terça-feira, 12 de julho de 2016

"Denorex"




Na década de 1980 um jovem chegou em Poços de Caldas e seduziu a sociedade local pelo carrão do ano, roupas de grife e altos gastos financeiros nos restaurantes e bares da cidade. Passou alguns meses na cidade, frequentando festas badaladas, sendo acolhido pela high society, namorando patricinhas, vivendo do “bom e do melhor”. Tempos depois, o “playboy” (expressão usada naqueles tempos) foi desmascarado: na verdade, era um estelionatário com diversas passagens (não aéreas) pela polícia. Na mesma época, a televisão veiculava o comercial do produto “Denorex” (ainda existente): um anti-caspa que parecia um remédio, mas era apenas um shampoo e por isto o slogan “parece, mas não é”. Daí o caso do rapaz que conseguiu enganar toda a cidade passou a ter o mesmo nome do shampoo.
Hoje, com o crescimento e o desenvolvimento da cidade, ficou mais difícil identificar casos como o citado, porém, é inegável a existência de muitos “Denorex” circulando pela coletividade. Eles chegam com pompa e circunstância, títulos acadêmicos, posturas de executivo, ligam seus laptops e convencem dezenas de pessoas com “novas abordagens” sobre determinado assunto. Acabam por seduzir muitos empresários e autoridades, que, encantados e inebriados com o “novo”, acabam por endossar o passe daquele ser que veio, finalmente, para apresentar uma “técnica revolucionária”, uma “postura diferenciada”, um “novo olhar” sobre o tema. Posteriormente, com sorte e algumas perdas, acabarão por descobrir que o ser em questão, era apenas uma “casa de esquina”, com muita frente e pouco fundo e que compraram “gato por lebre”.
Um ditado antigo afirma que “santo de casa não faz milagres”. Vamos mais longe. Muitas vezes, nem santo é considerado. Quantos profissionais de gabarito, com experiência, conteúdo e honestidade, com anos dedicados a determinado setor no município são relegados, substituídos e desvalorizados pela chegada da “embalagem” daqueles que “parecem, mas não são”?
Nada contra o novo, nem contra aqueles que chegam para contribuir com seus conhecimentos para o crescimento da cidade. Contudo, cabe um alerta no sentido de se “separar o joio do trigo”, antes de acreditar naqueles que chegam em um dia e voltam no outro, apenas, como aves de rapina, sem comprometimento e sem história, fazer a cabeça das pessoas, buscando tão somente alcançar seus objetivos pessoais.
É preciso ter muito cuidado para não acreditar em propagandas enganosas.

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