públicos com responsabilidade coletiva e não de políticos privados com objetivos individuais.
Precisamos de homens que arregacem as mangas para sentir de perto as mazelas por que passam a maioria dos habitantes deste país.
Abortamos os governantes de gabinetes que assinam medidas, desconhecendo as conseqüências de seus atos.
Preferimos sim, a verdade que impossibilita determinada ação, que as falácias de quem busca agradar por motivos sórdidos.
Queremos seres humanos exercendo a política. Pessoas que saibam lutar e sorrir com as vitórias, chorar e lamentar nos fracassos.
Não compraremos mais “produtos” embalados pelo marketing político e pelos interesses dos vários “Pês”, que muitos ainda insistem em chamar de Partidos.
O “Pê” que nos agrada é o de pessoa, desta que a gente encontra comumente nas ruas, com problemas e dúvidas, com sonhos e vontade de vencer.
Precisamos de homens públicos que realmente queiram ser a voz dos excluídos e esquecidos. Não, não queremos santos, nem super-heróis. Necessitamos de pessoas que façam Política por amor à vida, como instrumentos de Deus no auxílio ao próximo.
BASTA!
Talvez seja esta a palavra que falta não somente ser falada, mas ser exercida diariamente, evidenciando que a bondade do brasileiro não é alvará de desmando para quem não respeita a dignidade humana.

sexta-feira, 6 de março de 2009

SAPATADAS

Recentemente um jornalista iraquiano atirou os seus sapatos em direção ao presidente George Bush, o que lhe rendeu notoriedade em todo o mundo. Infelizmente, para muitos, a pontaria do referido jornalista não foi das melhores, mas o presidente Bush mostrou também muito jogo de cintura para se esquivar da sapatada. Se a moda pega (e sapatos tem tudo a ver com essa área), em breve, poderão faltar calçados em nosso país. Há quem diga que já existem estudos esportivos para incluir a referida modalidade nos próximos Jogos Olímpicos. A dúvida ainda é com relação ao nome da modalidade (ou seria maldalidade?) e as regras. Pensando a respeito, e embora não seja da área esportiva, resolvi propor algumas normas iniciais para se regulamentar a referida atividade.
1) A modalidade poderá ser praticada por qualquer pessoa, não havendo restrições com relação à idade, nem sexo, ou seja, poderá ser praticada por sapatos, sapatinhos, sapatilhas e sapatões;
2) Haverá apenas a exigência que o atirador ou a atiradora esteja com a visão e reflexos em perfeitas condições;
3) A distância mínima entre o alvo a ser atingido e o atirador, terá como unidade de medida, o pé, ou seja, doze polegadas, ou para ser mais exato, 30,48 centímetros. Assim, somará mais pontos aquele que atirar o sapato de uma maior distância, mensurada através do pé. Alias, esta medida é utilizada principalmente pela aviação, o que a torna adequada já que estará se mensurando o vôo do sapato em direção ao alvo. Também pode se inferir que o pé passa a ser, alem de uma unidade de comprimento, uma medida de cumprimento ao referido alvo;
4) O local da referida pratica esportiva, poderá ser em qualquer espaço público em que o alvo esteja presente. Porém, o alvo não poderá de forma alguma, ser avisado com antecedência, já que a corrupção será considerada falta grave e o atirador será sumariamente desclassificado;
5) Cada atirador conforme a sua pontuação anual, terá direito à palmilhagem, ou seja, pontos extras conforme o número de alvos atingidos durante o ano;
6) Se um atirador errar o alvo por mais de três vezes durante o ano, será considerado pé de chinelo, sendo por isso, desclassificado;
7) O alvo que for acertado, levar na esportiva e não reagir, também será premiado, com o troféu Sandálias da Humildade;
8) Não será permitida nenhuma forma de manifestação oral por parte do atirador, embora alguns representantes do México, queiram incluir a frase “Viva Zapata” durante o arremesso do sapato.

Como uma nova modalidade, posteriormente, outras regras e normas deverão ser implantadas ao longo do tempo. Pelo que se comenta, a referida prática esportiva chegou para ficar, já que muitos dos considerados alvos prediletos continuam fazendo seus jogos particulares, trapaceando, sem as mínimas regras de boa conduta, ética e respeito aos cidadãos. Por último, na presente modalidade, vale a máxima do barão de Coubertin, “o importante e comPÉtir...”

quarta-feira, 4 de março de 2009

Hino Emocional Brasileiro

Ouvimos e vemos no Brasil, infelizmente, muitas ditos cidadãos, deitados eternamente em um berço esplêndido, vivendo às custas de um povo heróico, os filhos desta nossa mãe gentil!
Um Brasil que passa por um momento sombrio na falência de suas instituições, que teima por encobrir esse sol que ilumina nossos risonhos lindos campos e flores, maculando as nossas glórias do passado.
O que desafia hoje o nosso peito, é a própria morte das nossas instituições. É essa dor civil, que, se antes era fruto da espada da ditadura, hoje se configura na imensa e amorfa rede de corrupção, inoculada nas veias de muitos homens que administram empresas, que conduzem a justiça, que dirigem a nação.
O nosso penhor é a própria dignidade, o nosso sentimento de patriotismo, que aqueles que nos antecederam, ó Liberdade, conseguiram conquistar com braços fortes.
Vemos o teu seio, ó Pátria Amada, ser sugado por pessoas que se apropriam da vida daqueles que não têm o que comer, o que fazer, o que dizer, nem como saber.
Ainda que o amor e a esperança espelhem a tua grandeza, não estamos conseguindo erguer a clava forte e a tua flâmula, por assim dizer, se encontra a meio-mastro, no luto dos teus filhos que não fogem à luta.
Terra adorada por todos nós, és tu Brasil,
Mas quanta tristeza há no céu da Pátria nesse instante!
Que o nosso amor eterno seja símbolo de nossa indignação com todos aqueles que , por seus atos, se tornaram indignos de viverem nesta nação, Pátria amada, Brasil!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Banco bom mesmo, só o da praça

No princípio, o homem trocava o que tinha por aquilo que os outros tinham, o chamado escambo. Depois, para estabelecer um padrão de valor e facilitar as trocas, o homem inventou a moeda.
Posteriormente, para guardar as moedas em um local seguro, o homem inventou o banco. E hoje, passados tantos séculos, o homem percebeu que o banco ficou muito maior que ele, e ele, refém do banco. Não é por acaso que foi criada a conta corrente, que tem este nome, pois ficamos realmente acorrentados ao banco.
Hoje, para tudo se precisa de um banco: depósito, saque, empréstimo, aplicação, pagamento de contas...
Mas, para facilitar a vida, principalmente a dos bancos, estes viraram eletrônicos e, na seqüência, inventaram os cartões magnéticos e as senhas, estas que a gente tem que guardar, para o banco guardar o que é nosso.
E para a gente pagar tudo o que eles nos fazem, foi inventada a taxa. É taxa para o talão, para o cartão, para a transferência, a permanência, taxa para se pagar a taxa.
Hoje os bancos são campeões de rentabilidade. A cada mês, eles disputam o Campeonato Nacional de Faturamento Bancário – CNFB. Ora um, ora outro se alterna o campeão.
A primeira regra é que o banco sempre ganha. Quando o país vai mal financeiramente, o banco fatura. Quando vai bem, o banco fatura também. Só tem um momento que o banco perde: quando ele ganha menos.
Mas, verdade seja dita: se não fossem os bancos, talvez não tivesse sido inventada a fila, que é um espaço democrático que o banco nos oferece para ficarmos lá, falando mal das filas e dos bancos.
Plim, plim! Na televisão, o mundo encantado dos bancos.
Um é um banco completo com 120 razões... para eles lucrarem.
Outro é um banco todo seu... menos os lucros, é claro!
Outro foi feito para você... perder dinheiro.
E tem um que nem parece banco. Ou seja, até eles têm consciência de que é melhor mesmo não parecer um banco.
Enfim, caro amigo correntista, melhor banco mesmo, continua sendo o da praça. Pelo menos, por lá, você pode realmente investir na poupança, sem perder os seus fundos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carta ao meu pai

Pai,

Esta carta poderia (deveria) ter sido escrita há vários anos.
Nem eu, nem você, pensamos nisto. Ou quando pensamos, a vida nos interrompeu e ficaram palavras sem dizer, abraços sem se dar, confidências sem se expressar, desculpas sem pedir, perdão sem se dar. Mais que isto, não escrevemos nada em conjunto.
Eu gosto muito de música e o senhor tinha a música como profissão e paixão, mas, nem sequer uma nota entoamos. O senhor sempre foi muito espirituoso, contudo, nem uma piada contamos juntos.
Eu queria tantas vezes lhe relatar meus sonhos, mas o senhor estava longe pensando nos seus que foram desfeitos.
O senhor querendo contar suas apreensões, suas angústias.
O senhor querendo contar o seu passado, os seus motivos, e eu querendo falar do meu presente, do meu futuro, dos meus medos e inseguranças.
O senhor me olhando como se perguntasse: “O que este meu filho pensa de mim”. E eu lhe olhando e questionando o que este “meu pai quer de mim?” .
Eu via seu corpo definhando e tentava de alguma maneira testar o “seu computador”, que era o que o senhor dizia que nunca falhava.”Qual o número da senha do banco?” “Qual o número do meu telefone” “Qual o dia do nascimento de tal filho”?
O senhor estava muito próximo, mas, nossas vidas moravam muito distantes uma da outra.
Por vezes, sentia que o senhor iria me contar algo muito importante, alguma coisa que definisse ou que unisse as nossas vidas tão dispersas.
Mas, o dia-a-dia interrompia as nossas verdades, e o que sobrava era apenas frases de um cotidiano meu e seu. “O que o senhor comeu hoje?” “Amanhã eu vou trazer minha mãe aqui”. E nas despedidas: “Deus lhe abençoe meu filho e lhe abra os caminhos”
Escrever esta carta está sendo muito difícil.
Para quem eu vou remetê-la.O senhor está ainda mais distante.
Eu sempre achei no fundo do meu coração que o senhor me fez muita falta.Quantas vezes eu chegava da rua querendo contar algo que tinha acontecido comigo, minha mãe dormindo, minha irmã também, os meus irmãos já com as suas vidas e eu apenas com o travesseiro como confidente.O que fazer? Para onde ir? Como resolver tal problema? Será que ela gosta de mim? Devo ou não devo tomar tal decisão?
Contei muito com a minha mãe, que sempre foi o que o senhor não pode ter sido. Mas, o senhor sabe que não é a mesma coisa.
A voz de uma mãe soa diferente, assim como uma pequena onda que chega cansada ou descansada à praia. E, quantas vezes, precisamos daquela onda forte que se arrebenta nas pedras.
A voz de mãe lembra realmente uma canção de ninar, mas quantas vezes, precisamos é de um toque de alvorada, a nos acordar para a vida, a nos preparar para a batalha..
Os nossos abraços lembra? Sempre foram muito rápidos e tímidos.
Na verdade era como se tivessem que ser interrompidos para não permanecerem indefinidamente.
Minha mãe sempre nos olhando, nos observando e eu no meio de ambos, correndo de ambos, querendo deixá-los a sós, porque além de mim, vocês ficaram muito tempo sem dizer nada, um para o outro. E como nos faz falta dizer, como faz falta um gesto, como faz falta...a falta sua.
Hoje tento me agarrar ao que vivo, dia após dia, meu pai, eu sigo o meu caminho. Mas, quase sempre sinto a vontade de perguntar: aonde essa estrada vai me levar?
Pai, aonde quer que o senhor esteja, fique em paz.
Aqui embaixo, a minha guerra continua.
A banda e o coreto que o senhor tantas vezes tocou também continuam.
E as suas lembranças e a sua falta também permanecem em mim.
Seu filho!

Meio ambiente ou meio de vida?

O meio ambiente virou moda no mundo inteiro. Um exemplo claro e literal é ver dezenas de modelos nas passarelas protestando contra a caça indiscriminada de animais para comercialização de peles. Outros exemplos estão nas grifes que utilizam a natureza para obterem vantagens competitivas no mercado. Se avançarmos mais ainda, perceberemos as dezenas de organizações não governamentais, que surgem da noite para o dia, desejando, por sua vez, um pedaço do verde, que neste caso, são os dólares americanos.
É isso. Por detrás de campanhas para salvar o mundo, existem, infelizmente, milhares de pessoas querendo salvar a sua própria pele. O meio ambiente virou meio de vida para muitos.
Na terra brasilis, não é diferente, ou você achou que fosse?
Primeiro porque, apesar de o país possuir muitos recursos naturais, incontáveis são aqueles que pensam mais nos recursos financeiros. E a nossa terra é fértil para isso. Veja, são inúmeros os órgãos governamentais e não governamentais para cuidar da ecologia. Um cuida da água, outro do solo, outro dos animais, outro da flora, outro para fauna, outro fiscaliza, aquele pune...porém, inexiste uma ligação entre eles e aí, afloram e afanam os contribuintes por todos os lados.
A burocracia cumpre a sua parte e “molhar a mão” tem outros significados que nada lembra aquele recurso natural finito, que por sinal, faz aniversário mundial no próximo dia 22 de março.
Quer um exemplo prático: Um amigo próximo está tentando montar um pesqueiro seguindo a legislação vigente já faz mais de um ano. Esses dias pensei em lhe dar uma camiseta de presente que ao invés do "Tá nervoso? Vai Pescar" teria a seguinte inscrição: “Quer ficar nervoso? Tente montar um pesqueiro”.
É isso. O Brasil é campeão em biodiversidade.
Pena que também ocupe as primeiras posições em biodesonestidade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Revolução dos Livros

E começou assim, como se não tivesse começado, aos poucos, em um movimento silencioso, eles foram ocupando todos os espaços, todas as mentes, todas as casas.
E foram mudando comportamentos, transformando idéias, seduzindo crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Na verdade, embora tivessem sempre algo a dizer, muitas vezes ficaram esquecidos, encostados, sujeitos a erosão do tempo, jogados literalmente às traças, como se costumou falar. Amarelados, enfraquecidos, corroídos, pareciam estar mortos e sujeitos às suas próprias limitações.
Porém, o que ninguém sabia, é que mais do que serem vistos e tocados, eram eles que observavam os gestos, liam a vida, espelhavam os homens. Estiveram sempre ali, a espreita, na espera do momento certo, para então, ao serem retirados de sua aparente passividade, demonstrarem a sua real força como instrumentos permanentes de transformação.
Muitos sabiam do poder que eles tinham, mas, a grande maioria olhava-os de longe, e por razões que não cabe aqui declinar, pouco se atreviam a um contato mais íntimo. Quando isso acontecia, parecia que um novo mundo seria então descoberto.
No entanto, a porta logo se fechava, o mundo se tornava o mesmo, na mesquinhez das coisas, na impotência do não ter, na indignidade dos atos de outros seres.
Mas voltando a nossa história, eles foram se juntando,dia após dia, foram se somando, se multiplicando, se dividindo.
E como um grande exército mundial, vindos de todos os cantos da Terra, eles pularam das estantes, fugiram das bibliotecas, das cabeceiras e criados-mudos, e invadiram, finalmente, a cabeça e o coração de todos os homens da terra.
O era uma vez se fez de vez em um final feliz na grande e definitiva
Revolução dos Livros.