Quaisquer que sejam os resultados após o segundo turno das eleições no país uma coisa é certa. A Educação, ou a falta dela, é o grande problema a ser enfrentado pelos futuros governantes em qualquer esfera e que precisa ir além dos discursos de campanha e ser exercitada como prioridade. Necessitamos urgentemente avançar muito para sair das limitantes grades curriculares e Educar para a vida no seu sentido mais amplo. Não o ensino formal aquele focado apenas no sucesso profissional, no acúmulo de bens, priorizando o desenvolvimento financeiro em detrimento do crescimento pessoal. Essencial é formar cidadãos e não caixas registradoras possibilitando a construção de um ser humano livre e íntegro. Com esta reflexão, a Educação é pilar de sustentação para todas as áreas sociais.
Uma boa saúde começa pela Educação, naquilo que se entende como ações preventivas. Ensinar o cidadão a importância da prática esportiva, os cuidados com a higiene e a alimentação, o controle da natalidade através dos métodos contraceptivos, entre outros hábitos saudáveis. Isto além de diminuir os altos custos no setor reduzirá a médio e longo prazo, o nosso alto índice de mortalidade, ampliando ainda a expectativa de vida do brasileiro.
Na Segurança, os nossos índices de criminalidade são reflexos diretos, entre outros aspectos, da nossa educação precária, já que segundo pesquisas, mais de 85% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão ausentes dos bancos escolares. E se estão fora das salas de aulas, quais “salas” na vida estarão freqüentando? O que ensinar sobre os malefícios da droga no corpo e na mente? O que ministrar sobre a arte em suas diversas manifestações e as inúmeras possibilidades que ela proporciona? O que ensinar sobre diretos e obrigações, sobre o respeito ao próximo, limites e tolerância?
Em relação ao meio ambiente, ao emprego, ao trânsito e a tantas outras áreas, perceberemos sempre a Educação como fator determinante para o crescimento do ser humano. E investir em Educação passa necessariamente pelo treinamento e a valorização do professor que trabalha nos níveis fundamental e médio, pois é ali a nascente de água pura, que se bem tratada, resultará em oceanos de seres biodegradáveis. Nunca é demais repetir as sábias palavras do ex-presidente americano Abraham Lincoln: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os homens”.
Por tudo, Educação para todos, principalmente para os eleitos. Que o presidente, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais possam realmente enxergar a Educação como o instrumento mais importante para minimizar os nossos graves problemas sociais. Importante lembrar que o maior auxílio que uma pessoa pode receber de um governo é a possibilidade de, através da Educação, gerar o seu próprio sustento e a sua independência contra qualquer forma de poder.
domingo, 3 de outubro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Religião se discute
Dizem que religião não se discute. Talvez porque a palavra discussão tenha conotação agressiva e se assim, melhor é evitar mesmo. Mas, em um mundo materialista, em uma sociedade capitalista e consumista, precisamos conversar e refletir sobre o tema e são inúmeras as questões. O assunto é inesgotável. Mas, nem por isto, devemos nos calar. Se, dizem, a fé é cega, ela não deve, porém, cegar as pessoas.
Essencial, por exemplo, é refletir sobre a busca pela liberdade religiosa na eliminação do preconceito. Toda pessoa tem o direito de escolher a sua crença e também o de não ter crença nenhuma. Assim, o respeito a qualquer manifestação religiosa é fator fundamental na promoção da paz e no combate a intolerância e ao fundamentalismo religioso.
Em nome da religião muito se construiu, mas também, muito se destruiu na história da humanidade. Em nome do divino e, isto acontece até os dias atuais, a existência de tragédias, guerras e mortes. Em um momento de eleições em nosso país, para citar outro exemplo da utilização do sagrado, são muitos os candidatos que se dizem conduzidos por Deus, utilizando este argumento nos seus slogans de campanha na busca pelos votos nas urnas.
Outra questão a ser analisada é que se o ser humano na Terra é o elo, o mediador entre o profano e o sagrado, necessário refletir que o humano é, por natureza, falível, inconstante e finito em seu conhecimento.
Por tudo e como tudo, a religião é instrumento de valorização da pessoa, no respeito a si mesmo e ao outro, no amor a si e ao próximo. Mas, também é, infelizmente, fator de divisão entre os homens, quando trabalha inescrupulosamente a fé das pessoas, quando se apropria da liberdade, quando se torna ferramenta de poder e de manipulação.
Essencial, por exemplo, é refletir sobre a busca pela liberdade religiosa na eliminação do preconceito. Toda pessoa tem o direito de escolher a sua crença e também o de não ter crença nenhuma. Assim, o respeito a qualquer manifestação religiosa é fator fundamental na promoção da paz e no combate a intolerância e ao fundamentalismo religioso.
Em nome da religião muito se construiu, mas também, muito se destruiu na história da humanidade. Em nome do divino e, isto acontece até os dias atuais, a existência de tragédias, guerras e mortes. Em um momento de eleições em nosso país, para citar outro exemplo da utilização do sagrado, são muitos os candidatos que se dizem conduzidos por Deus, utilizando este argumento nos seus slogans de campanha na busca pelos votos nas urnas.
Outra questão a ser analisada é que se o ser humano na Terra é o elo, o mediador entre o profano e o sagrado, necessário refletir que o humano é, por natureza, falível, inconstante e finito em seu conhecimento.
Por tudo e como tudo, a religião é instrumento de valorização da pessoa, no respeito a si mesmo e ao outro, no amor a si e ao próximo. Mas, também é, infelizmente, fator de divisão entre os homens, quando trabalha inescrupulosamente a fé das pessoas, quando se apropria da liberdade, quando se torna ferramenta de poder e de manipulação.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Liberdade ainda que tardia
Todo sete de setembro, o Brasil comemora a independência do jugo de Portugal. Uma data cívica importante, mas não menos importante é lembrar que a ação de proclamar independência, não estabelece necessariamente a liberdade de uma nação. Não se liberta apenas por leis ou decretos. A Lei Áurea concedeu liberdade aos escravos, mas estes permaneceram presos durante anos aos seus tutores e ao sistema econômico, político e social. Um detento que sai do sistema prisional, ainda permanece preso nas ruas, na impossibilidade de conseguir um emprego e no preconceito social. Uma pessoa que saiba ler e escrever, pode não saber interpretar a sua própria realidade e estará dependente do patrão e do governo em suas várias esferas. Um pássaro acostumado a viver na gaiola, quando lhe concedem a liberdade, este não aprendeu a voar com suas próprias asas e nem a buscar o seu próprio sustento.
A liberdade vai muito além da constituição e a prisão não está somente nas algemas e nas celas. Libertar é possibilitar ao ser humano alcançar a sua dignidade, fruto do suor do seu rosto e do conhecimento.
Por extensão, um país só é verdadeiramente livre, quando, além da sua soberania, a sua gente tem condições de acesso à saúde, a educação e ao trabalho honesto. Um país só é verdadeiramente livre, quando assegura dignidade à sua população, não pelo assistencialismo que perpetua a miséria, mas pela possibilidade de cada cidadão gerar o seu próprio sustento. Um país só é verdadeiramente livre, independente e soberano, quando muito além da própria constituição, a justiça social se pratica no cotidiano.
E a educação tem papel fundamental na liberdade. Ela possibilita o conhecimento, que gera consciência e que promove a ação para uma vida melhor. Ela, a educação, gera a luz que permite enxergar o que acontece ao meu redor, em minha vida e na da sociedade onde atuo. A partir daí, posso ser um agente transformador, um cidadão em plenitude.
Mas, não somente a educação focada no profissional, no mercado de trabalho, que também pode ser escravizante. Mas, aquela que permite ao indivíduo, a reflexão, o raciocínio próprio e capacidade de escolha.
Com tudo isto, a liberdade assim pode ser ainda uma utopia. Mas, acreditar na utopia é também um exercício de liberdade.
A liberdade vai muito além da constituição e a prisão não está somente nas algemas e nas celas. Libertar é possibilitar ao ser humano alcançar a sua dignidade, fruto do suor do seu rosto e do conhecimento.
Por extensão, um país só é verdadeiramente livre, quando, além da sua soberania, a sua gente tem condições de acesso à saúde, a educação e ao trabalho honesto. Um país só é verdadeiramente livre, quando assegura dignidade à sua população, não pelo assistencialismo que perpetua a miséria, mas pela possibilidade de cada cidadão gerar o seu próprio sustento. Um país só é verdadeiramente livre, independente e soberano, quando muito além da própria constituição, a justiça social se pratica no cotidiano.
E a educação tem papel fundamental na liberdade. Ela possibilita o conhecimento, que gera consciência e que promove a ação para uma vida melhor. Ela, a educação, gera a luz que permite enxergar o que acontece ao meu redor, em minha vida e na da sociedade onde atuo. A partir daí, posso ser um agente transformador, um cidadão em plenitude.
Mas, não somente a educação focada no profissional, no mercado de trabalho, que também pode ser escravizante. Mas, aquela que permite ao indivíduo, a reflexão, o raciocínio próprio e capacidade de escolha.
Com tudo isto, a liberdade assim pode ser ainda uma utopia. Mas, acreditar na utopia é também um exercício de liberdade.
sábado, 4 de setembro de 2010
Decisões Individuais, Problemas Coletivos
A informação é hoje o principal instrumento de sobrevivência das organizações, sejam elas privadas ou públicas. E ela, a informação, se encontra em todos os lugares, do chão de fábrica à sala dos lideres, do papo no corredor a uma reunião de diretoria. Transita também nos meios de comunicação, nas emissoras de rádio e TV, nos jornais, sites, Orkut, blogs e twitters.
A informação gera conhecimento, que por extensão, gera inteligência competitiva. Quanto mais a empresa conhece a sua área de atuação, os seus concorrentes, seus clientes, o seu contexto ambiental, apenas para citar alguns pontos, mais está preparada para enfrentar os desafios do mercado.
Mas, se tudo isto é verdade, se livros, consultores, especialistas e o mundo acadêmico orientam sobre estes aspectos, como as organizações estão tratando as informações? Elas são levadas em consideração no momento de tomada de decisão?
O mundo mudou muito nas últimas décadas, mas, infelizmente, na maioria das empresas, a informação não é devidamente tratada, selecionada, trabalhada para auxiliar o corpo gerencial. Vivemos a tecnologia como lição de casa, acreditando que basta equiparmos as empresas com hardwares e softwares de última geração. Porém, esquecemos de tratar o volume gerado e temos então uma “biblioteca” enorme com centenas de títulos diferentes, mas que ninguém lê. Nas “gavetas” dos computadores, milhões de dados são coletados, porém, sem a devida seleção, filtragem e utilização. Desta forma, apesar e em razão do excesso de informação, muitos líderes decidem apenas pelo conhecimento individual, experiência e capacidade profissional. As reuniões são realizadas apenas para atestar as decisões do “chefe” e os colaboradores são meros coadjuvantes em um teatro montado para validar as iniciativas de quem lidera. Por incrível que pareça ainda escutamos muitas “lideranças” afirmarem para os seus liderados: “Você aqui é pago para fazer e não para pensar”. Automatizamos as empresas e os relacionamentos. “Penso, logo... sou demitido”.O “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é frase de efeito, mas sim, prática diária em muitas empresas. Quem tem o poder faz questão de marcar território, movido, na maioria das vezes, pela insegurança e pelo medo de perder o posto.
Em um universo onde a tecnologia possibilita o acesso rápido à informação, se torna urgente não subestimar a capacidade das pessoas, seja lá qual for a função que elas exerçam. Não raro, um empregado que exerce a tarefa mais simples é uma fonte de informação em potencial e pode, em determinada circunstância, auxiliar a tomada de decisão.
A inteligência individual precisa dar lugar à inteligência coletiva. Quando analisamos somente um lado de uma questão, a tendência é tomar decisões errôneas, limitado pela lente de uma câmera que registrou apenas uma fonte de luz.
A democratização do conhecimento, oriunda principalmente da internet, é uma realidade inexorável.
Pena que o autoritarismo, a arrogância e “o poder da caneta” ainda se façam presentes em muitas instituições públicas e privadas. E o que é pior: decisões individualistas e egocêntricas geralmente são as grandes responsáveis por problemas coletivos e a sabedoria popular ensina: quando a cabeça (o líder) não pensa (nem ouve), o corpo padece (leia-se colaboradores, clientes, população etc.).
A informação gera conhecimento, que por extensão, gera inteligência competitiva. Quanto mais a empresa conhece a sua área de atuação, os seus concorrentes, seus clientes, o seu contexto ambiental, apenas para citar alguns pontos, mais está preparada para enfrentar os desafios do mercado.
Mas, se tudo isto é verdade, se livros, consultores, especialistas e o mundo acadêmico orientam sobre estes aspectos, como as organizações estão tratando as informações? Elas são levadas em consideração no momento de tomada de decisão?
O mundo mudou muito nas últimas décadas, mas, infelizmente, na maioria das empresas, a informação não é devidamente tratada, selecionada, trabalhada para auxiliar o corpo gerencial. Vivemos a tecnologia como lição de casa, acreditando que basta equiparmos as empresas com hardwares e softwares de última geração. Porém, esquecemos de tratar o volume gerado e temos então uma “biblioteca” enorme com centenas de títulos diferentes, mas que ninguém lê. Nas “gavetas” dos computadores, milhões de dados são coletados, porém, sem a devida seleção, filtragem e utilização. Desta forma, apesar e em razão do excesso de informação, muitos líderes decidem apenas pelo conhecimento individual, experiência e capacidade profissional. As reuniões são realizadas apenas para atestar as decisões do “chefe” e os colaboradores são meros coadjuvantes em um teatro montado para validar as iniciativas de quem lidera. Por incrível que pareça ainda escutamos muitas “lideranças” afirmarem para os seus liderados: “Você aqui é pago para fazer e não para pensar”. Automatizamos as empresas e os relacionamentos. “Penso, logo... sou demitido”.O “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é frase de efeito, mas sim, prática diária em muitas empresas. Quem tem o poder faz questão de marcar território, movido, na maioria das vezes, pela insegurança e pelo medo de perder o posto.
Em um universo onde a tecnologia possibilita o acesso rápido à informação, se torna urgente não subestimar a capacidade das pessoas, seja lá qual for a função que elas exerçam. Não raro, um empregado que exerce a tarefa mais simples é uma fonte de informação em potencial e pode, em determinada circunstância, auxiliar a tomada de decisão.
A inteligência individual precisa dar lugar à inteligência coletiva. Quando analisamos somente um lado de uma questão, a tendência é tomar decisões errôneas, limitado pela lente de uma câmera que registrou apenas uma fonte de luz.
A democratização do conhecimento, oriunda principalmente da internet, é uma realidade inexorável.
Pena que o autoritarismo, a arrogância e “o poder da caneta” ainda se façam presentes em muitas instituições públicas e privadas. E o que é pior: decisões individualistas e egocêntricas geralmente são as grandes responsáveis por problemas coletivos e a sabedoria popular ensina: quando a cabeça (o líder) não pensa (nem ouve), o corpo padece (leia-se colaboradores, clientes, população etc.).
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Monotrilho: obesidade mórbida
Um domingo destes acordei cedo e ao fazer minha higiene corporal (que coisa meiga!) reparei ao olhar no espelho que minha silhueta (ops) estava um pouco protuberante (leia-se barriguinha avantajada). Mais que depressa como todo cara de meia idade (seja lá o que isto signifique) coloquei meu jogging (nome fresco para calça de moletom) e fui praticar Cooper (nome fresco para caminhar) na Avenida João Pinheiro.
Durante a caminhada notei que tal avenida possuía duas faces totalmente diferentes. Até um determinado trecho, a avenida é bem cuidada, várias empresas inclusive têm ali sua propaganda e são muitas as pessoas que por ali caminham ou mesmo pedalam a sua bike (nome fresco para bicicleta). Aliás, não é por acaso que somente em determinado trecho é que existe ciclovia. Percebi que nestes trechos de boa forma, muitas pessoas que circulam são realmente atletas. Têm cara de atleta, corpos de atleta, barrigas de atleta e eu... apenas pé de atleta.
Foi com esta percepção que notei a grande diferença, a mesma que existia entre mim e os sarados, entre trechos da avenida. Alguns trajetos de ambos os lados da avenida têm perfil de atleta, parecem mais ágeis, têm cara de saúde e muita gente caminhando. Já outros trechos da mesma artéria (que devem realmente estar entupidos) são diferentes: mal tratados, parecem esquecidos, cheios de mato e árvores opulentas, com pouca gente trafegando. Pensei então, qual seria a causa?
Se você, andarilho errante, disse; “o monotrilho”, acertou na mosca. Com esta mesma descoberta, como um médico que examina um paciente, já aviei o diagnóstico: o monotrilho sofre de obesidade mórbida. Um problema crônico de excesso de peso, geralmente mal tratado e com muitas causas, principalmente o fator sedentarismo. Ora, o monotrilho está há anos sem atividade, carrega um peso de muitas toneladas em seus 6 quilômetros de extensão e segundo dizem, tem na sua genética, ou seja, na lei que autorizou a sua construção, alguns equívocos.
Mas, continuando a minha caminhada, refleti, como muitos: qual a solução, o tratamento adequado para a obesidade mórbida do monotrilho? É certo que muita coisa pesa na balança e qualquer solução precisaria de muita fibra. Uma possibilidade seria a reativação do monotrilho. Mas, o investimento a ser feito consumiria muitos recursos e se este voltasse a operar provavelmente seria deficitário. Outra saída seria um tratamento alternativo: criar nova função para o monotrilho. Mas as indicações surgidas até o momento parecem inócuas, como a de manter um paciente vivo respirando com a ajuda de aparelhos. Outra solução definitiva seria o tratamento cirúrgico, ou seja, a demolição. Porém, isto também necessitaria de altos investimentos e sem retorno político.
Quem sabe então, refleti caminhando, que o melhor mesmo seria não fazer absolutamente nada, deixar como está para ver como fica. Seguir a sabedoria popular que preconiza “o que não tem remédio, remediado está”. Talvez somente uma junta médica, formada por vários profissionais, arquitetos, engenheiros, psicólogos, técnicos de transportes e a comunidade podem encontrar a melhor solução.
Mas, voltando à minha barriguinha, sabe que, olhando bem, até estou achando ela sexy...
Durante a caminhada notei que tal avenida possuía duas faces totalmente diferentes. Até um determinado trecho, a avenida é bem cuidada, várias empresas inclusive têm ali sua propaganda e são muitas as pessoas que por ali caminham ou mesmo pedalam a sua bike (nome fresco para bicicleta). Aliás, não é por acaso que somente em determinado trecho é que existe ciclovia. Percebi que nestes trechos de boa forma, muitas pessoas que circulam são realmente atletas. Têm cara de atleta, corpos de atleta, barrigas de atleta e eu... apenas pé de atleta.
Foi com esta percepção que notei a grande diferença, a mesma que existia entre mim e os sarados, entre trechos da avenida. Alguns trajetos de ambos os lados da avenida têm perfil de atleta, parecem mais ágeis, têm cara de saúde e muita gente caminhando. Já outros trechos da mesma artéria (que devem realmente estar entupidos) são diferentes: mal tratados, parecem esquecidos, cheios de mato e árvores opulentas, com pouca gente trafegando. Pensei então, qual seria a causa?
Se você, andarilho errante, disse; “o monotrilho”, acertou na mosca. Com esta mesma descoberta, como um médico que examina um paciente, já aviei o diagnóstico: o monotrilho sofre de obesidade mórbida. Um problema crônico de excesso de peso, geralmente mal tratado e com muitas causas, principalmente o fator sedentarismo. Ora, o monotrilho está há anos sem atividade, carrega um peso de muitas toneladas em seus 6 quilômetros de extensão e segundo dizem, tem na sua genética, ou seja, na lei que autorizou a sua construção, alguns equívocos.
Mas, continuando a minha caminhada, refleti, como muitos: qual a solução, o tratamento adequado para a obesidade mórbida do monotrilho? É certo que muita coisa pesa na balança e qualquer solução precisaria de muita fibra. Uma possibilidade seria a reativação do monotrilho. Mas, o investimento a ser feito consumiria muitos recursos e se este voltasse a operar provavelmente seria deficitário. Outra saída seria um tratamento alternativo: criar nova função para o monotrilho. Mas as indicações surgidas até o momento parecem inócuas, como a de manter um paciente vivo respirando com a ajuda de aparelhos. Outra solução definitiva seria o tratamento cirúrgico, ou seja, a demolição. Porém, isto também necessitaria de altos investimentos e sem retorno político.
Quem sabe então, refleti caminhando, que o melhor mesmo seria não fazer absolutamente nada, deixar como está para ver como fica. Seguir a sabedoria popular que preconiza “o que não tem remédio, remediado está”. Talvez somente uma junta médica, formada por vários profissionais, arquitetos, engenheiros, psicólogos, técnicos de transportes e a comunidade podem encontrar a melhor solução.
Mas, voltando à minha barriguinha, sabe que, olhando bem, até estou achando ela sexy...
domingo, 15 de agosto de 2010
Elefante Branco
Todos nós ouvimos muitas vezes a expressão “elefante branco”, utilizada sempre quando queremos simbolizar uma grande obra que ninguém sabe a que veio, ou mesmo inacabada, ou ainda desnecessária. A raiz da expressão, segundo reza a lenda, nasceu no Sião, hoje Tailândia. Quando um súdito não caia nas graças do rei recebia de presente um elefante branco. Na verdade, como um animal sagrado por lá, de grande porte e longevidade, o elefante necessitava de muitos cuidados, o que acabava por gerar alto custo e decretar a falência do súdito.
Em vários países do mundo, e no Brasil não é diferente, temos muitos elefantes brancos que significam que o dinheiro público não foi aplicado corretamente. Um dos grandes problemas, por exemplo, ocorre após uma Copa do Mundo ou mesmo de uma Olimpíada, quando os estádios e equipamentos do país sede perdem a sua utilização e a presença do público.
O monotrilho em Poços de Caldas é um exemplo real de um elefante branco. Uma obra que nasceu para ser um transporte de massa ou mesmo turístico, como um verdadeiro presente para a cidade, perdeu a sua finalidade gerando um ônus público. Aliás, uma característica de todo elefante branco é a falta de gente. Uma escola sem alunos e professores, um posto de saúde sem médicos e pacientes, um ginásio sem jogos, nem público, são como casas abandonadas, torneiras pingando a consumirem diuturnamente os impostos municipais.
Por isto, a necessidade de todo cidadão em acompanhar de perto onde é aplicado o recurso público e se determinada obra é realmente necessária e prioritária. Muitas vezes, precisamos olhar além do tempo presente, pois, determinada obra que hoje pode não ser tão importante, amanhã, com o desenvolvimento da cidade, pode se tornar essencial.
Para fechar este texto, é fundamental que todo cidadão enfrente os possíveis “elefantes brancos”, fazendo seu trabalho de formiguinha, cuidando do patrimônio público do seu bairro, da sua rua e sendo um fiscal na aplicação dos recursos municipais.
Vale lembrar sempre que se um elefante incomoda muita gente, como é o caso do monotrilho, dois elefantes incomodam, incomodam, muito mais.
Em vários países do mundo, e no Brasil não é diferente, temos muitos elefantes brancos que significam que o dinheiro público não foi aplicado corretamente. Um dos grandes problemas, por exemplo, ocorre após uma Copa do Mundo ou mesmo de uma Olimpíada, quando os estádios e equipamentos do país sede perdem a sua utilização e a presença do público.
O monotrilho em Poços de Caldas é um exemplo real de um elefante branco. Uma obra que nasceu para ser um transporte de massa ou mesmo turístico, como um verdadeiro presente para a cidade, perdeu a sua finalidade gerando um ônus público. Aliás, uma característica de todo elefante branco é a falta de gente. Uma escola sem alunos e professores, um posto de saúde sem médicos e pacientes, um ginásio sem jogos, nem público, são como casas abandonadas, torneiras pingando a consumirem diuturnamente os impostos municipais.
Por isto, a necessidade de todo cidadão em acompanhar de perto onde é aplicado o recurso público e se determinada obra é realmente necessária e prioritária. Muitas vezes, precisamos olhar além do tempo presente, pois, determinada obra que hoje pode não ser tão importante, amanhã, com o desenvolvimento da cidade, pode se tornar essencial.
Para fechar este texto, é fundamental que todo cidadão enfrente os possíveis “elefantes brancos”, fazendo seu trabalho de formiguinha, cuidando do patrimônio público do seu bairro, da sua rua e sendo um fiscal na aplicação dos recursos municipais.
Vale lembrar sempre que se um elefante incomoda muita gente, como é o caso do monotrilho, dois elefantes incomodam, incomodam, muito mais.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
A VIOLÊNCIA MERECE UMAS PALMADAS
As emissoras de Televisão e de rádio, os jornais, a Internet nos mostram diariamente o oceano de violência que atinge principalmente as grandes cidades. Somos inundados com os crimes mais bárbaros, principalmente aqueles que envolvem o mundo dos famosos. Sobre isto, a imprensa informa tanto sobre o mesmo assunto que acaba por nos afogar. Por vezes, e infelizmente, ultrapassa a sua função, acabando por exercer o papel de juiz, condenando ou inocentando pessoas. Em outra análise, o excesso de informação resulta ainda na banalização das ações. Tudo é normal, tudo é comum, tudo é possível. Enfim, a violência é notícia diária, nos amedrontando por um lado e por outro, alimentando a nossa curiosidade humana, como apenas espectadores mórbidos dos fatos. O que irá acontecer com o goleiro Bruno? E o caso da advogada Mércia? Não percam os próximos capítulos. A violência vira série policial, com mocinhos, bandidos e figurantes disputando a nossa audiência no horário nobre. As más notícias vendem. Compramos a violência. Queremos ver o circo pegando fogo.
No oceano da violência, também somos pequenos riachos. É a violência no trânsito, no desrespeito à sinalização, na falta de compreensão e na pressa inconseqüente. É a violência verbal nas escolas, entre alunos e professores. É a violência no trabalho, no salário injusto, na falta de condições de segurança, e por vezes, na falta de compromisso do empregado com as suas tarefas. É a violência política, na corrupção, no desmando com o dinheiro público, na luta pelo poder. É a violência da desigualdade social que coloca ricos e pobres a conviver em um mesmo espaço, em situações totalmente divergentes. É a violência das prisões e dos presidiários, dos cárceres e dos carcerários, dos criminosos e justiceiros, de quem é preso e de quem prende. É a violência legal, alimentada por quem pode pagar mais a um advogado ou a um juiz. É a violência familiar, no desrespeito à esposa, à criança e ao idoso. É a violência da beleza a qualquer custo, a das marcas e propaganda, a do consumismo que faz do ter o ser. É a violência da medicina que mantém a doença viva. É a violência da falta de valores e dos preconceitos. É a violência contra os animais, as matas, as águas e o ar, já que as nossas atitudes não sustentam a nova moda ecológica.
Por tudo, a violência merece umas palmadas!
Palmas para a violência!
No oceano da violência, também somos pequenos riachos. É a violência no trânsito, no desrespeito à sinalização, na falta de compreensão e na pressa inconseqüente. É a violência verbal nas escolas, entre alunos e professores. É a violência no trabalho, no salário injusto, na falta de condições de segurança, e por vezes, na falta de compromisso do empregado com as suas tarefas. É a violência política, na corrupção, no desmando com o dinheiro público, na luta pelo poder. É a violência da desigualdade social que coloca ricos e pobres a conviver em um mesmo espaço, em situações totalmente divergentes. É a violência das prisões e dos presidiários, dos cárceres e dos carcerários, dos criminosos e justiceiros, de quem é preso e de quem prende. É a violência legal, alimentada por quem pode pagar mais a um advogado ou a um juiz. É a violência familiar, no desrespeito à esposa, à criança e ao idoso. É a violência da beleza a qualquer custo, a das marcas e propaganda, a do consumismo que faz do ter o ser. É a violência da medicina que mantém a doença viva. É a violência da falta de valores e dos preconceitos. É a violência contra os animais, as matas, as águas e o ar, já que as nossas atitudes não sustentam a nova moda ecológica.
Por tudo, a violência merece umas palmadas!
Palmas para a violência!
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