O número é sempre um referencial de valor concreto ou abstrato, utilizado como diz o “Dizcionário” para descrever quantidade, ordem ou medida. O 1, por exemplo, lido como primeiro pode dar o significado de o melhor, aquele que superou os seus adversários, o campeão. Usar a camisa 10 em um time de futebol carrega o peso, imortalizado por Pelé, de ser, geralmente o craque do time. O mesmo número dado à prova de um aluno nos diz que ele foi aprovado com a nota máxima. O numero 100 acompanhado de porcentagem (100%) carrega também significados múltiplos dependendo do contexto em que a porcentagem está inserida. Enfim, os exemplos são inúmeros (opps): o 13 significa azar ou zebra, o 7 é numero de mentiroso, 18 é a maioridade, 33 a idade de cristo, 51 é a boa idéia, 22 dois patinhos na lagoa, 69 é...deixa prá lá. Bingo! E uma curiosidade que encontrei na Internet e que pode mudar a sua vida: uma pessoa levaria doze dias para contar de 1 até 1 milhão, se demorasse apenas um segundo em cada número. Para chegar a 1 bilhão, ela precisaria de 32 anos. (Se tiver com tempo, pode começar agora).
Consultando os sábios, Pitágoras dizia que o número é o princípio e a essência de todas as coisas. Para Aristóteles, o movimento acelerado ou retardado. “Número é a classe de todas as classes equivalente a uma dada classe”. (Bertrand Russel)- Não entendi esta última pois estava fora da classe neste dia.
Enfim, nossa vida é orientada por números: da carteira de identidade à conta no banco, da senha no cartão de crédito ao numero do celular. Além do concreto, o número signfica uma forma de enxergar as coisas, um posicionamento, a (in) compreensão de uma situação.
Mas, hoje, um número, uma cifra, chamou a minha atenção e a dos milhões de brasileiros: R$ 26,7 mil. Esse o novo salário para deputados, senadores, presidente e vice e ministros de Estados, a vigorar a partir de fevereiro, se o projeto passar pelo Senado e se receber a sancão do presidente da república. Quer outro número ligado ao tema: no caso dos deputados significa um reajuste de 62,5 por cento sobre os atuais vencimentos que estão sem alteração desde 2007. A inflação deste mesmo período (2007-2010)? 20%. Lembrando ainda que o reajuste terá efeito cascata sobre os salários dos deputados estaduais e vereadores. Tudo legal e aprovado em tempo recorde para um projeto de tamanha extensão: menos de 4 horas. Um outro número revelador.
Se tudo sempre fica obscuro nos depoimentos dos nossos representantes, os números decodificam o que as palavras proferidas em entrevistas e nos pulpitos tentam dissimular. Mais uma vez, temos a prova dos 9, da falta de sensibilidade e da compreensão da realidade brasileira. O salário requerido e considerado “justo” pela maioria dos deputados, não faz justiça aos milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. Se os deputados possuem legalmente a possibilidade de aumentar os seus próprios salários, o que se espera sempre é dignidade e zelo com o dinheiro público. Os números não mentem, mas os deputados...
Não é vergonha ganhar bem. Vergonha é não ter saneamento básico, acesso à educação de qualidade, moradia e outros instrumentos que deveriam compor a “cesta básica” de todo brasileiro na busca de uma vida digna.
Muitas vezes um número nos provoca vergonha. Pena que quem deveria sentir isto, faz de conta que não vê e utiliza sempre a própria calculadora para aumentar os seus vencimentos.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
Com ou sem emoção?
Recentemente fiquei sabendo que pertenço à geração “baby boomer” e pensei: como sobrevivi até os dias atuais sem saber disso?
Coisa de americano que busca colocar todas as coisas como produtos em gôndolas de supermercado. O baby boomers (me lembra nome de fralda) é a geração de pessoas que nasceram de uma “explosão populacional” nos Estados Unidos, entre os anos de 1946 e 1964 e que estão hoje próximas aos 60 anos de idade (“os sexo-genários”). Entre características e diferenças, uma identifica os boomers: foi a primeira geração que cresceu em frente à televisão. (“É que a televisão me deixou burro, muito burro demais”-Televisão-Titãs). Sem dúvida, isto mudou tudo. A imagem aliada ao som veio possibilitar o acesso a um mundo novo que chegou através das séries de TV: Bonanza, Jeannie é um gênio, Jornada nas Estrelas, Os Invasores, O Vigilante Rodoviário (nacional), entre tantos outros filmes e programas. (“Quando nascemos fomos programados pra receber o que vocês, nos empurram com os enlatados, dos U.S.A., de nove as seis”-Geração Coca-Cola- Renato Russo). Som e imagem enfim se encontravam (mesmo que em Black and White) em uma tecnologia que acessava novas emoções. Uma delas é que passamos a ter uma classe diferente de amigos, “os televizinhos”- pessoas que iam até a casa do vizinho para assistir a TV. Era uma festa regada a pipoca e a Crush (que não era uma série de TV, mas um refrigerante). Momentos de convivência e de aprofundamento nas relações, já que depois ficávamos horas a discutir o que vimos na telinha.
Hoje, nós boomers, partilhamos a existência com outras gerações: a X (a dos filhos dos boomers-nascidos entre os anos 1960 e 1980), a Y (nascidos entre os anos 1980 e 2000) e a Z (após o ano 2000). Todos convivendo nesta sopa de letrinhas do mundo atual. E tal como a televisão nos anos 1960, um ponto nos une (ou nos separa?): a tecnologia (o computador, a Internet, o iPod...), que mais que o som e a imagem, nos permite, entre outras coisas, o acesso à mobilidade e à virtualização. Isto também mudou tudo. Dias atrás, por exemplo, me espantei ao ver um jovem Z comentando que a conversa via telefone era muito pessoal. Fiquei de cara! O virtual, por vezes, parece um hacker a enviar uma espécie de vírus amedrontando as pessoas para um relacionamento real.
E a pergunta que, principalmente nós, “os tiozaõs”, fazemos diariamente é: a tecnologia está melhorando a nossa vida? Entre tantos questionamentos em um assunto tão complexo, me veio à lembrança os passeios de buggy ou de jipe realizados principalmente nas praias do litoral de Natal no Rio Grande do Norte, onde o condutor pergunta aos turistas que pretendem realizar o passeio: “Com ou sem emoção?”.
Talvez seja isto. A vida é esta viagem que nos oferece muitos instrumentos e a “emoção” é fruto das nossas escolhas. Particularmente, acredito que receber um cartão com o selo dos Correios enviado por uma pessoa amiga desejando Boas Festas, transmite mais emoção que receber um “e-mail” com a mesma mensagem em um “Undisclosed-Recipient”. Mas, paralelamente, não questiono a emoção de mães, ao verem pela Internet, a imagem e a voz em tempo real dos filhos que se encontram a quilômetros de distância. Ainda penso que o chat (a conversa virtual) não substitui a emoção do olho no olho, de um abraço coração a coração, da presença física das pessoas que queremos bem. Mas, será que internautas X,Y,Z não sentem também a mesma emoção em receber pela web aquelas carinhas com símbolos usados na Internet para expressar felicidade, tristeza e outros sentimentos, os chamados Emoticons?
Em um assunto que não se esgota, talvez caiba a cada um, independente da geração que pertença, aplicar o seu próprio antivírus, nas escolhas individuais e intransferíveis do cotidiano. Neste universo cibernético, onde a rapidez nos atropela, a vida é o buggie, o ambiente são as dunas, e a pergunta é a mesma: Com ou sem emoção?
Coisa de americano que busca colocar todas as coisas como produtos em gôndolas de supermercado. O baby boomers (me lembra nome de fralda) é a geração de pessoas que nasceram de uma “explosão populacional” nos Estados Unidos, entre os anos de 1946 e 1964 e que estão hoje próximas aos 60 anos de idade (“os sexo-genários”). Entre características e diferenças, uma identifica os boomers: foi a primeira geração que cresceu em frente à televisão. (“É que a televisão me deixou burro, muito burro demais”-Televisão-Titãs). Sem dúvida, isto mudou tudo. A imagem aliada ao som veio possibilitar o acesso a um mundo novo que chegou através das séries de TV: Bonanza, Jeannie é um gênio, Jornada nas Estrelas, Os Invasores, O Vigilante Rodoviário (nacional), entre tantos outros filmes e programas. (“Quando nascemos fomos programados pra receber o que vocês, nos empurram com os enlatados, dos U.S.A., de nove as seis”-Geração Coca-Cola- Renato Russo). Som e imagem enfim se encontravam (mesmo que em Black and White) em uma tecnologia que acessava novas emoções. Uma delas é que passamos a ter uma classe diferente de amigos, “os televizinhos”- pessoas que iam até a casa do vizinho para assistir a TV. Era uma festa regada a pipoca e a Crush (que não era uma série de TV, mas um refrigerante). Momentos de convivência e de aprofundamento nas relações, já que depois ficávamos horas a discutir o que vimos na telinha.
Hoje, nós boomers, partilhamos a existência com outras gerações: a X (a dos filhos dos boomers-nascidos entre os anos 1960 e 1980), a Y (nascidos entre os anos 1980 e 2000) e a Z (após o ano 2000). Todos convivendo nesta sopa de letrinhas do mundo atual. E tal como a televisão nos anos 1960, um ponto nos une (ou nos separa?): a tecnologia (o computador, a Internet, o iPod...), que mais que o som e a imagem, nos permite, entre outras coisas, o acesso à mobilidade e à virtualização. Isto também mudou tudo. Dias atrás, por exemplo, me espantei ao ver um jovem Z comentando que a conversa via telefone era muito pessoal. Fiquei de cara! O virtual, por vezes, parece um hacker a enviar uma espécie de vírus amedrontando as pessoas para um relacionamento real.
E a pergunta que, principalmente nós, “os tiozaõs”, fazemos diariamente é: a tecnologia está melhorando a nossa vida? Entre tantos questionamentos em um assunto tão complexo, me veio à lembrança os passeios de buggy ou de jipe realizados principalmente nas praias do litoral de Natal no Rio Grande do Norte, onde o condutor pergunta aos turistas que pretendem realizar o passeio: “Com ou sem emoção?”.
Talvez seja isto. A vida é esta viagem que nos oferece muitos instrumentos e a “emoção” é fruto das nossas escolhas. Particularmente, acredito que receber um cartão com o selo dos Correios enviado por uma pessoa amiga desejando Boas Festas, transmite mais emoção que receber um “e-mail” com a mesma mensagem em um “Undisclosed-Recipient”. Mas, paralelamente, não questiono a emoção de mães, ao verem pela Internet, a imagem e a voz em tempo real dos filhos que se encontram a quilômetros de distância. Ainda penso que o chat (a conversa virtual) não substitui a emoção do olho no olho, de um abraço coração a coração, da presença física das pessoas que queremos bem. Mas, será que internautas X,Y,Z não sentem também a mesma emoção em receber pela web aquelas carinhas com símbolos usados na Internet para expressar felicidade, tristeza e outros sentimentos, os chamados Emoticons?
Em um assunto que não se esgota, talvez caiba a cada um, independente da geração que pertença, aplicar o seu próprio antivírus, nas escolhas individuais e intransferíveis do cotidiano. Neste universo cibernético, onde a rapidez nos atropela, a vida é o buggie, o ambiente são as dunas, e a pergunta é a mesma: Com ou sem emoção?
domingo, 28 de novembro de 2010
Rio, tempo de estio
A imagem que a maioria de nós tem do Rio de Janeiro é aquela de um cartão postal com natureza privilegiada, praias e recantos, em uma das mais belas composições do criador. Por sua vez, o homem cantou também a beleza do Rio, através de dezenas de canções ao longo do tempo. Desde o hino oficial da cidade, “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil...” (Cidade Maravilhosa -André Filho), passando por “Moça do corpo dourado do sol de Ipanema...“ (Garota de Ipanema – Tom Jobim/Vinicius de Moraes), até “Do Leme ao Pontal, não há nada igual...” (Do Leme ao Pontal-Tim Maia). Como não cantar “Rio, seu mar, praia sem fim, Rio, você foi feito prá mim...” ? (O Samba do Avião-Tom Jobim). Ou mesmo, “O Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo...”. (Aquele abraço- Gilberto Gil). A cidade nos legou maravilhosos músicos e poetas: Milton Nascimento, Ivan Lins, Jorge Benjor, Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Tim Maia, Carlos Lyra, João Nogueira, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Tom Jobim, Noel Rosa, Cartola e tantos outros.
Mas, a natureza é dual: onde há luz, há sombra, onde existe riqueza, insiste a miséria. A natureza carioca encanta aos olhos, mas, a vida real desencanta a muitos e a droga surge como um elixir que parece tornar a beleza permanente, a alegria infindável. Na paz do azul do mar carioca, o reflexo nos morros que circundam a cidade, é o da guerra de longa data entre os chefes do tráfico. No final da década de 70, nascia o Comando Vermelho (CV), que auxiliado pela política de segurança pública que proibia a polícia de atuar nos morros, fez valer ao longo do tempo, a expressão “crime organizado”, na relação entre os traficantes e os cartéis da Bolívia e da Colômbia e nas conquistas graduais das bocas de fumo. Dos desafetos do CV, surgiu o Terceiro Comando e mais tarde, em 1994, o Amigos dos Amigos (ADA). Paralelamente ao aparecimento de novas facções, os comerciantes cariocas começaram a pagar policiais para garantir a segurança: surgiram as milícias – grupos paramilitares convivendo e disputando com os traficantes o espaço da violência e da extorsão. “Rio 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos...”. (Rio 40 graus- Fernanda Abreu).
Hoje, assistimos pela TV, cenas que parecem retiradas de um filme, um “Tropa de Choque-3”: tanques, helicópteros, armamento bélico pesado, policiais civis, federais e militares. Moradores se manifestando favoravelmente a ação. Há um clima de tensão e, simultaneamente, a sensação de alívio e heroísmo. O Rio de Janeiro se tornou um campo de batalha, onde os “mocinhos” venceram os “bandidos”. Sobra-nos a certeza de que uma batalha foi ganha, mas, a guerra continuará presente no dia-a-dia carioca. Para nós, moradores aqui dos morros mineiros, no sul de Minas Gerais, a partilha de um sentimento solidário de paz e esperança aos que vivem na cidade maravilhosa. Que cada menino dos morros cariocas possa ter o “calção corpo aberto no espaço e um coração de eterno flerte.” Pegamos carona na oração de Caetano. “Menino vadio, tensão flutuante do Rio, eu canto prá Deus proteger-te...”. (Menino do Rio – Caetano Veloso).
Mas, a natureza é dual: onde há luz, há sombra, onde existe riqueza, insiste a miséria. A natureza carioca encanta aos olhos, mas, a vida real desencanta a muitos e a droga surge como um elixir que parece tornar a beleza permanente, a alegria infindável. Na paz do azul do mar carioca, o reflexo nos morros que circundam a cidade, é o da guerra de longa data entre os chefes do tráfico. No final da década de 70, nascia o Comando Vermelho (CV), que auxiliado pela política de segurança pública que proibia a polícia de atuar nos morros, fez valer ao longo do tempo, a expressão “crime organizado”, na relação entre os traficantes e os cartéis da Bolívia e da Colômbia e nas conquistas graduais das bocas de fumo. Dos desafetos do CV, surgiu o Terceiro Comando e mais tarde, em 1994, o Amigos dos Amigos (ADA). Paralelamente ao aparecimento de novas facções, os comerciantes cariocas começaram a pagar policiais para garantir a segurança: surgiram as milícias – grupos paramilitares convivendo e disputando com os traficantes o espaço da violência e da extorsão. “Rio 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos...”. (Rio 40 graus- Fernanda Abreu).
Hoje, assistimos pela TV, cenas que parecem retiradas de um filme, um “Tropa de Choque-3”: tanques, helicópteros, armamento bélico pesado, policiais civis, federais e militares. Moradores se manifestando favoravelmente a ação. Há um clima de tensão e, simultaneamente, a sensação de alívio e heroísmo. O Rio de Janeiro se tornou um campo de batalha, onde os “mocinhos” venceram os “bandidos”. Sobra-nos a certeza de que uma batalha foi ganha, mas, a guerra continuará presente no dia-a-dia carioca. Para nós, moradores aqui dos morros mineiros, no sul de Minas Gerais, a partilha de um sentimento solidário de paz e esperança aos que vivem na cidade maravilhosa. Que cada menino dos morros cariocas possa ter o “calção corpo aberto no espaço e um coração de eterno flerte.” Pegamos carona na oração de Caetano. “Menino vadio, tensão flutuante do Rio, eu canto prá Deus proteger-te...”. (Menino do Rio – Caetano Veloso).
sábado, 13 de novembro de 2010
O aluno "passa, o ensino é reprovado
As gírias acompanham a humanidade e simplificam, muitas vezes, a comunicação. Além disto, são espelhos de uma cultura e decodificam um momento vivido. “Bombar”, por exemplo, significava (e não faz tanto tempo), que o aluno não havia “passado” de ano, ou seja, não foi aprovado. O medo do estudante era ”levar bomba” e para que isto não ocorresse, estudar mais e se dedicar era a única saída.
Hoje, vivemos uma nova “onda”. Fazer sucesso, chamar a atenção é que é “bombar”. (“Cara, a festa ontem bombou”). Outro exemplo. Alcançar a média para ser aprovado era “um deus nos acuda”. Atualmente, “fazer média” para “livrar a barra” e “mandar um migué” no professor tem até a aprovação da instituição de ensino. “Passar” de ano hoje é a maior “mamata”. Basta fazer “vistas grossas”, já que o aluno tem “carta branca”, e estamos todos (governo, instituições, professores, pais e alunos), seguindo a mesma cartilha. (Me lembrei da cartilha ”Caminho Suave”, de excelente qualidade, existente ainda, cujo nome hoje é realmente mais apropriado). Estamos “assistindo de camarote”, “empurrando com a barriga”, “fazendo corpo mole”. “Tô nem aí, to nem ai...”. Porém, no boletim de avaliação, a educação no país está com notas cada vez mais baixas, pois, a qualidade de ensino é quem está “pagando o pato e a conta”. O estudante é apenas um cliente (e cliente sempre tem razão), o ensino se tornou mercadoria (“não perca a nossa promoção”) e as instituições, claro, são empresas que precisam dar lucros (não sociais, pois isto não é problema delas, mas financeiros). E o professor? Este, ao pé da letra, fica vendido. Dizem até, maldosamente claro, que a instituição quer vender um diploma, o aluno quer comprar e, “caramba”, existe sempre o tal do professor atrapalhando esta relação, querendo ensinar.
Tudo bem, ninguém é ingênuo. O mundo é outro e o setor da educação está cada vez mais competitivo. As instituições se proliferaram (notadamente, as faculdades e cursos à distância) e é preciso “brigar” para manter o estudante, quer dizer, o cliente, e, a maioria das instituições de ensino está hoje “com a corda no pescoço”. E se, como diz o ditado, “em casa de enforcado, não se fala em corda”, fingimos que ensinamos e os alunos fingem que aprendem e está tudo certo. Errado. Estamos escrevendo muito mal a história do ensino no país e precisamos sim ficar “grilados” com a situação, pois estamos “jogando às traças” o que há de mais fundamental para o desenvolvimento de um município, estado e nação: preparar as pessoas, tanto do ponto de vista técnico quanto de relacionamento, para os desafios contemporâneos. Agrada-nos a reflexão: queremos um mundo melhor para nossos filhos ou filhos melhores para o nosso mundo? E “passar” de ano, sob este ponto de vista, é até secundário. O “calcanhar de Aquiles”, isto sim preocupante, é que não estamos fazendo a nossa “lição de casa”. Deixamos de nos preocupar em “ensinar” para “aprender” a conviver com o jogo do mercado. E como passar nesta “prova”? Com certeza, uma questão de múltipla escolha e que não tem apenas uma resposta certa. Será necessário muito estudo e um trabalho em grupo e multidisciplinar. O que não podemos é assistir o ensino ser embalado em apostilas padronizadas, ser comercializado por grandes marcas de instituições financeiras, tendo como instrumentos, professores manipulados e robóticos, e, nesta equação obter como resultado, alunos bitolados e sem iniciativa, que serão, certamente, reprovados na vida. É preciso virar a página, passar a borracha e aprender a lição: briga de mercado e ensino de qualidade não podem ocupar a mesma carteira.
Hoje, vivemos uma nova “onda”. Fazer sucesso, chamar a atenção é que é “bombar”. (“Cara, a festa ontem bombou”). Outro exemplo. Alcançar a média para ser aprovado era “um deus nos acuda”. Atualmente, “fazer média” para “livrar a barra” e “mandar um migué” no professor tem até a aprovação da instituição de ensino. “Passar” de ano hoje é a maior “mamata”. Basta fazer “vistas grossas”, já que o aluno tem “carta branca”, e estamos todos (governo, instituições, professores, pais e alunos), seguindo a mesma cartilha. (Me lembrei da cartilha ”Caminho Suave”, de excelente qualidade, existente ainda, cujo nome hoje é realmente mais apropriado). Estamos “assistindo de camarote”, “empurrando com a barriga”, “fazendo corpo mole”. “Tô nem aí, to nem ai...”. Porém, no boletim de avaliação, a educação no país está com notas cada vez mais baixas, pois, a qualidade de ensino é quem está “pagando o pato e a conta”. O estudante é apenas um cliente (e cliente sempre tem razão), o ensino se tornou mercadoria (“não perca a nossa promoção”) e as instituições, claro, são empresas que precisam dar lucros (não sociais, pois isto não é problema delas, mas financeiros). E o professor? Este, ao pé da letra, fica vendido. Dizem até, maldosamente claro, que a instituição quer vender um diploma, o aluno quer comprar e, “caramba”, existe sempre o tal do professor atrapalhando esta relação, querendo ensinar.
Tudo bem, ninguém é ingênuo. O mundo é outro e o setor da educação está cada vez mais competitivo. As instituições se proliferaram (notadamente, as faculdades e cursos à distância) e é preciso “brigar” para manter o estudante, quer dizer, o cliente, e, a maioria das instituições de ensino está hoje “com a corda no pescoço”. E se, como diz o ditado, “em casa de enforcado, não se fala em corda”, fingimos que ensinamos e os alunos fingem que aprendem e está tudo certo. Errado. Estamos escrevendo muito mal a história do ensino no país e precisamos sim ficar “grilados” com a situação, pois estamos “jogando às traças” o que há de mais fundamental para o desenvolvimento de um município, estado e nação: preparar as pessoas, tanto do ponto de vista técnico quanto de relacionamento, para os desafios contemporâneos. Agrada-nos a reflexão: queremos um mundo melhor para nossos filhos ou filhos melhores para o nosso mundo? E “passar” de ano, sob este ponto de vista, é até secundário. O “calcanhar de Aquiles”, isto sim preocupante, é que não estamos fazendo a nossa “lição de casa”. Deixamos de nos preocupar em “ensinar” para “aprender” a conviver com o jogo do mercado. E como passar nesta “prova”? Com certeza, uma questão de múltipla escolha e que não tem apenas uma resposta certa. Será necessário muito estudo e um trabalho em grupo e multidisciplinar. O que não podemos é assistir o ensino ser embalado em apostilas padronizadas, ser comercializado por grandes marcas de instituições financeiras, tendo como instrumentos, professores manipulados e robóticos, e, nesta equação obter como resultado, alunos bitolados e sem iniciativa, que serão, certamente, reprovados na vida. É preciso virar a página, passar a borracha e aprender a lição: briga de mercado e ensino de qualidade não podem ocupar a mesma carteira.
domingo, 31 de outubro de 2010
Sob nova direção
A exemplo da Índia que tem Pratibha Devisingh Patil como presidenta (ainda bem que ela não concorreu aqui) e também da Argentina que tem Cristina Fernández de Kirchner, o Brasil se igualou a outros países no mundo e elegeu a primeira mulher a ocupar o cargo máximo na nação: Dilma Rousseff. Como sugestão, o PT bem que poderia mudar o nome agora para Partido das Trabalhadoras, que seria uma medida interessante para valorizar a vitória da candidata do partido. Por falar nisto, o nome Dilma, convenhamos, é mais difícil de falar do que Lula (talvez seja falta de costume). Outra coisa que ficou mais complicado foi ouvir na mídia o termo presidenta, que é correto, mas sonoramente é muito feio (talvez seja falta de costume II). Como outra sugestão (quem sabe eu não consigo uma vaguinha?) fiquei pensando em um nome mais fácil, mais popular para a Dilma, quem sabe um apelido? (com todo respeito). Depois de muito refletir me ocorreu um nome também de quatro letras: Malu. Hein? Não entendeu? Acha que estou MALUco? Calma aí, gente! Explico os motivos.
De maio de 1979 a dezembro de 1980, a Rede Globo apresentou um seriado chamado Malu Mulher. A série obteve grande sucesso nas pesquisas de audiência (assim como a Dilma) e teve problemas com a censura (assim como a presidenta) por apresentar temas ousados para a época como o aborto (alguma coincidência?). Também como a Dilma, Malu era uma mulher divorciada, guerreira, além de independente (bem aqui há controvérsias). Por tudo isto, o nome Malu me pareceu apropriado, mas, o que mais me convenceu foi perceber que a soma das duas letras finais da Dil + MA, mais a letra inicial de LU+ La, resultam em Malu. Ou seja, o nome fortaleceria ainda mais a união entre a Dilma e o Lula. Veja a fórmula: MA+ LU= MALU. Que idéia sensacional! (A minha vaguinha está mais perto agora!).
Mas tudo isto, concordamos, é o que menos importa. O que vale mesmo é pensar que a faixa de Presidente do Brasil será usada pela primeira vez por uma mulher. E se o Brasil for comparado a uma empresa, poderíamos colocar na sua fachada, a partir de primeiro de janeiro de 2011, uma faixa com os seguintes dizeres: “Agora sob nova direção”. E em plena estação das rosas, que lembra a feminilidade e para não dizer que não falei das flores, a nova direção terá, com certeza, muitos “espinhos” pela frente e muitas lutas. Bem maiores que aquelas que a então revolucionária Dilma enfrentou como opositora ao regime militar. Apenas para citar algumas: a luta contra as drogas, que com a chegada do crack, necessita urgentemente de uma mobilização nacional; a luta pela implantação do saneamento básico em todos os municípios do país, pois milhões de habitantes sofrem ainda com a falta de água e esgoto; a luta pela educação, prioritariamente nos ensinos fundamental e médio, com a valorização dos professores e no acesso de todas as crianças brasileiras. Estas são apenas algumas das batalhas que necessitam de muitas armas e estratégias para serem vencidas. Para finalizar este texto, que está ficando mais longo que discurso de posse, faz-se necessário, em caráter de urgência, enfrentar realmente os inimigos das tão prometidas (e nunca cumpridas), reformas: a tributária, a política, a trabalhista e a reforma da previdência. Como todas elas passam necessariamente pelo Congresso Nacional, outra faixa curiosa poderá então ser vista no prédio da Câmara em Brasília: “Câmara Federal– Aberta para reformas”. Assim seja.
Boa sorte, Brasil! God save the Queen!
De maio de 1979 a dezembro de 1980, a Rede Globo apresentou um seriado chamado Malu Mulher. A série obteve grande sucesso nas pesquisas de audiência (assim como a Dilma) e teve problemas com a censura (assim como a presidenta) por apresentar temas ousados para a época como o aborto (alguma coincidência?). Também como a Dilma, Malu era uma mulher divorciada, guerreira, além de independente (bem aqui há controvérsias). Por tudo isto, o nome Malu me pareceu apropriado, mas, o que mais me convenceu foi perceber que a soma das duas letras finais da Dil + MA, mais a letra inicial de LU+ La, resultam em Malu. Ou seja, o nome fortaleceria ainda mais a união entre a Dilma e o Lula. Veja a fórmula: MA+ LU= MALU. Que idéia sensacional! (A minha vaguinha está mais perto agora!).
Mas tudo isto, concordamos, é o que menos importa. O que vale mesmo é pensar que a faixa de Presidente do Brasil será usada pela primeira vez por uma mulher. E se o Brasil for comparado a uma empresa, poderíamos colocar na sua fachada, a partir de primeiro de janeiro de 2011, uma faixa com os seguintes dizeres: “Agora sob nova direção”. E em plena estação das rosas, que lembra a feminilidade e para não dizer que não falei das flores, a nova direção terá, com certeza, muitos “espinhos” pela frente e muitas lutas. Bem maiores que aquelas que a então revolucionária Dilma enfrentou como opositora ao regime militar. Apenas para citar algumas: a luta contra as drogas, que com a chegada do crack, necessita urgentemente de uma mobilização nacional; a luta pela implantação do saneamento básico em todos os municípios do país, pois milhões de habitantes sofrem ainda com a falta de água e esgoto; a luta pela educação, prioritariamente nos ensinos fundamental e médio, com a valorização dos professores e no acesso de todas as crianças brasileiras. Estas são apenas algumas das batalhas que necessitam de muitas armas e estratégias para serem vencidas. Para finalizar este texto, que está ficando mais longo que discurso de posse, faz-se necessário, em caráter de urgência, enfrentar realmente os inimigos das tão prometidas (e nunca cumpridas), reformas: a tributária, a política, a trabalhista e a reforma da previdência. Como todas elas passam necessariamente pelo Congresso Nacional, outra faixa curiosa poderá então ser vista no prédio da Câmara em Brasília: “Câmara Federal– Aberta para reformas”. Assim seja.
Boa sorte, Brasil! God save the Queen!
sábado, 23 de outubro de 2010
Ora bolas
Antes de tudo, cabe esclarecer ou escurecer que este texto não é favorável a bolinha, nem àquela ligada a fazer a cabeça das pessoas (até onde sei em desuso e que deixava todo mundo “ligadão”), nem à de papel arremessada em sala de aula na cabeça de um CDF, ou atirada na cabeça do presidente da CBF, do Serra ou da Dilma RousSEF (rimou).
Embola, ops, embora arremessar uma bolinha de papel talvez seja um ato simbólico, um gesto de protesto e de descontentamento, somos radicalmente contra qualquer atitude que venha a embolar o processo eleitoral vigente, e, olha que fomos fãs do “Clube do Bolinha “(programa de TV tão antigo quanto à bolinha de gude). Ora bolas, existem temas muito mais sérios a serem abordados e “atricotados” no país. E as reformas (política, tributária e previdenciária) que precisam ser feitas e que há anos são literalmente jogadas nos fundos das gavetas? Tais assuntos estão se tornando bolas de neve, mas daqui a um futuro não muito distante poderão congelar o desenvolvimento do país. E as prefeituras que são a bola da vez no quesito falências financeiras? Esqueça! Ninguém dá bola para isto não. Vamos discutir o aborto, a religião, o pré-sal, a Petrobrás, as privatizações, quem levou ou deixou de levar bola no governo...
E os debates? Nem precisa ter bola de cristal para perceber que estes se tornaram palco de torcidas organizadas para ver quem irá pisar na bola ou vai dar bola fora, além de acusações mútuas entre dois candidatos que disputam a presidência da república. Ora bolas, não é a disputa do grêmio da faculdade. Nem vamos escolher o próximo síndico do condomínio. É a escolha da presidência de um país que ainda tem graves problemas a serem enfrentados.
Enquanto estávamos bolando este artigo, o noticiário destacava os 70 anos do gênio da bola, Pelé, que deu declaração polêmica durante o regime militar afirmando que “o povo brasileiro não sabe votar”.
É, Rei, eleição talvez seja um bate-bola: se o eleitor recebe uma bola quadrada, ou uma bola nas costas, como exigir dele um passe perfeito?
Embola, ops, embora arremessar uma bolinha de papel talvez seja um ato simbólico, um gesto de protesto e de descontentamento, somos radicalmente contra qualquer atitude que venha a embolar o processo eleitoral vigente, e, olha que fomos fãs do “Clube do Bolinha “(programa de TV tão antigo quanto à bolinha de gude). Ora bolas, existem temas muito mais sérios a serem abordados e “atricotados” no país. E as reformas (política, tributária e previdenciária) que precisam ser feitas e que há anos são literalmente jogadas nos fundos das gavetas? Tais assuntos estão se tornando bolas de neve, mas daqui a um futuro não muito distante poderão congelar o desenvolvimento do país. E as prefeituras que são a bola da vez no quesito falências financeiras? Esqueça! Ninguém dá bola para isto não. Vamos discutir o aborto, a religião, o pré-sal, a Petrobrás, as privatizações, quem levou ou deixou de levar bola no governo...
E os debates? Nem precisa ter bola de cristal para perceber que estes se tornaram palco de torcidas organizadas para ver quem irá pisar na bola ou vai dar bola fora, além de acusações mútuas entre dois candidatos que disputam a presidência da república. Ora bolas, não é a disputa do grêmio da faculdade. Nem vamos escolher o próximo síndico do condomínio. É a escolha da presidência de um país que ainda tem graves problemas a serem enfrentados.
Enquanto estávamos bolando este artigo, o noticiário destacava os 70 anos do gênio da bola, Pelé, que deu declaração polêmica durante o regime militar afirmando que “o povo brasileiro não sabe votar”.
É, Rei, eleição talvez seja um bate-bola: se o eleitor recebe uma bola quadrada, ou uma bola nas costas, como exigir dele um passe perfeito?
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Sou mineiro até debaixo da terra
Por mais que se tente disfarçar, um texto denuncia sempre a preferência do autor por determinado assunto, uma crença, uma escolha, uma pessoa. Não existem textos imparciais, nem mesmo aqueles com cunho jornalístico. Basta um pequeno descuido, uma entrelinha, uma forma de priorizar determinada situação, e não tem jeito: a preferência e a parcialidade se escancaram. Portanto, resolvi declarar, assim mesmo em primeira pessoa e de forma maiúscula, para não deixar dúvida, MINHA PAIXÃO POR SER MINEIRO. Concordo até que minha cidade natal, Poços de Caldas, pela proximidade geográfica com o estado de São Paulo (fica na divisa entre o sul de Minas e o leste paulista) já perdeu muito da sua “mineiridade”. Milhares de turistas freqüentam o município e esta característica cosmopolita, nos fez também ser múltiplos em nossas falas, gostos e hábitos. Não abrimos mão de um “pãozim” de queijo, mas temos em nossas praças, vendedores ambulantes comercializando churros (o paulista diria “tiurros”). Admiramos e falamos de “boca cheia” sobre a vida no campo, a simplicidade, mas não dispensamos o conforto e a ida a um shopping. Contudo, basta alguém perguntar onde fica a cidade e nos enchemos de orgulho para dizer: no sul de Minas. Isto para nós é um título de nobreza, um brasão no peito, uma credencial distinta.
E ser mineiro uai, é aproveitar situações que em princípio nada teriam a ver, para retratar e testemunhar o amor por Minas Gerais. Ao assistir o drama do resgate de 33 operários mineiros no Chile, a luta pela sobrevivência, o espírito de companheirismo, a alegria do reencontro com a família, me veio o desejo de, brincando com a palavra que nos remete a outro significado, resgatar a alegria de ter nascido em Minas Gerais. E vale lembrar que historicamente o nome do Estado (que dizem ser “um estado de espírito”) foi fruto da exploração das minas de ouro por milhares de mineiros ao longo de décadas. Ao escutar o brado patriótico dos chilenos, sobreveio trazer à tona, a declaração explícita de que ser mineiro é “bão demais, sô”, como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Rubem Alves, que, com muito maior propriedade, refletiram o significado de ser das Gerais.
Oncotô? Minas Gerais. Proconvô? Minas Gerais. Doncosô? Sou mineiro até debaixo da terra.
E ser mineiro uai, é aproveitar situações que em princípio nada teriam a ver, para retratar e testemunhar o amor por Minas Gerais. Ao assistir o drama do resgate de 33 operários mineiros no Chile, a luta pela sobrevivência, o espírito de companheirismo, a alegria do reencontro com a família, me veio o desejo de, brincando com a palavra que nos remete a outro significado, resgatar a alegria de ter nascido em Minas Gerais. E vale lembrar que historicamente o nome do Estado (que dizem ser “um estado de espírito”) foi fruto da exploração das minas de ouro por milhares de mineiros ao longo de décadas. Ao escutar o brado patriótico dos chilenos, sobreveio trazer à tona, a declaração explícita de que ser mineiro é “bão demais, sô”, como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Rubem Alves, que, com muito maior propriedade, refletiram o significado de ser das Gerais.
Oncotô? Minas Gerais. Proconvô? Minas Gerais. Doncosô? Sou mineiro até debaixo da terra.
Assinar:
Postagens (Atom)